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Freguesia de São Victor é o retrato do mundo com 117 nacionalidades
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Freguesia de São Victor é o retrato do mundo com 117 nacionalidades

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Freguesia de São Victor é o retrato do mundo com 117 nacionalidades

Braga

2020-07-06 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

São Victor é a maior e uma das mais centrais freguesias do concelho de Braga, que tem assistido ao aumento da população nos últimos anos, também à custa dos imigrantes. Actualmente, São Victor contém 117 nacionalidades nas suas ‘quatro paredes’.

São Victor, a maior freguesia do concelho de Braga, é também um retrato do mundo, onde os rostos dos imigrantes se misturam com os dos bracarenses. Actualmente são 117 as nacionalidades que habitam sob o tecto mais citadino do concelho. Dizem-se “bem acolhidos“ e confessam-se “felizes”.
É ao gerir os atestados de residência, que o presidente da Junta de Freguesia de São Victor, Ricardo Silva, constata a representação do mundo inteiro na localidade que gere, com cidadãos oriundos dos mais diversos países. Ricardo Silva destaca que esta atracção dos imigrantes à cidade, sobretudo nos últimos anos, está muito relacionada com a “divulgação da imagem de Braga” por parte da Câmara Municipal de Braga, que tem conseguido atrair mais empresas para o concelho e criado mais postos de trabalho também.

Mas não só. O autarca da maior freguesia do concelho bracarense, diz que este crescimento do número de imigrantes em Braga está também directamente relacionado com outras instituições como Universidade do Minho como o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, que tem conseguido captar quer estudantes, quer investigadores internacionais. O facto de a freguesia ser muito central, ficar perto de tudo e em que as pessoas se mobilizam praticamente a pé para todo o lado, aumenta a atractividade aos olhos dos imigrantes, diz Ricardo Silva.
“Em São Victor, temos a representação do mundo inteiro, com imigrantes que nos chegam de todos os continentes, desde os países de Leste, à ex-URSS, muitos vindos da China, do Japão, da Índia, do Paquistão, do Iraque e até do Irão”, assinala, apontando estes últimos como aqueles que sentem “maiores dificuldades na aculturação”, sobretudo porque as suas próprias culturas são também “mais rígidas” - algo que se constata, por exemplo, através do vestuário que usam, “embora se note que actualmente as novas gerações sejam mais ocidentalizadas”.

Entre os imigrantes africanos que residem em São Victor, há muitos com ascendência francesa, vindos dos Camarões, da Nigéria e Argélia. Outra das comunidades muito expressiva é a ucraniana, que conta com muitas crianças nos jardins-de-infância.
Os venezuelanos e brasileiros foram crescendo também nos últimos anos dentro de São Victor, muitos vieram por razões de segurança e por questões políticas que levaram à crise social e económica e escolheram Braga e Portugal para ‘começar de novo’.
“A verdade é que para todos estes imigrantes que nos escolhem para viver têm a imagem de que Portugal é um país seguro, aprazível e solarengo, acolhedor, cordial e de gente simpática, que leva a que muitos queiram experimentar uma vivência por cá”, refere o autarca, lamentando o facto de muitos imigrantes chegarem, todavia, com pouco dinheiro no bolso e a necessitarem de apoio social e da solidariedade de todos.

Especulação imobiliária agrava problemas sociais de imigrantes

Dando as boas-vindas a todos os que chegam à freguesia de São Victor, o autarca Ricardo Silva critica “a especulação mobiliária” a que se tem assistido nos últimos anos, classificando até a situação de “gravíssima”.
“O facto de sermos uma freguesia central na cidade, onde as pessoas se mobilizam facilmente para os empregos e escolas sem ser necessário o uso do automóvel, sempre foi uma mais-valia e um atractivo para São Victor receber imigrantes. Mas o autarca acusa a subida drástica no preço das casa, sobretudo nos últimos três/quatro anos.
“Essa especulação imobiliária deu azo a novos problemas sociais agora detectados, levando a situações de grande fragilidade como o facto de num apartamento T2 viverem, por exemplo, quatro famílias.


Brasileiros foram os que pediram mais apoio na pandemia

A crise pandémica veio agravar os problemas sociais e muitos foram os que procuram apoio alimentar através da Junta de Freguesia de São Victor.
O presidente, Ricardo Silva, indica que a comunidade brasileira foi aquela que mais recorreu aos apoios da rede de solidariedade montada na freguesia, além dos portugueses mais carenciados.
Sem entender bem as razões, o autarca local diz que os imigrantes do Médio Oriente e da África são os que menos os requerem. “Não sei se é falta de informação ou se já estão integrados de verdade e têm o seu sustento”.

Tranquilidade cativa imigrantes que buscam “uma vida mais feliz”

“Eu gosto de viver em Braga essencialmente por causa do sossego e tranquilidade”. Aravind Marimuthu, 25 anos, é natural da Índia e é um dos muitos indianos que vive na freguesia de São Victor. Veio para estudar e acabou por se fixar na cidade, mas são muitos os que vêm à procura de um vida melhor, num país onde buscam a segurança e paz que desejam.
“Vivo em Braga há praticamente três anos e gosto muito de viver cá, sobretudo, pela tranquilidade que aqui encontro e também porque existe uma pequena comunidade indiana que ajuda a manter vivas as nossas tradições e costumes como a ‘Pongal’ - uma tradição muito antiga do Sul da Índia que se festeja em Janeiro”, conta o jovem engenheiro electrotécnico, residente na Rua da Fábrica.

“Acho que os portugueses em geral são um povo muito simpático, que é muito solidário com os outros, e esse é um factor muito importante que destaco também nos bracarenses”. Apesar do sossego que tanto aprecia, Aravind considera que em Braga falta “mais actividade cultural e entretenimento, sobretudo, ao fim-de-semana”. “Gostava que houvesse mais coisas para fazer como no Porto”.
Tal como milhares de brasileiros que nos últimos anos chegaram ao país, Edna Carvalho, 51 anos, acabou de chegar do Brasil com a família, em busca de um recomeço que coincidiu com o final do passado mês de Fevereiro, precisamente quando a pandemia provocada pela Covid-19 despoletou. A vida de Edna e da família ficou ‘em suspenso’, dentro das quatro paredes da casa que arrendou em São Victor.

“Já tínhamos decidido vir experimentar uma vida melhor em Braga há algum tempo. Infelizmente o momento e que chegámos foi o da pandemia, o que nos impediu de arranjar logo emprego para iniciar este novo projecto numa cidade que era muito destacada positivamente por muitos dos nossos conhecidos”, lembrou. “Ainda não consegui conhecer tudo dado o confinamento a que fomos obriga- dos, mas já deu para ver que Braga é uma cidade muito agradável e o Minho é uma área muito verde e bonita e agora vamos tentar a nossa sorte e começar a procurar trabalho”, disse, arregaçando as mangas para tentar “uma vida mais feliz”.

Para o chinês Zhen Chen, de 37 anos, também residente na freguesia de São Victor, Braga é uma terra “confortável”, até porque tem uma grande comunidade chinesa. Chegou à cidade há cerca de 13 anos. Veio sozinho, e, tal como muitos imigrantes, tentar ‘a sorte’ para uma vida mais cómoda. “Tenho muita família na China, mas imigrei porque queria ter uma vida melhor e mais calma e foi isso que encontrei cá”. Zhen já casou cá e aumentou a família. A filha de três anos é uma das muitas crianças filhas de imigrantes que enchem, hoje, as salas dos jardins-de-infância de Braga.

A população portuguesa aumentou no ano passado em relação a 2018 graças à imigração (0,19 por cento) e, pela primeira
vez em dez anos, segundo o Instituto Nacional
de Estatística (INE). O crescimento da população em 2019 deveu-se ao aumento do saldo migratório (diferença entre as pessoas que saem e as que vêm para Portugal) de 11.570 para 44.506 (um aumento de 0,43 por cento), sendo que o Norte é uma das regiões com ‘saldo migratório positivo’.

Há também cada vez mais estrangeiros a adquirir nacionalidade portuguesa. Só no ano passado foram registadas mais de 180 mil ‘novos portugueses’, segundo o Ministério
da Justiça. A Lei da Nacionalidade (datada de 1981) foi alterada e em 2018 passou a permitir que os filhos dos estrangeiros nascidos em Portugal tenham direito à nacionalidade portuguesa, desde que um dos pais resida no país há dois anos.

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