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Internacionalização tem de ser aposta do IPVC
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Internacionalização tem de ser aposta do IPVC

Entrevistas

2020-02-08 às 06h00

Rui Alberto Sequeira Rui Alberto Sequeira

Carlos Rodrigues preside ao Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC) desde Julho do ano passado. No momento em que apresenta o plano estratégico da instituição para os próximos quatro anos, aponta, em entrevista ao Correio do Minho e Rádio Antena Minho, a internacionalização como aposta forte do seu mandato. O presidente admite crescimento do estabelecimento de ensino superior do Alto Minho até aos cinco mil alunos e propõe o regresso de dezenas de investigadores que o IPVC tem espalhados por todo o país.

P - Fez a sua carreira académica no Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC). Depois de ter sido vice-presidente, como vê o desafio da presidência?
R - Vejo o desafio com muito interesse e muita vontade de ajudar a que o IPVC seja, cada vez mais, uma instituição reconhecida pela sua formação, pela relações com o meio envolvente, com as empresas e com as instituições, seja a nível nacional ou internacional.

P - A internacionalização é uma das apostas fortes do IPVC?
R - Numa instituição como a nossa, a internacionalização tem de ser uma aposta. Uma instituição de ensino superior tem de estar nas redes internacionais de formação e investigação, nas redes internacionais de captação de alunos.

P - Esse trabalho está a ser feito no IPVC?
R - Vai sendo feito. É uma das linhas fortes para este mandato, que vamos ter de aprofundar e desenvolver.

P - Recentemente, o IPVC subscreveu um protocolo com um conjunto de universidades da América Central...
R - O que é muito relevante, mas não é a origem do nosso trabalho de internacionalização. Temos uma relação com seis países da América Central ao nível de projectos de capacitação de formadores e da definição de um conjunto de acções de formação, designadamente para a gestão de micro empresas, que caracterizam muito esses países. O protocolo que assinámos, para além de densificar a relação que já temos, permite-nos alargar o âmbito dessa relação.

P - Nesta altura, decorre o período de candidatura de estudantes internacionais. As escolas do IPVC atraem muitos desses estudantes?
R -Têm espaço para mais. A problemática dos estudantes internacionais é relativamente recente. Nas Artes temos um número interessante de estudantes internacionais, que vêm fazer mestrado, bem como no Turismo. A percentagem de estudantes internacionais não é ainda aquela que gostaríamos de ter. Estamos a trabalhar para isso, com enfoque nos países de língua portuguesa.

P - É uma forma de compensar a perda demográfica em Portugal?
R - Tem essa utilidade, mas tem outras dimensões. Costumo dizer que uma instituição de ensino superior quanto mais internacional for, mais cosmopolita se torna. Temos de dar oportunidade aos nossos alunos de lidar com formas de observar e de pensar diferentes.

P - O mercado do ensino superior também é concorrencial...
R - Extremamente concorrencial, devo-lhes dizer.

P - Os institutos politécnicos não caíram na tentação de se equiparem às universidades? Como vê a procura de uma identidade própria dos institutos politécnicos?
R - As diferenças entre politécnicos e universidades nunca foram completamente assumidas do ponto de vista político. Também não podemos esquecer que os institutos politécnicos foram constituídos por pessoas que vieram das universidades. Não digo que não tenha havido, aqui e além, algum mimetismo, mas algumas universidades também fizeram o caminho de aproximação ao elemento diferenciador do ensino superior politécnico, mais focado na profissão e nas empresas. A diferença que era verbalizada, e do meu ponto de vista bem, é que o ensino politécnico deve estar mais perto das empresas e das actividades profissionais. Muito caminho foi feito nesse sentido.

IPVC tem mais de cem investigadores dispersos por instituições do país

P - O ensino politécnico continua a reivindicar alguma equiparação às universidades, nomeadamente na atribuição de doutoramentos?
R - O que ainda não se conseguiu fazer são os doutoramentos profissionais, feitos com as empresas e nas empresas. É necessário que as empresas incorporem profissionais doutorados. Essa formação não cria incompatibilidade entre universidades e politécnicos, desde que haja qualidade dos corpos docentes e que as relações com as empresas estejam firmadas e consolidadas.

P - O IPVC estaria em condições de avançar para doutoramentos?
R - Neste momento é impossível pela estrutura legal. O que está estatuído nos princípios que têm vindo a ser falados é que poderiam ser ministrados doutoramentos nas áreas em que haja centros de investigação classificados com ‘muito bom’ e ‘excelente’. Neste momento, temos duas unidades de investigação classificadas com ‘bom’.

P - Há institutos politécnicos a lutar com muitas dificuldades financeiras. Qual é a situação do IPVC?
R - Não vou dizer que é uma situação fácil, mas é uma situação de equilíbrio. Não temos falhas de suporte na estrutura financeira, há é muitas vezes dificuldades de tesouraria. Somos dos institutos politécnicos onde as receitas próprias têm maior peso.?Essas receitas vêm por projectos.?A circulação do dinheiro nos projectos por vezes é morosa, o que causa dificuldades.

P - Colegas seus de outros politécnicos queixam-se de não ter dinheiro para pagar salários. É uma situação que não acontece no IPVC?
R - Se o dinheiro, se os reembolsos vierem a tempo, não teremos problemas desses. Há bastantes atrasos.

P - Qual é a perspectiva de financiamento do Orçamento de Estado para este ano?
R - Já temos o nosso ‘plafond’ desde Outubro. O que posso dizer é que o Orçamento de Estado paga menos de 80% das despesas de pessoal.

P -?As propinas foram reduzidas...
R -?O Governo diz que, quando há redução de receita por alterações legislativas, ela será compensada pelo Orçamento de Estado.

P -?E já foi compensada?
R - O?que acontece é que as contas nem sempre batem certas. Segundo as contas feitas pelo Governo, cortaram-nos uma percentagem das receitas das propinas e compensaram com o aumento da transferência do Orçamento de Estado.

P - Como correu o último concurso nacional de acesso ao ensino superior para o IPVC?
R - As coisa correram bastante bem. Preenchemos 70 % das vagas, mas temos de dizer que nem todos os nossos alunos provêm do concurso nacional de acesso.

P - O número de alunos do IPVC tem vindo a crescer?
R -?Sim, ligeiramente, nos últimos três, quatro anos. Estamos com 4 500 alunos. O IPVC está dimensionado e tem estrutura para 5 000 alunos.

P - O IPVC tem seis escolas espalhadas por quatro concelhos do Alto Minho. Isso é um obstáculo à captação de alunos?
R - É uma questão que tem sempre duas formas de abordagem. Não vou dizer que a dispersão pelo território não tem alguns custos acrescidos, mas, por outro lado, sendo o IPVC ser uma instituição que deve estar muito ligada ao território e ao seu desenvolvimento, a coesão territorial também se consegue com a dispersão das nossas escolas. Temos caminho para fazer ainda no sentido de cativar um conjunto de alunos que não estudam a estudar no IPVC. Temos ainda de trabalhar os alunos que estão no ensino profissional e que estavam praticamente impedidos de aceder ao ensino superior.

P - A proximidade ao território foi uma ideia forte da sua candidatura à presidência do IPVC. Isso quer dizer que o actual modelo de implantação da instituição no Alto Minho vingou e é o adequado?
R - A relação com o territorial tem de ser umbilical e simbiótica no sentido de interajuda. Uma das missões que temos é contribuir para o desenvolvimento da região e aumentar o bem estar das populações. Trabalhamos para o mundo, mas uma relação de proximidade com quem nos está mais próximo. Aquilo que fazemos ao nível da formação, da investigação e da transferência de conhecimento tem de estar muito focado nas necessidades e interesses da região.

P - O?Alto Minho tem privilegiado muito a relação com a Galiza. O IPVC tem conseguido penetrar nesse mercado?
R - Ao nível de projectos de investigação transfronteiriços, temos uma relação muito forte, desde há muitos anos, com o governo e instituições de ensino superior da Galiza. Na questão dos estudantes internacionais, há muito caminho a percorrer. Temos uma percentagem de estudantes galegos baixa.

P - Concorrem bem com as instituições de ensino superior da Galiza?
R - Com a Escola Superior de Desporto e Lazer, em Melgaço, e a Escola de Ciências Empresariais, em Valença, vai havendo relações, mas há uma história e culturas que não ajudam a que essas mobilidades se vão fazendo. As eurorregiões vão ajudar a criar cumplicidades entre as duas margens do rio Minho.


P - Há uma boa ligação do IPVC ao tecido empresarial do Alto Minho?
R - É um caminho que se está a fazer. Este trabalho está longe de estar esgotado. Temos de fazer com que os empresários também saibam que são responsáveis pela formação dos seus futuros activos.

P -As seis escolas do IPVC foram surgindo em momentos diferentes. Por exemplo, a escola de Melgaço foi uma aposta arriscada?
R - O poder local deu todo o apoio à instação da Escola Superior de Desporto e Lazer, porque havia uma infraestrutura construída. Os cursos desta escola são dos
mais procura têm.

P - E a Escola Superior Agrária, em Ponte de Lima?
R - Tem melhorado. No início do século, todas as formações ligadas à agricultura e às indústrias transformadoras estavam depreciadas em relação às associadas aos serviços. A agronomia, tal como as engenharias, sofreram. Neste momento, os alunos têm voltado a esses cursos, designadamente aos da Escola Superior Agrária.

P -?Já há empresas que recorrem ao IPVC para a formação dos seus activos?
R - Sim. A taxa de empregabilidade dos nossos cursos é muito elevada e muitos alunos ficam no Alto Minho. É isso que pode aferir do ajuste da formação às necessidades. Uma empresa do sector da metalomecânica solicitou-nos determinada formação.

P - Em Viana do Castelo está a ressurgir a chamada economia do mar. O IPVC está bem posicionado para responder a desafios que venham a ser colocados?
R - Em algumas áreas da economia do mar, sim. Temos trabalhado algumas das suas áreas: desportos náuticos, construção naval, biotecnologia... A relação com a West Sea ( n.r. ex.Estaleiros Navais de Viana do Castelo) é recíproca. Temos, há muitos anos, formadores que vêm dos estaleiros e temos trabalhos conjuntos nas áreas do design, dos materiais ou do reaproveitamento de efluentes.

P - A investigação está muito presente no IPVC?
R - A investigação é uma dimensão obrigatória na actividade do IPVC. A formação tem de estar ligada à investigação. Mais de 90% dos nossos docentes a tempo integral são doutorados. Estamos neste momento capazes de passar para fora essa formação. Isso faz-se criando estruturas internas de formação.?Nós candidatámos ao último concurso da Fundação para a Ciência e Tecnologia três unidades e duas foram aprovadas.

P -?Quais foram?
R - Uma é na área da Sustentabilidade, onde temos os materiais, as energias e o desenvolvimento territorial; outra é na área Agro-Alimentar. Outra ainda, que eu espero possa ser aprovada em próximo concurso, é na área das TIC. Nós sabemos que temos mais de cem docentes dispersos por trinta ou mais instituições do país. É preciso agregá-los.?Estamos empenhados em fazê-lo.

P - Agregá-los é trazê-los para o interior do IPVC?
R - É. As palavras que eu vou dizer podem ser fortes, mas eu não sou muito bom a escolher palavras. Esses investigadores estão, sem dúvida, ao serviço do desenvolvimento do país e da investigação, mas não estão necessariamente alinhados com aquilo que são os interesses do IPVC?e da região. Vamos ter de olhar para isso seriamente.

P - É um activo do IPVC que está disperso?
R -?E que pode ser potenciado. Sinto, cada vez mais, que esses nossos colegas interiorizaram essa necessidade.

P - Com a percentagem de docentes doutorados que tem, podemos dizer que o IPVC está no ‘ponto de rebuçado’ para avançar para outro patamar no que diz respeito à investigação?
R - Sim. Neste momento somos das instituições com percentagem mais elevada nesse campo. Temos capacidade para fazer um caminho coerente e de afirmação.

Excelência da formação da enfermagem à educação

P - Que radiografia faz da Escola Superior de Saúde do IPVC?
R -?Esta Escola é conhecida pela excelente formação que faz a nível da Enfermagem. Naquilo que estamos empenhados é em implementar uma verdadeira Escola de Saúde, não apenas de Enfermagem.

P -?Não podendo chegar à Medicina, que outras áreas poderão ser exploradas?
R - Há muitos áreas emergentes que podem ser estudadas e onde podemos trabalhar. É essa reflexão que a escola está a fazer com outras escolas superiores de saúde.

P - E a Escola Superior de Tecnologia e Gestão?
R - É a nossa maior escola.?Tem o Design, o Turismo, a Gestão, as Engenharias e outras formações. Um dos cursos com mais vitalidade é o de Engenharia Informática.

P - Quais são os cursos do IPVC que preenchem as vagas?
R - Ciências Empresariais encheu, Desporto e Lazer encheu, Enfermagem encheu, todos os cursos da Escola de Educação encheram.

P - Essa procura não inibe uma avaliação contínua da oferta.
R - Neste momento, estamos a ultimar o nosso plano estratégico. Vai ser entregue ao Conselho Geral para apreciação. Um dos vectores que temos presente é a avaliação da oferta educativa e as competências inerentes a essa oferta.

P - Falou de uma forte procura dos cursos da Escola de Educação...
R - Na Escola de Educação temos as Artes, a Gerontologia e a Educação Básica.

P -?Este curso tem forte procura?
R - O curso de Educação Básica teve alguma dificuldade, porque foram alteradas as condições de ingresso. Foi uma situação circunstancial. Estamos preparados para formar um número significativo de professores do ensino básico.

P - Esta é outra área onde o IPVC granjeou algum prestígio?
R - É das escolas de Educação mais antigas. Precede o próprio IPVC. Tem feito um excelente trabalho na formação de professores e é reconhecida.

P - Há viabilidade para se lançar o projectado curso de Gastronomia e Artes da Cozinha?
R - A viabilidade existe, mas para abrir um novo curso de 1º ciclo teria de encerrar outro no quadro das instituições de ensino superior. Todos os cursos são acreditados pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), que tem exigências a nível do pessoal docente. É difícil encontrar pessoas que saibam de Gastronomia e Artes de Cozinha que sejam doutorados. Há algum desencontro. A área reclama profissionais.

P - O IPVC vai entregar pelo segundo ano consecutivo os prémios Ativar...
R - Temos quatro prémios de inovação para as empresas: Produto, Processo, Marketing e Organização. As empresas concorrem e há um painel de avaliadores que faz a selecção dos melhores projectos e identifica os vencedores.?Para além do reconhecimento, estes prémios têm como objectivo a criação de cumplicidades com as empresas do Alto Minho.

P -?Em Março, têm a Cimeira do IPCA.
R - Aí damo-nos a conhecer à sociedade e às escolas.?Fazemos uma feira de emprego e trazemos às escolas secundárias à Cimeira.

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