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IPCA com ocupação de quase 100% em toda oferta educativa
Fundação Gil Eannes recebe prémio Identitas Mare 2020

IPCA com ocupação de quase 100% em toda oferta educativa

Fundação Gil Eannes premiada

IPCA com ocupação de quase 100% em toda oferta educativa

Entrevistas

2020-09-07 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Presidente do Instituto Politécnico do Cávado e Ave confia que as contingências da pandemia não vão afectar fase de crescimento da instituição. Maria José Fernandes mantém estratégia e missão.

P - Pode o contexto de pandemia afectar ou dificultar a implementação da estratégia e dos objectivos do IPCA no futuro?
R - Temos a nossa missão e estratégia bem definidas para os próximos anos que pressupõe, por um lado, união, cooperação e solidariedade ao nível interno, e por outro lado, capacidade de continuar a estabelecer pontes com todos os ‘stakeholders’, nomeadamente, instituições congéneres, empresas, associações e centros de decisão. Apesar de vivermos uma crise económica e social sem precedentes, entendo que, para já, continuamos a prosseguir a nossa missão implementado as estratégias definidas.

P- O último ano lectivo, atípico por força da pandemia, aconteceu num momento de crescimento do IPCA. De que forma estes últimos meses de contingência afectaram a afirmação da instituição?
R - Este foi um período difícil para todos, não só na área do ensino como nas várias áreas de actuação e de missão do IPCA. O mundo parou! Nós, com as limitações impostas por força da pandemia, tentamos remar sempre e levar o barco a bom porto. A 10 de Março, o IPCA suspendeu as actividades lectivas presenciais e, no dia imediatamente a seguir, iniciámos as aulas e-learning. A 16 de Março, tínhamos todos os nossos colaboradores em teletrabalho. Ou seja, continuámos sempre a trabalhar em prol da nossa missão. Durante estes seis meses mantivemos assim a nossa actividade e conseguimos terminar o ano lectivo em plenas condições, o mesmo acontecendo com a investigação. Não me parece que tenha sido afectada a afirmação da instituição, pois foram implementadas medidas que deram uma imagem de modernidade e de adaptação a novos desafios, e que permitem a continuação do crescimento.

P- As actividades extracurriculares continuaram neste período?
R - Procuramos sempre manter essas actividades online. Diria até que, em certa medida, conseguimos desenvolver actividades novas proporcionadas pelo contexto da pandemia. Realizámos webinars que permitiram a partilha de conhecimento e de experiências com pessoas de todo o mundo, algo que em termos presenciais seria mais limitado. Todas as escolas e uni- dades organizaram webinars, videoconferências, seminários e workshops à distância num compromisso de envolvimento da comunidade académica com o tecido empresarial e as redes com quem trabalhamos. Os nossos estudantes tiveram papel activo no projecto da FCT ‘Somos Todos Digitais’, no âmbito do InCode 2030, projecto de inclusão digital e social importante nos tempos que vivemos e que teve impacto em todo o território nacional. Tivemos todos os dias estudantes que ajudaram a operacionalizar esta acção no suporte aos participantes. Destaque ainda para o desenvolvimento da aplicação ‘Farmaemcasa’, que evita que as pessoas saiam de casa para comprar medicamentos. O Centro de Investigação Applied Artificial Intelligence e entidades locais distribuíram 10 mil viseiras a associações e IPSS da região.

P - Que cenários estão previstos para o funcionamento do novo ano lectivo, atendendo às incertezas quanto à evolução da covid 19?
R -2020/2021 continuará a ser um ano atípico marcado pelo combate e mitigação da evolução da covid-19. O IPCA segue as regras e medidas de segurança da Direcção Geral de Saúde e delegações de saúde locais, bem como as recomendações do Ministério para a Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. No próximo ano lectivo, o IPCA vai privilegiar a prática do ensino presencial como elemento essencial na relação ensino/aprendizagem com abordagens pedagógicas inovadoras que  estimulem o trabalho autónomo dos estudantes, a aprendizagem baseada em projecto e o trabalho em equipa, com um misto de actividades presenciais e soluções síncronas à distância.
Destacam-se algumas medidas de segurança como o prolongamento dos horários das aulas, incluindo o sábado de manhã; desfasamento de horários de entrada e saída de forma a garantir distanciamento físico; definição, por regra, do uso da mesma sala por cada turma; apetrechamento das salas de aula e laboratórios com sistema de som, câmara e quadros interactivos que permitirão criar um ambiente mais natural para os estudantes que participam nas aulas à distância; nas turmas de maior dimensão será aplicado o modelo misto com presença de estudantes em sala até se atingir a ocupação nos termos definidos nas regras de segurança, e a restante turma à distância, havendo uma rotação semanal dos estudantes.

P - Este ano registou-se um aumento de candidaturas ao ensino superior público. O IPCA espera aproveitar dessa dinâmica?
R - Este aumento de candidaturas tem-se verificado em termos gerais, não apenas no âmbito do concurso nacional de acesso, mas também no âmbito dos concursos locais que o IPCA promove para o acesso aos cursos de mestrado, o acesso aos cursos de licenciatura através dos concursos especiais (incluindo os estudantes internacionais) e o acesso aos cursos técnicos superiores profissionais. O IPCA prevê atingir taxas de ocupação perto de 100% em toda a sua oferta educativa o que significa que a sociedade tem feito uma leitura correcta do contexto económico e social difícil em que vivemos. De realçar o facto do acesso aos cursos técnicos superiores profissionais ter tido excelentes resultados, sendo que recebemos mais de mil candidaturas. Este ano conseguimos um recorde: mais de 900 vagas nos CTESP e mais de 500 estudantes em regime laboral e pós-laboral no Polo de Famalicão.

Alargamento do ‘campus’ é prioridade no futuro próximo

P - A oferta do IPCA mantém- -se ou cresceu em número de vagas e cursos superiores?
R -Aumentou em número de vagas e de cursos de mestrado oferecidos, registando-se, este ano, a abertura dos mestrados em Gestão e Marketing. Estes cursos tiveram todas as vagas preenchidas após a 1.ª fase do concurso. Destaque também para o aumento de cursos e vagas no âmbito dos CTESP com a abertura dos cursos de Metrologia, Instrumentação e Qualidade Industrial; Gestão de Seguros e Mobilidade Híbrida. Registamos este ano também o aumento da oferta em regime pós-laboral dando assim resposta às solicitações do tecido empresarial para a necessidade de qualificar activos nas áreas das tecnologias, gestão e design. Ao nível das licenciaturas, o IPCA manteve as vagas do ano anterior por determinação do MCTES, estando agora, por solicitação do Governo, a propor mais vagas para o concurso nacional. Referir a oferta da nova pós-graduação em FinTech.

P - De que forma a pandemia está a afectar as perspetivas de internacionalização do IPCA?
R - Independentemente da pandemia, a internacionalização continua a ser prioridade para o IPCA . A situação sem precedentes que ainda estamos a viver obriga-nos a abrandar o desenvolvimento e implementação de alguns projectos, mas, por outro lado, cria ‘momentum’ para a dinamização e reforço de outras vertentes e actividades, nomeadamente ao nível da mobilidade virtual e da internacionalização e inovação dos ‘curricula’. Decidimos avançar com a organização da mobilidade internacional dos nossos estudantes. Neste momento, todos os estudantes seleccionados foram aceites pelas instituições parceiras. Já temos estudantes do IPCA na Letónia desde 16 de Agosto. Estamos a gerir este processo com muita cautela, intensa monitorização e comunicação estreita com os estudantes, familiares, organismos oficiais e entidades parceiras. Acreditamos que as parcerias têm saído fortalecidas, na tentativa de unirmos esforços para encontrar soluções conjuntas e mais flexíveis para essa nova normalidade. Importa fazer uma referência especial à Aliança RUN-EU (Regional University Network), da qual o IPCA faz parte e que acabou de ser seleccionada como Universidade Europeia, no âmbito do Programa Erasmus+.

 R - Como vai o IPCA responder aos desafios e dificuldades acrescidos no que ao alojamento estudantil diz respeito?
R - O IPCA, não dispondo de uma residência estudantil, privilegia alojamentos privados para os estudantes deslocados. O IPCA faz um trabalho de pesquisa de alojamentos privados disponíveis nas imediações das instalações onde se realiza a actividade pedagógica e disponibiliza essa informação através de uma aplicação informática (IPCA HOME). Considerando a situação de pandemia e a necessidade de maximizar o distanciamento dos estudantes, este ano estão a ser feitos esforços para obter o maior número de ofertas possíveis de alojamentos privados e estão a ser estabelecidos contactos com entidades das localidades onde o IPCA tem instalações.

R - Que projectos se destacam para os próximos dois anos?
R - Num futuro mais próximo, os focos principais do IPCA são o largamento do ‘campus’ em Barcelos, de forma a aumentar a capacitação para as actividades de investigação, desenvolvimento e inovação em parceria com o ecossistema de I&D, através da aquisição dos terrenos e habitação da Quinta do Patarro. Encontramo-nos em negociações com o Município de Barcelos. Outra prioridade é a Escola-Hotel em Guimarães, empreitada a cargo da Câmara Municipal que está para ser lançada em breve, Vai nascer na Quinta do Costeado um projecto inovador. Inspiramo-nos nas melhoras escolas de hotelaria do mundo para desenhar este projecto pedagógico diferenciador que vai incluir laboratórios de investigação e inovação alimentar. Também a passagem da Escola Superior de Design para a antiga Escola Primária Gonçalo Pereira, no centro da cidade de Barcelos. Será uma realidade muito em breve. A execução das obras está a cargo da Câmara de Barcelos, sendo expectável que se iniciem ainda em 2020. Estamos neste momento com uma empreitada de requalificação do edifício da ETESP, em Braga, um investimento superior a 1,3 milhões de euros. Esta obra vai permitir o aumento e diversificação da oferta formativa na cidade de Braga, nomeadamente cursos de pós-graduação e cursos breves, com o aumento do número de salas e de espaços laboratoriais. Temos ainda a consolidação da estratégia do alargamento do IPCA ao Quadrilátero Urbano, nomeadamente através do aumento da oferta educativa em regime pós-laboral em Vila Nova de Famalicão este ano lectivo, indo ao encontro do forte investimento realizado pela Câmara Municipal local, ao adquirir um imóvel para que o IPCA se instalasse no concelho. Ainda a construção pela Câmara Municipal de Esposende de um edifício para a Escola de Verão e para a oferta de cursos técnicos superiores profissionais.

Internacionalização é um dos grandes desafios do IPCA

P - O ano passado o IPCA celebrou os seus 25 anos. Como vai ser a instituição daqui a 25 anos?
R - Nestes 25 anos, o IPCA conseguiu coisas notáveis. O ano de 2019 ficou marcado pelos resultados obtidos no campo da investigação. Conseguimos três centros de investigação em áreas fortes: Inteligência Artificial, Design e Contabilidade e Fiscalidade. Foram avaliados com ‘muito bom’ pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), o que representa um selo de qualidade que nos projecta internacionalmente. Tenho que pensar o IPCA para aquilo que ele tem que ser daqui a 10 ou 15 anos. A internacionalização é, para mim, um dos grandes desafios. Se visse daqui a dez anos, o IPCA via-o inserido numa rede regional internacional com uma grande afirmação em algumas das suas áreas. Não nos podemos esquecer da formação contínua dos adultos. Trinta por cento dos nossos alunos são do ensino nocturno, o que permite às pessoas voltar aos bancos da escola e obter mais qualificação ou requalificação. Para estes alunos, a questão da internacionalização é mais difícil, porque são estudantes-trabalhadores mas querem progredir nas suas carreiras. A grande bandeira do IPCA durante muitos anos foi o ensino nocturno, devido à qualidade do ensino e da sua aproximação à prática profissional. Mas queremos continuar a afirmar a qualidade do ensino e da investigação muito próximos da realidade empresarial, também numa dimensão internacional, que permita aos estudantes, às famílias e às organizações percepcionarem que o IPCA é uma instituição de referência e um motor do desenvolvimento da região e do país.

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