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Fundos para investigar resposta global à Covid-19 devem ser acessíveis e justos

Braga

2020-05-27 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Ministro Manuel Heitor defendeu, no INL, que os fundos para investigar uma resposta global à Covid-19 devem estar “acessíveis a todos” e ser atribuídos através da “excelência dos projectos de investigação” e não por critérios meramente regionais.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior português defendeu ontem que é preciso garantir que a distribuição de fundos para encontrar uma resposta global à Covid-19 deve ser “justa e acessível” a todos os cientistas, grupos ou centros de investigação.
Manuel Heitor falava no INL - Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, onde participou na conferência on-line’The Quest for Interdisciplinarity’, dinamizada no âmbito da iniciativa ‘Global Response Actions’.
“Todos os fundos europeus devem estar acessíveis a todos, em toda a Europa”, defendeu o ministro, reconhecendo que este é um tema “crítico”, mas que é necessário abordar para garantir que o acesso aos fundos para uma resposta global seja determinado através da excelência científica e não pela localização ou nome da instituição.

O apelo foi deixado momentos depois de Manuel Heitor ter referido que a ciência tem agora uma oportunidade de ouro para demonstrar o seu valor à sociedade. “Vivemos num tempo em que todos procuram a ciência”, reconheceu o ministro, considerando que essa é a oportunidade para demonstrar a importância do financiamento à investigação científica. “Os cientistas têm agora a oportunidade de explicar e mostrar às pessoas como viver em sociedade minimizando os riscos da actual situação”, referiu.
A investigação científica tem actualmente três grandes desafios que se prendem, desde logo, com o encontrar novas formas de testar a presença do coronavírus, encontrara novas terapêuticas para tratar a doença e encontrar uma vacina.

E estes desafios da investigação científica devem ser encarados no contexto de uma resposta global, com Manuel Heitor a considerar que o INl “está bem posicionado” para participar nessa resposta.
Na conferência participou também Pedro Duque, ministro da Ciência de Espanha, que realçou o contributo que os dois países da Península Ibérica dão para essa cooperação científica, recordando que o próprio INL é um investimentos de Portugal e de Espanha.

Pedro Duque realçou que Portugal e Espanha mantêm cooperações a outros níveis, dando como exemplo a Rede Ibérica de Computação Avançada, uma parceria que visa a instalação, em ambos os países, de infra-estruturas de supercomputação.
No Centro de Supercomputação de Barcelona (BSC/CNS) foi instalado um supercomputador do tipo ‘pre-exascale’, cuja participação portuguesa representa cerca de 10% do consórcio, que também inclui a Turquia e a Croácia e é apoiado pela Irlanda. No âmbito do mesmo projecto no Centro de Supercomputação Avançada do Minho foi instalado um outro supercomputador, este do tipo ‘petascale’, numa candidatura apoiada pelo BSC/CNS.

Colaboração é essencial à investigação científica

“A colaboração científica é a chave para o futuro. Já o era e vai ser ainda mais”, como o veio demonstrar a actual situação que o mundo atravessa devido à Covid-19. Foi esta a conclusão que Lars Montelius, director geral do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, retirou da conferência on-line que o INL promoveu ontem à tarde, juntamente com os Governos de Portugal e da Espanha, uma iniciativa que teve como objectivo “congregar o maior número de organizações para o enorme desafio de combater a Covid-19.
Mas o futuro não passa apenas pela colaboração entre as instituições que se dedicam à investigação científica, passa também pela cooperação com os restantes domínios da sociedade, porque “os cientistas não fazem as coisas sozinhos”, precisam de profissionais de outras áreas, referiu.

Um exemplo do excelente resultado dessa colaboração entre cientistas e a sociedade tinha sido apresentado momentos antes por Nuno Sousa, director da Escola de Medicina da Universidade do Minho, ao lembrar que foi de um processo de cooperação envolvendo cientistas, médicos e engenheiros que foi criado, em Portugal, o Atena, um ventilador pulmonar, desenvolvido a partir do CEiiA, Centro de Engenharia para o Desenvolvimento de Produto. Os ensaios do novo ventilador português foram desenvolvidos na Escola de Medicina e o Centro Clínico Académico de Braga.
Nuno Sousa foi um dos muitos investigadores e representantes de centros de investigação de vários pontos do mundo que participaram na conferência de ontem.

No final, Lars Montellius realçou que o próprio INL já encerra em si esta bandeira da colaboração científica. Além de ser um centro de investigação que surge da iniciativa de dois países, congrega actualmente mais de 400 investigadores de 40 nacionalidades. “Precisamos de aprender com estas experiências para estar preparados para a próxima pandemia ou desafio global, porque ele certamente vai existir”, alertou o director-geral do INL, lembrando que a ciência leva o seu tempo e não tem soluções imediatas, mas o seu papel é sobretudo criar fundações para o futuro, um futuro que, como se percebe, terá de ser traçado em cooperação.
“No fundo, é tudo sobre as pessoas. São as pessoas que fazem a diferença. é por elas que existe a ciência”, rematou.

Nota ainda para a intervenção de Ricardo Rio, que realçou que a ciência, mais do que nunca, é importante para que os políticos, no actual contexto, tomem as decisões validadas cientificamente. O presidente da Câmara Municipal de Braga constatou também que a actual situação está a contribuir para aproximar a ciência dos cidadãos.
A conferência contou ainda com contribuições de especialistas tais como Maria Manuel Mota, directora do Instituto de Medicina Molecular, Mónica Bettencourt Dias, directora do Instituto Gulbenkian de Ciência, Lars Samuelson, membro da Real Academia Sueca de Ciências, e o do director de Unidade da DG RTD (Comissão Europeia) Renzo Tomellini, entre muitos outros.

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