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Filipe Sampaio Rodrigues: “Sentimos que o Ministério da Agricultura foi despejado de competências e valências”
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Filipe Sampaio Rodrigues: “Sentimos que o Ministério da Agricultura foi despejado de competências e valências”

Entrevistas

2024-03-25 às 06h00

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

Filipe Sampaio Rodrigues, presidente do Conselho Consultivo da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, foi um dos convidados do Programa especial ‘Da Europa para o Minho’, da Rádio Antena Minho. Futuro do sector esteve em análise na AGRO.

Citação

Num programa especial, gravado no dia de abertura da AGRO - Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação, o sector da agricultura esteve em análise e Filipe Sampaio Rodrigues, presidente do Conselho Consultivo da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), deixou algumas preocupações quanto ao futuro, desde logo apontando o dedo às decisões políticas que levaram, recentemente, os agricultores à rua em protesto.
“Sentimos que o Ministério da Agricultura foi sendo despejado de competências e valências. É um ministério que se manteve autónomo, mas que tem muito pouca autonomia e que devia ser pelo menos o porta-voz dos interesses dos agricultores no conselho de ministros e nós não sentimos isso, sentimos que o peso eleitoral do agricultor é muito mais pequeno do que há 30 anos e que fomos sendo relegados para um segundo plano”, sublinhou Filipe Sampaio Rodrigues, no Programa ‘Da Europa para o Minho’, da Rádio Antena Minho, conduzido por Paulo Monteiro e o eurodeputado José Manuel Fernandes.

Este descontentamento dos agricultores portugueses e europeus justifica-se, segundo o representante da AJAP, pela “perda de rendimentos, perda de capacidade de sustentar o negócio e perpetuá-lo para gerações futuras”: “o negócio agrícola é familiar e estamos a ver um rompimento da cadeia geracional, os mais novos a terem pouco interesse a manter a actividade. É muito difícil ter uma actividade empresarial agrícola rentável e isso acelerou muito nos últimos tempos, o Covid foi complicado para todos e para os agricultores em especial, assim como o aumento dos custos de produção, entretanto os preços de venda ajustaram ligeiramente, mas com o aumento do custo de mão de obra, o que estamos a ver na Europa toda é que não tem sido possível encontrar modelos de negócio que possam dar algum alento ou optimismo a grande parte dos agricultores. Vemos alguma inovação, mas neste processo estamos a ver que muita gente tem mais dificuldade em manter uma actividade rentável”, alertou.

Filipe Sampaio Rodrigues lembra que a AJAP tem “trabalhado muito na valorização do tecido e em produzir valor”, contudo, “depois deparamo-nos com entraves, se um agricultor quer abrir uma pequena loja na sua quinta, não tem licenças necessárias para o fazer e é difícil de concretizar”.
Sector “é muito diferente do que era há 30 anos” e o que se vê hoje “é uma actividade agrícola cada vez mais empresarial e inserida em mercados mais sofisticados e sujeitos a dinâmicas, nomeadamente concorrências, economias e empresas de distribuição”. Neste novo tempo, a AJAP mantém a “missão de ajudar a rejuvenescer o tecido empresarial agrícola, nomeadamente, nos territórios de baixa densidade” e, neste campo, Filipe Sampaio Rodrigues é peremptório: “poucas pessoas têm noção de que, praticamente, todos os municípios portugueses são rurais, à excepção de Lisboa e Porto, todos os outros são rurais e faz-se agricultura, é esta a realidade do país que temos de Norte a Sul. Neste contexto, diríamos que o grande desafio que Portugal tem é a coesão territorial, temos dois macro fenómenos - a coesão territorial e o envelhecimento - que, nos terri- tórios de baixa densidade, criam um cocktail muito vivo e perigoso”.

A AJAP apoia directamente mais de 20 mil agricultores nas obrigações burocráticas de candidaturas a fundos europeus e dá apoio técnico a mais de cinco mil agricultores, com uma equipa de 50 técnicos, que todos os dias estão junto dos agricultores.
“A nossa missão mantém-se e esperemos que ela faça sentido durante muito tempo, porque, se não fizer, significa que enquanto país falhamos e falhamos na missão de rejuvenescer o campo e em trazer gente nova com novas competências, novo know- -how e que possa ser capaz de desenvolver negócios agrícolas competitivos e capazes de singrar no mercado europeu”.

Considerando o futuro da agricultura “risonho, porque há muitas macro-tendências no mercado muito positivas”, Filipe Sampaio Rodrigues mostra-se muito “optimista”, no entanto, pede “mais ajuda para empurrarem esta carroça da inovação”.
“Achamos que os fundos têm que ser repensados, precisamente para serem um instrumento de ajuda, acreditamos que podemos transformar isto num modelo que incentive ao investimento, o que neste momento não o faz. É preciso olhar para isto de outra forma, a forma como os subsídios são atribuídos, achamos que podemos ter um modelo diferente para que os fundos públicos possam aparecer para investimento. É um trabalho que esta- mos a desenvolver inspirado nas boas práticas da indústria tecnológica, uma incubadora para mentoria e apoio técnico”.

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