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‘Águas do Minho’ liga sete municípios em nome do futuro
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‘Águas do Minho’ liga sete municípios em nome do futuro

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Alto Minho

2019-01-12 às 06h00

Teresa M. Costa

Eficiência ambiental e financeira é um dos objectivos da empresa Águas do Minho que congrega sete municípios do Alto Minho que vão uniformizar as tarifas, mas querem melhorar os serviços.

Face às grandes exigências ambientais de qualidade da água e à grande necessidade de investimentos no alargamento das redes e na sua modernização e requalificação, “os municípios sozinhos não seriam capazes de o fazer” assumiu ontem o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa, justificando a parceria com a Águas de Portugal, ontem formalizada.
O também presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Minho explicou que “a principal preocupação foi criar, através deste modelo, um sistema de abastecimento de água que fosse eficiente e capaz de garantir às novas gerações que lhes entregamos também um sistema razoável e de qualidade”.

“Preparamos um modelo que corresponde àquilo que eram as preocupações de cada um dos presidentes de Câmara de resolver os problemas infraestruturais do seu concelho, mas também de deixarmos a garantia de que em conjunto seremos capazes de manter este nível de qualidade, melhorá-lo e deixá-lo para as gerações futuras” garantiu José Maria Costa.
O presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, João Manuel Esteves, fala de um “projecto sustentável para juntar a qualidade e quantidade da água a servir à população” e anuncia que “é um trabalho para continuar a fazer”, sempre à procura das melhores soluções.

O presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Victor Mendes, reconhece um conjunto de ganhos na parceria ‘Águas do Minho’, em particular o ganho de escala.
No caso de Ponte de Lima, Victor Mendes aponta a resolução do défice tarifário que se cifra em 1,5 milhões de euros e que tem sido suportado pela autarquia.
O presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, Vítor Paulo Pereira, que “foi uma decisão difícil, mas necessária que garante a racionalidade e a sustentabilidade do sistema”.
No concelho de Paredes de Coura, os munícipes vão sentir uma alteração de tarifa, mas “se não aderíssemos estaríamos a hipotecar o futuro de qualquer rede” afirma o edil, assumindo que a prazo, “o município teria que fazer investimentos maiores e não tem fôlego financeiro”.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira, Fernando Nogueira, também reconhece que “a escala é importante”. “Permite melhorar a gestão de recursos e, neste caso, vai ajudar a preparar o futuro” reforça o edil.
A parceria pública que consigna a Águas do Minho “garante que a água chega a todas as casas do concelho com a qualidade necessária” afirma o presidente da Câmara Municipal de Caminha, Miguel Alves que sublinha que hoje são necessários meios técnicos e humanos para a manutenção e gestão da rede e impõe-se a sua renovação.

Miguel Alves defende ainda que é preciso estancar o valor das perdas que ronda os 44,5 por cento no concelho de Caminha, uma área em que esta parceria permite actuar.
Actuar ao nível das perdas é também um objectivo do Município de Valença, presidido por Jorge Mendes, que realça a necessidade de “construir um futuro que permita o abastecimento de água de qualidade, mas também a sustentabilidade ambiental e financeira”.
“Se todos dermos um contributo, temos uma tarifa mais acessível para todos” aponta o autarca de Valença que já compra 600 mil metros cúbicos de água por ano à Águas do Norte.

Parceria pública nas águas capta mais qualidade e mais investimento

Sete municípios do distrito de Viana do Castelo formalizaram ontem com o Estado, através da Águas de Portugal, uma parceria para a exploração e gestão do abastecimento de água e do saneamento básico a assumir pela Águas do Alto Minho.
Viana do Castelo, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Pare- des de Coura, Caminha, Vila Nova de Cerveira e Valença são os municípios que integram a Águas do Minho.
À assinatura da constituição da parceria pública, que decorreu na cidade de Viana do Castelo, presidiram o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins.

O ministro elogiou o “trabalho excepcional” destas sete autarquias que tiveram a liberdade de escolher o modelo e optaram pela parceria pública.
Neste momento, são 90 os municípios que, em todo o país, estão a discutir estes modelos.
João Pedro Matos Fernandes acredita que “o serviço vai mesmo melhorar e o investimento vai ser maior”.
Dos 500 milhões de euros que Bruxelas tem disponíveis para o ciclo urbano da água, 100 milhões serão aplicados nos municípios que resolveram agregar-se, explicou ontem o ministro da tutela.
Aliás, os sete municípios avançam, já na próxima semana, com uma candidatura que abarca projectos na ordem dos 21 milhões de euros, antecipou o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho e autarca de Viana do Castelo, José Maria Costa.

Em dez anos, o investimento previsto cifra-se nos 70 milhões de euros para este território que serve cerca de 204 mil habitantes, verba que irá ascender aos 270 milhões nos próximos 30 anos.
O ministro do Ambiente e da Transição Energética, confirma uma “maior capacidade de investir e de preparar este território para as alterações climáticas, garantindo também um preço justo nas tarifas pagas pelos cidadãos”.
João Pedro Matos Fernandes referiu-se à Águas do Minho como “um fato feito à medida” porque “estas soluções são construídas juridicamente de acordo com a lei, mas não há dois territórios iguais e, sendo diferentes, reclamam soluções diferentes”, mas manifestou a expectativa desta parceria se alargar aos dez municípios do Alto Minho.

De fora desta parceria ficaram os municípios de Ponte da Barca, Monção e Melgaço.
José Maria Costa realçou a “visão de futuro” desta solução que, admitiu, “não foi isenta de dificuldades”, mas defende que “a criação de escala é o caminho a percorrer pelos municípios.
O presidente da CIM do Alto Minho explicou que “houve a preocupação de manter a gestão na esfera pública”.
As redes continuam a ser pertença dos municípios e estes continuam a poder influenciar as decisões de investimentos e tarifário, reforça o autarca.

Águas do Minho aguarda visto do Tribunal de Contas

Formalizada ontem, a parceria que cria a Águas do Minho carece agora da validação do Tribunal de Contas. "Só depois do visto do Tribunal de Contas é que podemos constituir a empresa e o seu capital social. Esperamos no final do primeiro semestre ter a constituição efectiva” anunciou ontem o presidente da CIM do Alto Minho, José Maria Costa.
“Até lá, temos muito trabalho pela frente, quer na organização dos serviços, das equipas, quer na preparação das candidaturas", afirmou o também edil de Viana do Castelo, destacando que a fusão dos serviços municipais de águas e saneamento dos sete concelhos prevê a integração dos trabalhadores afectos a esses serviços, sempre assente no seu consentimento.
“Este foi sempre um aspecto importante na discussão” ressalvou José Maria Costa.

Sobre esta matéria, o presidente da Águas de Portugal, João Nuno Mendes, assumiu que a Águas do Minho quer ser “um espaço de progressão na carreira” e “um espaço de oportunidades” para todos os trabalhadores.
Só na formação das equipas, condições de atendimento com lojas em todos os concelhos, sistemas de informação e monitorização de redes, entre outros projectos, serão investidos 46 milhões de euros, anunciou.
João Nunes Mendes manifestou “o empenho para que este seja um projecto exemplar” e sublinhou que “as alterações climáticas também se enfrentam com projectos desta ambição”.

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