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Investigadora da UMinho é a primeira a dar nome a um vírus
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Investigadora da UMinho é a  primeira a dar nome a um vírus

Ensino

2020-06-20 às 08h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Joana Azeredo deverá ser a primeira investigadora portuguesa com o seu apelido associado a um vírus. A sua investigação centra-se em soluções biotecnológicas para controlar infecções bacterianas.

Joana Azeredo, professora da Escola de Engenharia e investigadora do Centro de Engenharia Biológica (CEB) da Universidade do Minho, deverá ser a primeira investigadora portuguesa com o seu apelido associado a um vírus, anunciou a academia minhota.
Em comunicado, a UMinho explica que Joana Azeredo vai dar nome à “subfamília Azeredovirinae”. Aí se incluem vírus “bons” que, por exemplo, atacam bactérias patogénicas para os humanos.
“É apenas a quarta vez que esta homenagem mundial é feita a uma mulher e, curiosamente, não é no final da sua carreira ou a título póstumo, como usualmente acontece”, refere a UMinho, explicando assim a importância do feito conseguido pela investigadora.
A nomeação de Joana Azeredo foi anunciada pelo presidente do Subcomité de Vírus de Bactérias e Arqueas do Comité Internacional de Taxonomia de Vírus, Andrew Kropinski. A aprovação, habitualmente consensual, deve ocorrer na próxima assembleia do organismo, em 2021.
“Este é o reconhecimento do trabalho da nossa equipa de investigação e da própria UMinho no âmbito da descoberta e caracterização de vírus que infectam bactérias. Ainda me sinto um pouco sob o efeito da surpresa e da satisfação por obter esta nomeação e, de agora em diante, eu e a minha equipa sentimo-nos ainda mais motivados para a investigação, que é um desafio diário que aceitamos com gosto e entusiasmo”, diz Joana Azeredo, citada no comunicado.
A investigadora admite que ter a nomeação por causa de um vírus “é irónico” nesta altura. “No entanto, apraz-me que o meu nome de família seja atribuído a uma subfamília de um vírus ‘bom’ numa ocasião em que a humanidade se debate com uma pandemia causada por um vírus ‘mau’, o SARS-CoV-2”, refere.
Actualmente há 43 subfamílias de vírus bacterianos (também chamados bacteriófagos ou fagos) e só 14 delas foram nomeadas em tributo a cientistas.
O critério de demarcação é diferir pelo menos 5% do ADN das outras espécies da família.
No caso da ‘Azeredovirinae’, inclui vírus que infectam e matam bactérias do género ‘Estafilococos’, causadores de doenças nos humanos.
Estes vírus têm um grande interesse terapêutico e podem ser usados no controlo de doenças infecciosas através da chamada terapia fágica, explica a universidade. A Uminho realça que a equipa de Joana Azeredo destacou-se recentemente ao criar um “banco de vírus” para tratar doenças provocadas por bactérias resistentes a antibióticos, um dos maiores problemas de saúde mundial, quer para doenças crónicas, infecções hospitalares ou infecções respiratórias, da pele e dos sistemas nervoso, digestivo e urinário.
“A fórmula inicial até é simples – vírus mata bactéria e evita a doença –, mas chegar aí exige muitos anos para isolar os vírus, modificar-lhes o genoma, caraterizá-los e depois provar que são seguros e eficazes”, explica.
Os cientistas da UMinho estão a construir os primeiros fagos sintéticos e a avançar para testes laboratoriais em animais.
A terapia fágica já é usada em pacientes de vários países da Europa e vista como alternativa de tratamento, sobretudo em casos muito graves, incuráveis ou com risco de vida.

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