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Hugo Pires: Bracarenses desiludidos com esta maioria
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Hugo Pires: Bracarenses desiludidos com esta maioria

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Hugo Pires: Bracarenses desiludidos com esta maioria

Entrevistas

2021-09-10 às 06h00

Rui Alberto Sequeira Rui Alberto Sequeira

Hugo Pires é o trunfo do PS bracarense para reconquistar a Câmara de Braga perdida para a Coligação Juntos por Braga em 2013. O candidato socialista não poupa nas críticas aos oitos anos da liderança de Ricardo Rio que diz terem sido uma desilusão. Acusa a gestão da Agere de criminosa, quer extinguir os TUB/EM e propõe transportes gratuitos.

P - Que Hugo Pires vão os eleitores bracarenses encontrar oito anos depois de ter sido vereador de Mesquita Machado e da sua actividade como deputado?
R - A candidatura socialista à Câmara Municipal de Braga (CMB) que eu tenho a honra de liderar, resultou de uma análise à gestão do PS no passado, aos oito anos de governação da actual maioria e ao estado actual do nosso concelho. Ao longo dos últimos anos fui adquirindo experiências em outras funções e que eu julgo que hoje podem ser úteis para colocar ao serviço dos bracarenses.

P - Como é que classifica estes oitos anos de gestão de Ricardo Rio?
R - Uma profunda desilusão. Quando a coligação de direita venceu as eleições em 2013 havia uma grande expectativa sobre a mudança e ao fim de oito anos, quando falamos com as pessoas, com as instituições o que nos é transmitido é a enorme desilusão com a actual maioria. O que se observa é estagnação e degradação do que se tinha conseguido em Braga. Esta maioria escondeu-se atrás de festas e de prémios de origem duvidosa em que se gastaram milhares de euros.

P - Mas há problemas na cidade que já vêm do passado?
R - Quais problemas?

P - O Nó de Infias já vem do tempo em que o Hugo Pires era vereador de Mesquita Machado.
R - Não me lembro de ouvir há oito anos falar sobre os problemas que o Nó de Infias tem actualmente. Não fui eu que autorizei a construção de grandes superfícies naquela zona.

P - O Nó de Infias já existia.
R - Já mas não tinha os problemas que tem hoje.

P - A ausência de corredores para os Transportes Urbanos também já vem do tempo da gestão socialista. No seu tempo de vereador já existiam os TUB e a circulação na cidade já era complicada.
R - Na altura estávamos empenhados em melhorar a frota dos TUB, a descarbonizar, a ter transportes mais confortáveis, com mais horários e que chegassem a todos os territórios do concelho. O que vemos hoje é que esta maioria comprou 40 autocarros com mais de 25 anos aos STCP movidos a gasóleo e que são poluidores.

P - Não acha que é injusto fazer essa afirmação quando vemos a circular na cidade autocarros elétricos e a gás adquiridos por esta maioria?
R - Os utentes das freguesias limítrofes dizem que são servidos por autocarros que são sucatas onde até chove no seu interior.

P - Na gestão socialista também não havia ciclovias, sendo certo que o atual executivo prometeu cerca de 76 km e fez pouco mais de um quilómetro.
R - Qual quilómetro?

P - Na zona de Lamaçães.
R - Isso não é verdade. Essas ciclovias fomos nós socialistas que fizemos.

P - A actual maioria melhorou essa ciclovia
R - O que foi ali feito foi uma ciclovia em cima de outra ciclovia que já existia. Este executivo o que fez foi pintar linhas vermelhas em estradas esburacadas. É uma medida risível e lamentável. Espero que não haja nenhum acidente por causa dessas linhas vermelhas.

P - Assume no seu programa o compromisso de construir 50 Km de ciclovias?
R - O programa eleitoral do PS apresenta propostas estruturadas, estudadas e concretizáveis. É uma emergência mudar o paradigma da mobilidade em Braga que é uma cidade das mais poluídas em Portugal. A Avenida Padre Júlio Fragata é uma das mais poluídas do país. É preciso coragem para mudar.

P - Mas acha que ao longo dos anos a cidade foi projectada para acolher essas mudanças na mobilidade?
R - Eu tenho pós-graduação em planeamento e urbanismo e sei que todas as cidades passaram por isto. No passado pensávamos as cidades para o automóvel e para sua utilização. Hoje percebemos que isso é insustentável.

P - Em Braga com as novas avenidas foi isso que sucedeu, uma cidade feita a pensar no automóvel?
R - Sem dúvida.

P - O Hugo Pires já aqui falou da sua pós-graduação e isso permite-lhe perceber que em Braga poderá ser difícil condicionar o trânsito automóvel em determinadas zonas?
R - Em outras cidades europeias há uma aposta em mudar o perfil das avenidas e estradas para que exista mais democraticidade na utilização do espaço publico e no uso dessas vias. É o que tem de ser feito em Braga.

Vamos extinguir os TUB/EM

P - A gratuitidade que propôs para os TUB e que entrou no debate autárquico é um factor chave para essa mudança?
R - A nossa candidatura fez as contas e esta não é uma proposta populista. Os transportes públicos gratuitos são um investimento e não um custo.

P- Como é que vai conseguir acomodar os TUB gratuitos no orçamento municipal?
R - O orçamento dos TUB ronda os 12 ME, deste montante 5 ME são transferências directas do Município, ou seja, os TUB geram 7 ME de receita. A lei obriga que uma empresa municipal tenha no mínimo 50% de receitas próprias para continuar a existir. Em primeiro lugar vamos extinguir os TUB e internalizar este serviço no Município. Acabámos com uma administração, com os seus assessores. Os TUB passam a ficar integrados numa direcção municipal ligada á mobilidade. O problema dos 50 % da receita obrigatória deixa de existir porque a empresa municipal acaba e os serviços são integrados na autarquia. Onde é que vamos buscar os outros 7ME? Há uma receita na CMB proveniente da derrama (aplicada as empresas com mais de 150 mil euros de lucro/ano) que ronda os 7,3 ME. Vamos trabalhar na captação de investimento porque quanto mais empresas existirem em Braga, mais receita de derrama existirá. Vamos apelar à responsabilidade social e ambiental dos empresários e dizer-lhes que o seu esforço de contribuição para o concelho é investido nos transportes urbanos e se investimos em transportes estamos a aumentar a competitividade do território. Nada disto é um custo é um investimento na qualidade de vida.

P - Os 7,3 ME da derrama serão aplicados na sua totalidade nos transportes urbanos?
R - E também na restante política de mobilidade para o concelho. Vamos apostar nos parques de estacionamento periféricos.

P - Anunciou que vai disponibilizar 3000 casas com preços acessíveis para a classe média. Como é que vai concretizar essa proposta?
R - Apesar de termos a BragaHabit que funciona mal, ela tenta dar respostas aos mais desfavorecidos. Há depois as classes médias em que mais de metade do seu rendimento é para renda e prestação da casa. Temos de arrefecer o mercado da habitação.

P - De que forma?
R - Ouvimos Ricardo Rio dizer: “as casas não caem das árvores”, isso é conversa de quem não tem uma ideia. Existe um programa que é o da renda acessível e eu já falei com pessoas no sentido de se poder acrescentar mais benefícios através de um programa de renda garantida para senhorios em que são isentos de IRC ou IRS os contratos de arrendamento celebrados no âmbito deste programa. Os senhorios têm de aceitar baixar 20% do calor da renda e o Município ainda isenta do IMI.

P - Mas esse é um programa nacional.
R - É nacional em que a autarquia isenta o senhorio do pagamento do IMI. É uma das ferramentas que propomos para “arrefecer” o mercado da habitação.

P -Mas menos IMI, menos receita para o Município.
R - Sim, mas em contrapartida as pessoas têm uma habitação digna.

P - Quando fala em disponibilizar 3000 casas está a referir-se ao período de 4 anos de mandato?
R - Sim. Vamos criar uma via verde que permita transformar espaços para escritórios em espaços de habitação. Vamos alterar o PDM para que terrenos, principalmente em freguesias mais rurais, possam ter capacidade construtiva. Outra das medidas que propomos é fomentar a criação de cooperativas habitacionais.

P - Braga já tem a sua Estratégia Local de Habitação que é fundamental para aceder a alguns apoios de programas do estado.
R - Não existe a ELH porque nem sequer está homologada pelo governo. A câmara pegou em terrenos municipais e propôs construir bairros e fazer “guetos”.

Agere com gestão criminosa


P - No seu programa defende a demolição do bairro do Picoto.
R - O bairro do Picoto é um “cancro” na cidade. Não garante dignidade a quem ali reside e aumenta a insegurança.

P - Foi uma má opção da gestão socialista.
R - Reconheço que sim mas estamos prontos para corrigir o erro.

P - Relativamente à Fábrica Confiança se for eleito que destino vai dar aquele edifício?
R - A Confiança representa o desnorte completo de Ricardo Rio. Foi ele (na altura vereador da oposição) que negociou a compra e fez parte de um júri que escolheu um projecto cultural para aquele espaço. Passados todos estes anos queria vender, sabe-se lá a quem, mas a sociedade civil movimentou-se contra. No nosso entender existe um espaço mais adequado para ser residência universitária que é a antiga escola D. Luís de Castro, que está sinalizada pelo governo. A Confiança deve ficar ao serviço dos bracarenses cumprindo o seu objectivo de animação cultural e criar ali um eixo de atractividade.

P - De acordo com o presidente da CMB e o administrador executivo da Agere, há fortes suspeitas de acção criminosa na recente descarga poluente no Rio Este. Como é que interpreta esta posição?
R - O rio Este voltou a morrer. Isto aconteceu porque o administrador da Agere feito com o presidente da câmara e com os parceiros privados, prefere distribuir lucros do que investir na qualidade de vida dos bracarenses. Esta gestão da Agere é criminosa. Em 2013 a Agere distribuiu aos privados 1,1 ME porque investia, em 2020 distribuiu quase 3 ME em dividendos. Além disso são os próprios parceiros privados que prestam serviços à Agere. A Agere foi incapaz, com esta gestão, de antever o crescimento da cidade e é hoje o maior poluidor do concelho fazendo descargas ilegais. A Agere foi incapaz de construir novas etares.

P - Porta aberta à remunicipalização da Agere?
R - Existe essa possibilidade ou então uma mudança de paradigma na gestão.

Sete Fontes?
Não existem soluções fáceis para problemas complexos e as Sete Fontes são um problema complexo porque envolve muitos privados. Se comparar o que foi feito desde que fui vereador do urbanismo até agora, o resultado é zero. Nós aprovámos um plano de pormenor e este executivo só mudou o título para plano de pormenor e salvaguarda.

Turismo?
O turismo é uma atividade importante para Braga. Não o turismo de massas, mas um turismo de qualidade que acrescente valor á economia bracarense. Um dia a verdade há-de vir á tona a propósito do prémio do melhor destino turístico 2021. Quem é a pessoa a quem Ricardo Rio pagou essa distinção e que no próximo dia 14 irá anunciar quem venceu o prémio de melhor presidente de Câmara do mundo.

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