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João Porfírio Oliveira: “Este hospital nunca fechou um dia as portas da Urgência”
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João Porfírio Oliveira: “Este hospital nunca fechou  um dia as portas da Urgência”

Entrevistas

2021-03-21 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

João Porfírio Oliveira, administrador do Hospital de Braga, lembra os “períodos críticos” da pandemia de Covid-19 e enaltece “esforço” dos profissionais para dar resposta a todos os doentes.

Há pouco mais de um ano dava entrada no Hospital de Braga o primeiro caso de Covid-19. Três vagas epidémicas se seguiram, a última das quais e mais gravosa no início deste ano de 2021, com o número de doentes internados com a infecção pelo SARS-CoV-2 a chegar aos 160.
Apesar de um Plano de Contingência hospitalar estabelecido desde a primeira hora, só o recente confinamento geral, mais restritivo, é que possibilitou “o alívio” dos serviços de saúde com a imediata diminuição do número de casos.
João Porfírio Oliveira, presidente do Conselho de Administração do Hospital de Braga, recorda que os primeiros tempos da pandemia foram, a seu ver, “os mais difíceis”.

“O período mais crítico ao longo de todo este tempo foi claramente o início da pandemia, sobretudo, pelo desconhecimento do que iríamos, de facto, enfrentar e do que é que teríamos de ter para garantir que todos os doentes fossem tratados”, confessou, apontando para o “assombramento” que se sentia nos serviços de saúde de todo o país tendo em conta o que tinha acontecido na Itália e na Espanha.
A preparação foi imediata e os Plano de Contingência do Hospital de Braga foram também traçados de forma célere para dar “a melhor resposta possível” a todos os doentes Covid e não Covid.

“O número de casos registado na 1.ª vaga da pandemia não se compara com o que tivemos agora nesta 3.ª vaga e a verdade é que apesar da experiência que já tínhamos acumulada da gestão de um Plano de Contingência no último nível de gravidade, permitiu-nos ter muito respeito por tudo isto, num quadro de grande exigência para todos os profissionais de saúde”, sublinhou João Porfírio Oliveira.
“É muito complicado ver as camas do hospital a ficar completamente ocupadas e sermos obrigados a arranjar forma de transferir doentes para que a porta da Urgência continuasse aberta. Este hospital nunca fechou um dia a porta da Urgência”, disse.

“O confinamento teve resultados imediatos. Chegámos a ter 160 doentes internados, numa altura muito complicada, mas a verdade é que uma semana depois do início do confinamento os números começaram imediatamente a descer e passado 15 dias o número de doentes internados era já muito inferior e com bastante menos doentes também a chegar com dificuldades à Urgência. O confinamento e os cuidados de segurança e protecção resultaram efectivamente na diminuição do número de casos”.

Unidade hospitalar tratou cerca de dois mil doentes Covid

Desde o início da pandemia até agora, o Hospital de Braga tratou de cerca de dois milhares de doentes com Covid-19. “Foi um ano complicado desde o primeiro caso há um ano até agora, mas neste momento, fruto do confinamento geral, o número de casos reduziu drasticamente”, assinala João Porfírio Oliveira, presidente do Conselho de Administração do Hospital de Braga. Depois de ter estado perto de atingir o limite nos últimos meses de Janeiro e Fevereiro e agora já numa fase de “diminuição drástica” do número de casos, o Hospital de Braga aposta agora no Plano de Recuperação para agilizar as cirurgias e consultas que tiveram que ficar à espera de vez. Esse é agora o principal foco da unidade hospitalar.
Refira-se que, neste momento, o Hospital de Braga regista o internamento de 24 doentes com Covid-19: 15 dos quais internados no serviço de enfermaria e nove na Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes; - o que é claramente uma redução enorme relativamente ao período mais crítico de Janeiro e Fevereiro.

Hospital quer realizar 35 mil cirurgias com apoio de parceiros até ao fim do ano

O Hospital de Braga pretende realizar até ao final do ano 35 mil cirurgias até ao final do ano, contando com o apoio das unidades de saúde externas de toda a região que foram contratualizadas para dar vazão à actividade cirúrgica. O objectivo é chegar ao fim de 2021 com uma lista de espera para cirurgia com menos de um ano e para consulta com menos de nove meses.
O Plano de Recuperação do Hospital de Braga já começou a ser implementado desde o início de Março. “Já estamos com uma actividade cirúrgica a funcionar em pleno e retomámos o modelo que tínhamos em vigor no ano passado com o objectivo de reduzir a lista de espera”, frisou João Porfírio Oliveira, presidente do Conselho de Administração do Hospital de Braga.

“Temos que nos preparar desde já, até porque prevemos que à medida que os Cuidados de Saúde Primários vão recuperando a sua actividade normal ao longo dos próximos meses, também o número de referenciações para o hospital vai aumentar drasticamente e, neste momento, é uma luta contra o tempo no sentido de recuperar e reduzir a lista de espera o mais possível”, disse.
Apesar da diminuição da actividade cirúrgica ao longo dos últimos meses devido à pandemia de Covid-19, o Hospital de Braga garante que deu sempre resposta “aos casos urgentes”.

“Apesar de alguma dificuldade no internamento, os doentes urgentes, quer oncológicos, quer não oncológicos, foram sempre atendidos e tratados no Hospital de Braga. Nunca deixámos de o fazer”, asseverou o administrador hospitalar, indicando que agora é também tempo de recuperar as cirurgias dos doentes considerados como ‘menos urgentes’, mas que viram as suas cirurgias atrasar. “São casos que temos que resolver com o Plano de Recuperação que já iniciámos e é também nesse sentido que necessitamos de utilizar os recursos que estão disponíveis e instalados na região e utilizá-los para tratar mais doentes e realizar mais cirurgias”.

João Porfírio Oliveira indicou que neste momento já estão contratualizadas cerca de 11.500 cirurgias para serem realizadas em blocos externos ao hospital através de protocolos com as Santas Casas da Misericórdia de Vila Verde, Riba d’Ave, Felgueiras, Fafe, Fão e Póvoa de Lanhoso e ainda com a Casa de Saúde de S. Lázaro, Trofa Saúde Braga Centro e também o Hospital Lusíadas Braga, cujo procedimento concursal foi recentemente adjudicado.
Apesar da pandemia, o Hospital de Braga apresentou, em 2020, indicadores que superaram a actividade contratualizada com o Estado através do contrato-programa, embora tenha beneficiado também de um número mais baixo de referenciações por parte da Rede de Cuidados Primários. Para João Porfírio Oliveira este é um trabalho a que é necessário dar continuidade para reduzir a lista de espera.
“Chegámos ao final de 2020 com o número de doentes inferior ao do início do ano, mas claro que este ano o nosso objectivo é também recuperar o atraso que já vinha de trás, de 2019 e de anos anteriores”.

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