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Fim dos mestrados integrados ameaça escola de engenharia

Entrevistas

2019-02-09 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Presidente da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, João Monteiro, está contra o fim dos mestrados integrados, que admite ser uma forma de baixar o financiamento às universidades. No rescaldo de mais uma Semana da Escola, assume que a Universidade do Minho é prejudicada por um sistema opaco de financiamento estatal. No último ano de mandato, João Monteiro releva o crescimento contínuo da Escola de Engenharia em número de alunos e em projectos de investigação.

P - A Semana da Escola de Engenharia foi oportunidade para fazer um balanço da aproximação às empresas e aos novos alunos?
R - A Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) tem mais de seis mil alunos, representa cerca de um terço da Universidade do Minho em número de alunos, representa mais em termos de arrecadação de receitas com projectos de investigação. Faz parte do seu ADN a ligação ao meio empresarial da região e algumas de nível internacional.

P - O caso Bosch é um exemplo recente.
R - O ‘recente’ começou em 2011.

P - A ligação ao tecido explica o crescimento da Escola de Engenharia?
R - Não tenho qualquer dúvida. A ligação ao tecido empresarial funciona como uma espiral. Em 2011, nas primeiras reuniões para o primeiro projecto Bosch, a ligação começou logo muito bem. Encontrei muitos antigos alunos. O mais importante nesta relação é o impacto sócio-económico. Na altura a Bosch tinha cerca de 1600 funcionários, neste momento está quase nos 4000. A formação média dos funcionários cresceu enormemente. Está inclusivamente a decorrer na Bosch um programa doutoral. O mais importante foi a humildade de professores e investigadores que partilharam com o pessoal da Bosch todo o seu trabalho de investigação e desenvolvimento. O nosso problema neste momento é graduarmos cerca de 600 e 700 alunos por ano e termos 1700 ofertas de emprego.

P - Não vê, neste momento, possibilidade de crescimento da Escola de Engenharia, de alargamento da oferta?
R - Vejo, mas para isso é preciso investir em recursos humanos e em instalações. Estamos a crescer há vários no que diz respeito ao número de vagas. Neste último ano lectivo, a Universidade do Minho ultrapassou a fasquia dos 800 novos alunos, 400 das quais nossas. Das 133 vagas a mais que a Universidade do Minho teve, suportámos 50 por cento.

P - Mas o mercado pede mais?
R - Pede mais, sim.

P - Não diríamos todas, mas algumas engenharias passaram a estar na moda?
R - Todas as engenharias já passaram por épocas difíceis. A Engenharia Têxtil passou, há alguns anos, por momentos complicados. Em 2017/18, nós tivemos 20 lugares totalmente preenchidos com uma média bastante elevada. Este ano aumentámos as vagas e conseguimos preenchê-las. Isto tem muito a ver com a percepção que as pessoas têm do emprego. Em Engenharia Civil, fomos a Universidade que teve mais candidatos no último concurso de acesso.
P - Até que ponto a Escola de Engenharia tem contribuído para alavancar a economia da região e para a fixação de empresas?
R - O projecto Bosch começou com a Escola de Engenharia, mas nós envolvemos outras escolas, designadamente a de Psicologia.
P - Já agora, quem deu o primeiro passo: a Universidade do Minho ou a Bosch?
R - Neste caso, foi a Bosch. Eu entrei nos anos 80 na Universidade do Minho. Nessa altura houve apostas engraçadas de pequena dimensão: com a ‘Cachapuz’, com a ‘Fundição de Sinos de Braga’ e outras empresas. O impacto sócio-económico destes projectos é enorme na fixação de engenheiros e técnicos e ao nível da cadeia de fornecedores. Nas áreas têxtil e dos polímeros, sempre houve também uma grande relação com as empresas. No que respeita aos polímeros estamos a apostar muito na sua sustentabilidade ambiental.

P - Sem os cursos na área informática da Universidade do Minho, Braga e o Minho não seriam o que são hoje?
R - Sem dúvida que não. Criámos o primeiro curso de sistemas informáticos do país. A panóplia de empresas da área da informática que há na região e o impacto internacional que já têm, a fixação de empresas como a Accenture e a Fujitsu, são provas de sucesso da aposta nesta área.

Estatuto de Fundação não melhorou porque Estado não cumpre com a Universidade

P - Falou atrás de alguns constrangimentos ao crescimento da Escola de Engenharia da Universidade do Minho. Está quase a terminar o seu segundo mandato. O que é que o seu sucessor ou sucessora terão de fazer?
R - Tenho de explicar algumas condicionantes que a Universidade do Minho tem. Para 2019, o orçamento da Universidade do Minho tem tanto de receitas de projectos de investigação como de receitas do Orçamento de Estado.?Não é aceitável. Nós somos uma universidade pública e não é aceitável que o Estado Português não invista na Educação como deve. Há três anos que a Escola de Engenharia para dar aulas vai buscar aos resultados da investigação para equipar os laboratórios, porque tem zero do Orçamento de Estado. O Orçamento de Estado cobre 61 por cento dos salários das pessoas que temos na Universidade do Minho. Não há reitoria, não há presidentes de escolas que façam milagres.

P - São as empresas, a sociedade civil a financiar o sistema público de ensino?
R - Através do nosso trabalho de investigação. Se pelo menos houvesse um orçamento plurianual para as universidades, poderia ser feita uma gestão distinta. O que acontece hoje em dia é que a Escola de Engenharia tem mais facilidade que outras de se candidatar a determinados projectos. O Minho, tendo o PIB mais baixo do país, é o que tem a melhor balança de transacções e onde está instalada uma grande parte do tecido empresarial.

P - Isso não é um paradoxo?
R - Sim. Nós trabalhamos mais do que Porto e Lisboa para obter o mesmo em termos de retorno do Estado.

P - O estatuto de fundação da Universidade do Minho não veio ultrapassar os constrangimentos legais e financeiros que aponta?
R - Eu fui contra o modelo fundacional. Não me arrependo dessa opinião. A minha universidade decidiu e não é altura de discutir isso. Não estamos prejudicados em termos de capacidade de acção por sermos fundação. O novo regime não veio melhorar porque o Estado não cumpriu o seu compromisso para financiar a Universidade do Minho de outra forma. Nós estamos a utilizar todos os instrumentos de contratação pública. Não estamos a ter nenhuma facilidade, a não ser a contratação em regime privado de algum pessoal não docente. Com estatuto de fundação podemos alienar património. Mas nós queremos alienar património? Precisávamos era de mais. Eu não invejo o papel do administrador da Universidade do Minho.

P - Considera que a Universidade do Minho e a Escola de Engenharia, em comparação com outras, estão a ser prejudicadas?
R - Sim. Devíamos receber do Orçamento de Estado 14,5 por cento mais. Só que mudar o sistema de financiamento do ensino superior, que é muito opaco, é muito complicado para qualquer Governo fazer. Há forças e forças e forças.

P - Essa alteração do modelo de financiamento seria mais eficaz do que a medida de redistribuição de vagas de acesso ao ensino superior pelas universi- dades do interior?
R - Para dizer a verdade, o ministro deveria ter dito tudo o que não é Lisboa e Porto em vez de interior. Teríamos percebido melhor. Eu defendo essa medida. Se a Universidade do Minho ou a Universidade de Lisboa fosssem fechadas, o impacto no Minho seria muito maior que em Lisboa. Se fechassem a de Lisboa, vinham para aqui onde têm menor custo de vida e uma excelente universidade. E continuavam as sedes das grandes empresas e a tributação do IVA?lá.

P - Não antevê, portanto, uma vida fácil para o seu sucessor ou sucessora.
R - Não. Estou disponível para ajudar, até porque existe uma nova ameaça para a Escola de Engenharia: o fim dos mestrados integrados. Na nossa Escolas temos muitos mestrados integrados e apenas uma licenciatura, Design e Marketing de Moda, que é muito procurada por estudantes estrangeiros, nomeadamente brasileiros. O Governo decidiu acabar com os mestrados integrados e definir que para os institutos politécnicos haverá licenciaturas de três anos e os das universidades terão três ou quatro anos. O que algumas universidades estão a pensar é passar uma tesouro no terceiro ano e ficar com uma licenciatura e um mestrado. Essa é uma solução que não nos convém. Não consigo conceber uma licenciatura de três anos que não permita um emprego qualificado. A distinção que temos em relação aos institutos politécnicos, apesar de tudo é importante.

P - Considera que, com a nova lei, há um nivelamento por baixo, uma tendência para o facilitismo?
R - Facilitismo, creio que não. Alguns colegas nossos andam a discutir a possibilidade terem cursos de quatro anos mais ano e meio de mestrado. Os mestrados passarão a ser de dois, ano e meio ou um ano. Os de um ano penso que os institutos politécnicos os agarrarão, porque é uma boa solução para fazer a reformatação de profissionais. Temos poucos mestrados de ano e meio, mas ao fim de um ano há um diploma de especialização. Curiosamente, a Ordem dos Engenheiros, ao fim de um curso de quatro mais um ano daria o título daria o título de engenheiro E2. Os institutos estão a fazer, e bem, cursos de três anos, porque isso corresponde a uma necessidade do país.

P - Com a nova lei não há uma mistura de conceitos entre ensino politécnico e universitário?
R - Pode haver essa leitura. Na minha opinião há uma grande mistura de conceitos. Com Bolonha extinguiu-se a palavra bacharel por questões que têm a ver com a nossa História. Associava-se bacharel a uma pessoa que vinha de um estrato sócio-económico mais débil. Mas em Inglaterra e nos Estados Unidos da América ele ainda existe sem tom depreciativo. Ao chamar licenciados a pessoas que fizeram percursos diferentes é uma mistura complicada.

P - Com a nova lei, teme que a Escola de Engenharia da Universidade do Minho possa perder procura?
R - O futuro o dirá. Neste momento somos a terceira escola de engenharia do país em termos de procura, a seguir à Escola de Engenharia da Universidade do Porto e ao Instituto Superior Técnico. Não temos qualquer dúvida quanto a isso. Isso enche-nos de orgulho e prevejo que não haja um impacto imediato. O mercado de trabalho é que é diferente. Ao fim de três anos, um jovem se puder ter um emprego vai ter esse emprego. O mestrado irá fazê-lo a seguir. O problema é que o valor económico de um licenciado de três anos não é o mesmo de um licenciado de cinco anos. Garantidamente.

P - A Escola de Engenharia da Universidade do Minho está envolvida na criação de um consórcio com outras cinco escolas do país. Pode surgir aí um consenso sobre a harmonização da oferta formativa?
R - O que estamos a fazer, por iniciativa do colega da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, é um consórcio com o Minho, Faculdade de Ciências e Tecnologia de Coimbra, a Universidade de Aveiro, o Técnico e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Já está assente que vamos oferecer bolsas para alunos de países de expressão portuguesa. A Fundação para a Ciência e Tecnologia vai comparticipar também bolsas de doutoramento, essencialmente para formação do corpo docente de universidades de expressão portuguesa. Vamos fazer outras acções como curso à distância em conjunto, mas a questão do fim dos mestrados integrados é central para nós. Vamos ter de chegar a um acordo e a um consenso. Mas a discussão interna em cada uma das escolas está a ser muito vivo.


Sou frontalmente contra a descida das propinas

P - Num plano estratégico até 2020 apresenta-se a missão de transformar a Escola de Engenharia da Universidade do Minho numa das 30 melhores da Europa.
Já estão nesse grupo?
R - Não é fácil. Acho que ainda não estamos. Posso estar a ser modesto, mas podemos estar nas 70 melhores. Quando olho para a Suiça e para algumas universidades alemãs... Quando foi feito esse plano estratégico, as condições eram outras, mesmo em termos de Orçamento de Estado.

P -?Em termos orçamentais, as condições degradaram-se?
R - Degradaram-se por um lado e melhoraram por outro. Trabalhamos mais para captar receitas próprias.

P - Mas em termos de financiamento
público...
R - Os últimos anos têm sido particularmente preocupantes. O desequilíbrio entre as grandes cidades de Lisboa e Porto e o resto do país é particularmente preocupante para nós. Daí eu ser um regionalista, apesar de ter nascido e vivido no Porto. A questão política é onde pôr os ovos, ou as moedas, onde investir. O Minho é uma excelente região para investir. O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior quando nos visita elogia-nos imenso. Gostávamos de ver algumas acções práticas e algum facilitar da gestão dos recursos humanos.

P - Há alguma desorçamentação
do ensino superior por parte do Estado?
R -?Penso que sim. Os mestrados integrados entravam na fórmula de cálculo do orçamento que o Governo transfere para as universidades. Se passarmos para o 3+2, eu antevejo que os dois do mestrado não contem ou contem muito menos. Temos aqui um problema.

P - Já agora, e as propinas?
R - Eu sou profundamente contrário à descida que houve. Preferia que se investisse em alojamento, por exemplo, ou em apoio social. Isto é transversal à Esquerda e à Direita. Não temos ainda garantias que o Estado transfira para as universidades a diferença do valor das propinas. A redução só se vai fazer sentir em Setembro, mas não está inscrito, que eu saiba, o aumento das transferências para as universidades.

Engenharia tem 50 ME para investigação em três anos

- A Escola de Engenharia tem mais de 270 projectos de investigação e desenvolvimento a correr. Alguns dos que se têm destacado são desenvolvidos no laboratório 3B’s...
R -?Essa é uma aposta da Universidade do Minho.

P - Mas onde as engenharias estão muito presentes...
R - O projecto 3B’s autonomizou-se e é uma unidade orgânica, está ao nível da Escola de Engenharia.?Tem muito financiamento europeu e uma importância muito significativa, não tanto ao nível da ligação à indústria. É uma área de muita investigação e especialização.?Sem o 3B’s, a Escola de Engenharia tem 50 milhões de euros em projectos de investigação distribuídos por três anos. Cinquenta milhões de euros que entram na Universidade do Minho via Escola de Engenharia.

P -É o maior contribuinte líquido da Universidade do Minho?
R - Deixe-me dizer que a dotação do Orçamento de Estado deste ano é de 149 milhões. Isso dá um termo de comparação. Nós contribuimos para a Universidade do Minho e achamos que o devemos fazer. É esta a afirmação pública que eu sempre tenho tido. Somos solidários com outras escolas. Queremos que melhorem a atracção de investimento mas compreendemos que para outras escolas o conseguir arranjar receitas próprias não é mesma coisa. Nós queremos uma Escola de Engenharia numa Universidade completa e de largo espectro. Não quero que acabe o estudo da Filosofia ou das Letras e Ciências Humanas.

P - O anterior reitor insurgiu-se muito contra a forma como a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) analisou determinados projectos da Universidade do Minho. A Escola de Engenharia passou um mau bocado neste capítulo?
R - O ex-reitor António Cunha insurgiu-se e muito bem. Aquilo foi uma fantochada completa. Na Escola de Engenharia, dos nove centros de investigação avaliados, dois foram classificados com ‘Bom’, abaixo do limiar que nos interessa em termos de acreditação e financiamento, mas foram financiados. Os outros sete tiveram ‘Muito Bom’ e ‘Excelente’. Mais de 90 por cento dos investigadores da Escola de Engenharia trabalhavam nestes. O resultado foi bom, devia ter sido excelente. A avaliação foi muito mais feito. Abriu um novo período de avaliação, mas a FCT demora muito tempo. Estamos a imaginar quando é que isto vai acabar.

P -?Uma das últimas apostas formativas da Escola de Engenharia foi a Engenharia Física. Foi uma aposta arriscada? Está a correr bem?
R - Obviamente, a Engenharia Física liga com a Informática Quântica. Não é por acaso. Também temos o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) aqui à beira. Daí a razão de o curso de Engenharia Física estar sediado em Braga. Esta é uma aposta que fica um bocadinho comprometida se houver as licenciaturas 3+2. Só não fica comprometida, porque estou convencido que quem entra em Engenharia Física vai ter de fazer os cinco anos e já vem preparado para isso. Nos outros cursos, ao fim de três anos, a tentação de um emprego é muito grande.

Programas de internacionalização do Irão ao Vietname

P – O processo de internacionalização
da Escola de Engenharia da Universidade do Minho está dentro daquilo que considera ideal ou há ainda possibilidade de fazer muito mais?
R – Há capacidade de fazer mais. Conseguimos neste mandato criar um Gabinete de Internacionalização que ainda é pequeno. A internacionalização tem várias vertentes. Viramo-nos muito para áreas específicas. Colaborar com países como Angola e Moçambique é muito complicado por causa dos recursos e formação. Curiosamente, temos muitos estudantes de doutoramento e mestrado de Engenharia Civil do Irão. Porquê? Recuperação de património histórico, estruturas, construção anti-sísmica, tudo isto tem muita importância no Irão. Temos também muitos estudantes do Brasil. Acabámos de submeter uma proposta que pode parecer estranha: melhoria da qualificação e criação de um mestrado com cinco universidades do Vietname.?Porquê o sudoeste asiático? Eles têm algo em comum connosco: a indústria têxtil. Mas não é por aí que eles querem ir, é pela área da indústria 4.0. Num viagem relâmpago reuni com seis universidades e cinco aderiram a este programa que esperamos venha a ser aprovado. Apostamos em capacitá-los para mais tarde poderem vir a trabalhar connosco. Se isto é entregar o ‘ouro ao bandido’, acho que não.

P -?Alguns dos nossos industriais têxteis poderão não gostar...
R - Não, isto poderá abrir portas aos nossos industriais. O Vietname só tem produção e precisa de know how que os nossos industriais têxteis já têm.

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