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“Foi muito difícil chegar a casa e não abraçar a minha filha e mulher”

Braga

2020-04-06 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

De quarentena há mais de 15 dias, José Carlos Azevedo trabalha em França e depois de chegar a casa, em Braga, ficou isolado no quarto sem contacto com a esposa e a filha. “Quando consegui abraçar a minha filha e a minha mulher foi emocionante”.

Entrar em casa e isolar-se no quarto sem abraçar e beijar a filha, de dois anos, e a mulher “foi muito difícil”. Emigrante em França, José Carlos Azevedo chegou no dia 23 de Março a Portugal e como já tinha estado uma semana de quarentena, ao fim de oito dias em casa saiu do quarto, mas continua fechado em casa. “Quando consegui abraçar a minha filha e a minha mulher foi emocionante”, confidenciou o emigrante, que mora em Braga.

Ao fim de oito dias em casa, José Carlos Azevedo decidiu terminar o isolamento no quarto. “Antes de regressar, já estava há uma semana de quarentena e, como nenhum de nós tinha sintomas, sai do quarto”, justificou o emigrante, confidenciando que “não foi fácil” olhar para a filha e não conseguir tocar-lhe. “Já falo com a minha filha por videochamada quando estou fora e quando ela vê o pai a entrar em casa e a querer saltar para o meu colo, deixou-me de rastos. Eu tirei a roupa à entrada e fui directo para o quarto tomar banho e ali fiquei fechado mais oito dias”, lembrou José Carlos, lamentando que nem um beijo deu à pequena, que tem dois anos.
“A minha mulher abria a porta do quarto para deixar a comida e a minha filha ficava à porta a falar comigo. Dissemos-lhe que havia uma linha imaginária na porta e que não podia passar, porque tinha bichos maus. Ela cumpriu, sentava-se do lado de fora do quarto e ficávamos a conversar um pouco”, desabafou, com a voz embargada.

Os dias foram passando com a ajuda do sol que entrava pela varanda do quarto, o computador e o telemóvel. “Não me faltou nada. Mas ouvia a minha mulher e filha a brincar na sala e queria tanto também lá estar. Mas não podia”, lamentou José Carlos.
O emigrante continua em isolamento em casa, mas mais dia menos dia terá que ir procurar trabalho. “As despesas não param e eu e a minha mulher vamos ter que trabalhar”, atirou.
Entretanto, José Carlos foi contactado pela empresa para o informar que o comercial está infectado. “Estive com ele há três semanas, mas nunca sabemos o que pode acontecer. Liguei-lhe e está internado com febre e falta de ar”, adiantou.

A semana que antecedeu o regresso a casa também não foi fácil para o português.
Tudo parecia tranquilo, até que no sábado, dia 14 de Março, José Carlos teve que fazer 900 quilómetros para ir trabalhar para o Norte de França. “Fiquei assustado com o movimento nas auto-estradas e estações de serviços. Os franceses fugiram das cidades para as aldeias”, constatou.

Na segunda-feira seguinte, José Carlos e os colegas apresentaram-se ao trabalho, na área da construção, mas já não trabalharam. “Fiquei essa semana em casa. Logo nessa segunda-feira, um amigo meu vinha da Holanda e passava pela zona de Nante, onde eu estava. Mas decidi não vir embora, não podia deixar os colegas portugueses para trás, não os podia deixar desamparados”, justificou.

José Carlos ainda esteve para comprar um voo para o Porto, mas depressa se apercebeu que as companhias estavam a cancelar tudo. “Entretanto, fui contactado pelo responsável da empresa na sexta-feira de manhã, dia 20 de Março, a informar que podíamos vir para Portugal no carro da empresa, porque na França ia-se parar pelo menos dois meses”, lembrou. Nesse mesmo dia, José Carlos veio para Portugal com mais 14 colegas em três carros. Para a viagem precisaram apenas do comprovativo de morada. Chegaram a Espanha, à fronteira do país basco, por volta da uma da madrugada. “Pensei que ia haver mais controlo, mas apenas verificaram os cartões de cidadão e, como somos portugueses, entregaram-nos um documento para apresentar na nossa fronteira a dizer que tínhamos de sair o mais rápido possível de Espanha”, referiu.

Por volta das 7 horas de sábado, já dia 21 de Março, os emigrantes chegaram a Portugal. “Aqui ainda mais surpreendidos ficamos, não havia segurança nenhuma. Apenas estava um militar da GNR sem protecção nenhuma e um inspector do Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que tinha apenas umas luvas”, recordou José Carlos, referindo que lhes foi entregue um documento da Administração Regional de Saúde (ARS) Norte a obrigar o isolamento profiláctico pelo período de 14 dias a partir da entrada em Portugal.
E José Carlos Azevedo assim fez. Cumpriu.

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