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“Grande prioridade é diminuir dependência energética da Rússia”
Guerreiros Horta e David Carmo ao serviço de Portugal

“Grande prioridade é diminuir dependência energética da Rússia”

Colorido de alegria com mais de sete mil pessoas

“Grande prioridade é diminuir dependência energética da Rússia”

Entrevistas

2022-03-14 às 06h00

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

‘Da Europa para o Minho’ debateu os efeitos da guerra na Ucrânia e como se pode acabar com a dependência energética da Rússia, aquela que é considerada a grande missão da União Europeia. Caminho passa também por sanções mais duras aos russos.

Citação

Acabar com a dependência energética da Rússia. É esta a grande prioridade e missão da União Europeia face à Guerra na Ucrânia e aos efeitos colaterais da invasão russa. A opinião foi defendida pelo eurodeputado José Manuel Fernandes, João Cerejeira, da Universidade do Minho, e Emídio Gomes, reitor da UTAD, no Programa ‘Da Europa para o Minho’, da Rádio Antena Minho, conduzido por Paulo Monteiro.

“Tenho vindo a falar sobre isso, que um dos grandes desafios, há muitos anos, era da segurança e abastecimento energético, já sabíamos que não devíamos depender da Rússia, que Putin não era confiável. 40 por cento do gás é importado na Rússia e, na semana passada, andávamos a pagar 650 milhões de euros por dia à Rússia. Não é por acaso que ainda não cortou o gás, na prática estamos a pagar as armas ao senhor Putin. Uma grande prioridade é diminuir esta dependência da Rússia. Tem que se actuar rapidamente, porque, se não fizermos nada, a seguir entra na Moldávia, na Georgia, o bullying à Suécia e Finlândia, bem vejo os avisos que temos que já nos diziam há muito tempo que isto ia acontecer”, lembrou José Manuel Fernandes.

Eurodeputado revelou que, no prazo de um ano, está previsto “reduzir-se em dois terços a dependência que temos à Rússia” e depois “é manter e reforçar o apoio às empresas”. “Temos ainda 200 mil milhões de euros disponíveis. A nossa prioridade tem que ser ajuda humanitária, apoio aos refugiados e um plano económico para as pequenas e médias empresas. Depois, os Governos têm de fazer a parte deles. Choca-me que um Governo esteja a ganhar com a guerra com aumento de preços e açambarcar mais receitas quando as famílias estão em dificuldades, é fácil baixar o ISP e o IVA”, frisou.
José Manuel Fernandes destacou que a Comissão Europeia já pediu, há várias semanas, “aos estados membros para terem atenção e actuarem do lado dos impostos, portanto não tenho a mínima dúvida que, se o Governo quiser, na questão do IVA na energia, haverá uma descida dos impostos”.

“Nos impostos de combustíveis em Portugal uma coisa que me impressiona é que o Governo ganhe e encha os cofres à custa do sofrimento e dificuldades das famílias. Esta escalada era previsível e já há muito tempo que se devia ter actuado”, reforçou dando conta de que, esta semana, juntamente com as delegações de Espanha e França, “escrevemos ao senhor Macron para dar importância às interligações Portugal, Espanha e França”.
“Temos que apostar nas renováveis, mas perdemos muito tempo, tal como foi um erro nos desmilitalizarmos, estamos a falar da autonomia da UE. Para termos soberania nacional temos que ter soberania europeia. Defesa e segurança; energia e agricultura e alimentação são áreas essenciais onde se exige união que não tem existido”, rematou.

“Ondas de choque vão propagar-se a nível da economia global”

João Cerejeira, da Universidade do Minho, considera que com as sanções aplicadas à Rússia “as ondas de choque vão propagar-se a nível da economia global”.
“Estamos numa guerra, há guerra do ponto de vista militar e operacional na Ucrânia, mas a Europa toda está ameaçada, estando numa guerra é melhor apesar de tudo nós sofrermos o ricochete das sanções económicas do que sofrer uma guerra directa, é um custo que seria bom as autoridades europeias explicarem. Não queremos enveredar pela via militar nem por uma intervenção directa da NATO neste conflito, mas estas sanções económicas têm efeitos indirectos também nas economias europeias, mas que se vão estender à mundial. Vai ter efeitos a nível global e não apenas europeu”, alertou o investigador, considerando que, nestas primeiras semanas, “as sanções vieram um pouco a reboque das opiniões públicas”.

João Cerejeira diz que será possível “ganhar a guerra por este lado pelas sanções” e é da opinião que urge diminuir a dependência energética com a Rússia e apostar de forma equilibrada nas novas energias.
“Estamos a passar uma fase de transição energética, tem havido um desinvestimento da Europa na área das energias fósseis apesar de dependermos delas. Optámos por não explorar as reservas de gás em Portugal, decidimos fechar a central a carvão de Sines, a refinaria de Matosinhos sem que os grandes projectos de renováveis estivessem já no terreno. Estamos a desligar alguns centros importantes, mas ainda não temos alternativas activas. Exagerámos demais no perder as fontes, para nos colocarmos na mão de países como a Rússia. Estamos a fazer a nossa transição energética, mas continuamos a comprar o gás a ditaduras. Há uma falta de backup”, alertou.
Perspectivando que “a Rússia vai entrar em bancarrota a curto prazo”, João Cerejeira diz que o “perigo é saber quem são os credores da Rússia”. “Há que conter estes danos, fazer barreiras para deter estes efeitos em cadeia”, acrescentou.

Emídio Gomes, reitor da UTAD, defende a “antecipação de cenários” e “a necessidade de a Europa tomar medidas com coragem, que impliquem alguns custos e sofrimento interno em termos de bem-estar”.
“Se a Europa quiser ter algum efeito das suas sanções económicas, têm que ser mais duras do que as actuais. Devem ser o mais duras possíveis e devem mesmo afectar a economia russa, mesmo que tenhamos que fazer restrições de uso energético”, realçou, esperando que o “impacto gigantesco no preço dos combustíveis e no preço das matérias primas” venha a agravar-se. “O impacto imediato é nos preços, dependerá muito das políticas europeias como poderão atenuar este inevitável aumento da tensão inflacionista”, referiu, optimista quanto à “capacidade de amortecimento” da UE.

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