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As Nossas Escolas

2019-09-30 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Conservatório recebeu ordem para abrir concurso para cinco lugares. Novos operacionais estão ainda longe de colmatar todas as necessidades, mas vão anular a situação insustentável da escola.

A falta de assistentes operacionais tem marcado o arranque do ano lectivo no Conservatório Calouste Gulbenkian nos últimos anos. A escola tem vivido uma situação precária que acarreta vários constrangimentos no funcionamento das actividades lectivas.
A directora do estabelecimento de ensino explica que dos 21 assistentes que integram o quadro da escola, seis estão de baixa médica, sendo que dois destes já entregaram o pedido de aposentação. Com 15 operacionais ao serviço, a gestão das várias actividades representa um autêntico ‘quebra-cabeças’ para a direcção conduzida por Ana Maria Caldeira que tem insistido junto da DGEstE - Direcção-Geral dos Estabelecimentos de Ensino para a resolução da situação. Mas, as soluções pecam por tardias e provisórias, já que todos os anos é necessário proceder à abertura do concurso para contratos de horas.

“A escola fica sempre frágil porque não se resolve realmente o problema”, revela a directora do conservatório, adiantando que no arranque deste ano lectivo, e antevendo o problema que o atraso da colocação poderia causar, decidiu envolver os pais para dar mais força à causa. E, de acordo com a directora, o problema da falta de funcionários deverá ser resolvido a curto prazo porque a tutela deu autorização para a escola abrir um concurso de cinco lugares para integrar os seus quadros.

De acordo com Ana Maria Caldeira, a autorização foi dada em Abril, mas o procedimento concursal está sujeita a um processo burocrático moroso que envolve cerca de três centenas de candidatos. Só em Outubro é que o processo deverá ficar encerrado, deixando, entretanto, a escola a braços com a falta de assistentes operacionais na abertura de mais um ano lectivo. “No mês de Julho/Agosto apercebi-me que a abertura do ano lectivo poderia estar comprometida, quando, mediante as fases do processo, comecei a ter consciência que em Setembro não teríamos as pessoas colocadas aqui”, continua a directora que garante ter alertado ao delegado regional que sugeriu a contratação de algumas horas. “Só vieram sete horas, com dois contratos de 3,5 horas. São contratos parciais. É assim que esta escola tem vivido”, diz.
O Conservatório Calouste Gulbenkian funcionou sempre a entre as 7 e 22 horas de segunda a sexta-feira, mas o horário foi este ano remodelado, passando a abrir das 7 às 22 à segunda e 7 às 21 horas de terça a sexta-feira, e das 9 às 13.30 horas.

“A Calouste Gulbenkian foi ficando para trás”

Fundada há 48 anos, o Conservatório Calouste Gulbenkian nunca sofreu uma requalificação de fundo, sentido-se ultrapassada em relação às suas congéneres que foram sujeitas a intervenções quer por parte da Par- que Escolar, quer pelo Município de Braga.
Uma intervenção de fundo, onde se preserve a traça original do edifício como factor identitário é, por isso, um dos maiores desejos desta comunidade que se depara diariamente com constrangimentos a este nível. “O que nos é dito é que estamos em lista de espera. Finalmente interveio-se no Conservatório de Lisboa e agora segue-se o de Aveiro e o de Braga, que têm as mesma idade”, avança a direcção.

É com recurso a um orçamento diminuto, que é transferido do Orçamento de Estado, que a direcção da Gulbenkian vai aplicando alguns ‘remendo para a situação não entrar em declínio total. “Quase todos os anos fazemos alguma intervenção durante o Verão”, assegura Ana Maria Caldeira, recordando que escola “teve a sorte” de ser contemplada com dois projectos do Orçamento Participativo, no valor de 20 mil euros.

Mas não são só as infraestruturas que necessitam de uma intervenção. O mobiliário da escola também está obsoleto, facto que tem levado a direcção a recorrer a material dispensado por outras escolas. “O mobiliário mais recente que temos fomos buscá-lo a outras escolas, como por exemplo ao D. Maria II e a Castelo de Paiva. Aquilo que os outros não querem mandam-nos buscar para escolher o que está em bom estado. E nós vamos todos contentes. Os melhores cacifos que temos são os que vieram de Castelo de Paiva”, avança a directora, acrescentando que a promessa de abertura do concurso para remodelação do mobiliário já é antiga.

Alunos comprometidos com a abolição do plástico e do papel

O ano lectivo arrancou há poucas semanas, mas os alunos do Conservatório Calouste Gulbenkian já mostraram que o trabalho em prol do ambiente não pode esperar. Numa atitude que surpreendeu a própria direcção - que sensibilizou a comunidade escolar para a necessidade de adopção de algumas medidas aquando a cerimónia de recepção aos alunos - os alunos do Conservatório de Braga decidiram dispensar os individuais em papel que são utilizados nos tabuleiros do refeitório. “Estou surpreendida pelo facto da nossa juventude estar tão comprometida com o ambiente”, admitiu a directora da escola, Ana Maria Caldeira, que assume que uma das principais metas desta comunidade é reduzir o papel utilizado.

Numa escola onde o recurso às fotocópias é uma realidade de décadas, o desafio passa agora por promover estratégias que permitem reduzir a sua utilização. “Esta escola tem um consumo muito elevado de fotocópias. Por exemplo, quase todos os alunos tiram fotocópias das obras, até por uma questão de funcionalidade. De todo o conjunto da obra, tiram-se as cópias para os violinos, para os violoncelos”, diz Ana Maria Caldeira, admitindo que por são milhares dos exemplares de cópias que se tiram anualmente nesta escola.

A abolição das garrafas de plástico na escola é outra das medidas que está também já em curso. “Não estamos a encomendar mais garrafas”, garante a directora do conservatório, avançando que a escola mandou instalar mais quatro bebedouros no recinto para que os alunos possam ter acesso à agua.
Numa escola onde o recurso às fotocópias é uma realidade de décadas, um dos desafios actuais desta comunidade é promover estratégias para reduzir o consumo de papel. E uma das formas é a digitalização das obras. “Quase todos os alunos têm tablets e telemóveis que podem levar para os ensaios para ver a partitura. Muitos maestros já utilizam esta ferramenta.


Ensino articulado da música estreia-se no Mosteiro e Cávado

Foi com o Agrupamento de Escolas de Maximinos que o Conservatório Calouste Gulbenkian iniciou uma parceria para o ensino articulado da música. Este ano, o ensino vai estender-se, pela primeira vez, ao 1.º ciclo do ensino básico. “Foi um pedido do agrupamento. A experiência que temos é que a iniciação musical deve começar nessas idades”, diz a directora da Gulbenkian, justificando o sucesso que a parceria tem tido.
Mas, a grande novidade este ano é a extensão do ensino articulado da música com o Agrupamento de Escolas do Mosteiro e Cávado. “Temos uma turma de primeiro ano”, adianta a responsável.

Ana Maria Caldeira mostra a sua expectativa em relação ao sucesso desta parceria. “Vê-se que há uma vontade muito grande por parte dos pais”, diz a directora, confessando que o arranque do projecto em Maximinos foi mais difícil, embora tenham sido descobertos aqui autênticos talentos. “Há alunos que são mesmo bons. Há um que venceu um concurso interno para tocar a solo com uma orquestra. Muitos também já disseram que estão ansiosos para vir para o conservatório no ensino secundário”, continua.

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