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Fundação investe 300 mil euros no restauro de 54 mil azulejos em Famalicão

Vale do Ave

2021-10-15 às 16h12

Redacção Redacção

Restauro de azulejos que cobrem o exterior do edifício sede, em Famalicão vai ser acompanhado pelo artista João Charters de Almeida que, em 1968, concebeu a obra.

A Fundação Cupertino de Miranda vai investir cerca de 300 mil euros no restauro dos cerca de 54 mil azulejos que cobrem o exterior do seu edifício-sede, em Vila Nova de Famalicão, foi hoje anunciado.
A intervenção será acompanhada pelo artista que em 1968 concebeu os azulejos, João Charters de Almeida, que hoje mesmo visitou os trabalhos, em curso já desde julho e com conclusão prevista para fevereiro de 2022.
“Estou no céu. Se existe céu, eu estou lá”, referiu, atualmente com 86 anos e visivelmente orgulhoso por ver a sua obra requalificada com respeito pelo desenho original.
Em causa estão 10 painéis, quatro dos quais na torre da sede da fundação e seis ao nível do rés-do-chão, que perfazem um total de cerca de 54 mil azulejos, pintados há 53 anos de acordo com o “risco” de Charters de Almeida.
Volvido mais de meio século, e perante as condições de degradação dos painéis, a Fundação Cupertino de Miranda decidiu, com o apoio da Câmara de Vila Nova de Famalicão, avançar com a recuperação integral dos azulejos, um trabalho confiado à empresa Signinum, especializada em restauro de património.
A obra conta ainda com o apoio científico do Instituto Politécnico de Tomar/Universidade de Aveiro, através do professor Ricardo Triães.
“Consideramos que este é o momento mais oportuno para este restauro, tendo em conta a renovação profunda da praça do centro histórico da cidade, que tem o objetivo de tornar Vila Nova de Famalicão uma cidade mais moderna, funcional e com uma nova oferta para os seus cidadãos e visitantes”, refere a fundação, em comunicado.
O autor dos painéis recordou hoje que aquele trabalho se sustentou numa “atitude de emoção”, não tendo havido “um trabalho racional” na sua concepção.
“Foi um exercício de fluência, foi começar e acabar”, referiu, enfatizando que teve sempre “uma atitude muito emotiva de composição”.
Sublinhando que em causa estão painéis “com dimensões absolutamente pouco comuns”, o artista deu conta da sua reação após a conclusão do trabalho.
“Olhei e disse: não está mal”, recordou, com humor, lembrando ainda que aquele foi um dos primeiros trabalhos da sua carreira.
Hoje, é com “muito orgulho e com uma “emoção enorme” que assiste e acompanha a recuperação dos painéis, com respeito pelo desenho original.
“Ficaria perfeitamente destruído se não tivessem acarinhado e respeitado o meu trabalho”, confessou, destacando a “qualidade e a ciência superlativas” que estão a ser postas no restauro.
O artista evocou o “grande sobressalto” que teve quando Cupertino de Miranda lhe encomendou a obra e as “muitas noites sem dormir” que passou na altura, mas não escondeu o orgulho que sente por constatar que a sua criação continua a ser admirada e respeitada.
“Se não fosse, já haveria grafitis e buracos por ali”, atirou.
Entretanto, a Fundação Cupertino de Miranda lançou a campanha “Azulejos com Memória”, através da qual todos podem deixar “a sua marca” e que contribuam para o restauro dos painéis.
Os interessados contribuem com 10 euros, sendo o seu nome inserido num azulejo que vai ficar numa espécie de memorial a instalar na sede da fundação.

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