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Gil Eannes recebeu homenagem a Bernardo Santareno em dia do centenário do nascimento do escritor

Alto Minho

2020-11-20 às 17h23

Redacção Redacção

A experiência a bordo de António Martinho do Rosário foi a matéria-prima para a transposição poética da dura realidade da faina bacalhoeira nacional que a obra literária de Bernardo Santareno imortalizou de forma ímpar nas letras portuguesas.

O antigo navio-hospital Gil Eannes foi o palco das comemorações do centenário do nascimento de Martinho do Rosário, médico que escreveu sob o pseudónimo de Bernardo Santareno. Numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Fundação Gil Eannes e Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana, as comemorações incluíram a leitura encenada de “O Lugre nos Mares do Fim do Mundo”, com uma seleção de textos do autor que, em 1958, integrou o corpo clínico do navio vianense. 
A experiência a bordo de António Martinho do Rosário foi a matéria-prima para a transposição poética da dura realidade da faina bacalhoeira nacional que a obra literária de Bernardo Santareno imortalizou de forma ímpar nas letras portuguesas. 
Bernardo Santareno foi um dos médicos das longas campanhas, realizadas no final dos anos de 1950, integrado na equipa do navio hospital Gil Eannes - mas viajando também em arrastões como Senhora do Mar e David Melgueiro -, onde testemunhou as precárias condições de higiene, de salubridade e as jornadas de trabalho, muitas vezes ininterruptas, de dezenas de horas, a que os pescadores, parcamente pagos, eram sujeitos.
Nascido em Santarém, em 19 de novembro de 1920, António Martinho do Rosário formou-se em Medicina e especializou-se em psiquiatria, mas foi com o pseudónimo literário Bernardo Santareno que se tornou conhecido fora dos consultórios onde trabalhou. Morreu no dia 29 de agosto de 1980, aos 59 anos.
"A Promessa", "O Lugre", "O Crime da Aldeia Velha", "António Marinheiro ou o Édipo de Alfama", "O Pecado de João Agonia", "O Judeu", "A Traição do Padre Martinho" e "Português, Escritor, 45 Anos de Idade" são algumas das peças de Bernardo Santareno, que se destacaram nos palcos.
O autor também escreveu poesia ("A Morte na Raiz", "Romances do Mar", "Os Olhos da Víbora") e relatos de viagens, nomeadamente em "Nos Mares do Fim do Mundo", onde testemunha a saga dos pescadores da antiga frota bacalhoeira portuguesa.

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