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Jorge Rito, técnico do ABC: “História obriga a lutar pela vitória”
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Jorge Rito, técnico do ABC: “História obriga a lutar pela vitória”

Entrevistas

2010-08-30 às 06h00

Redacção Redacção

O ABC de Braga encontra-se a preparar o ataque à temporada 2010/2011, onde, mais uma vez, vai tentar ombrear com os “endinheirados” do andebol português e lutar pela conquista de todas as competições em que participa.

Em plena fase de preparação da equipa para o ataque ao Campeonato Nacional de Andebol da I Divisão, na temporada 2010/ 2011, Jorge Rito parou um pouco os treinos para conversar com o ‘Correio do Minho’, sobre a carreira que o ABC de Braga pretende realizar na época que se avizinha.

A conversa foi longa, mas agradável e produtiva. Decorreu no Pavilhão Flávio Sá Leite, casa do ABC, e foi entre vitrines carregadas de troféus que o treinador, que também é professor, começou por apresentar os objectivos para a nova época.

CM - Nova época, novos objectivos. O que quer o ABC fazer na nova temporada?

JR - Os objectivos estão muito interligados com as circunstâncias em que surge este novo ABC. Mais uma vez estamos quase a construir uma equipa de novo, depois de terem saído mais seis jogadores. Apesar de algumas pedras que eu considero que são nucleares na estrutura da equipa ficarem, há muitos jogadores novos que têm que ser integrados.
Isto é um processo que demora o seu tempo e que exige trabalho. Não temos neste momento uma equipa com as ideias consolidadas como tínhamos há uns anos atrás e realmente isso só se consegue com muito trabalho.
Dentro destas circunstâncias, o primeiro objectivo para a equipa é, sem dúvida, nesta primeira fase do campeonato, conseguir um lugar nos seis primeiros para podermos disputar a Supertaça Arena Portimão. Esse será o nosso objectivo, mas é evidente que acho que as equipas que partem como favoritas à conquista do título nacional são as que mais investiram na aquisição de jogadores e na manutenção dos seus planteis que já eram fortíssimos. Refiro-me ao Benfica, Porto e Sporting. O ABC terá que, mesmo assim, andar próximo destes clubes. Não digo que a gente não os possa ultrapassar ou fazer alguma surpresa, mas temos que ser realistas e temos que saber a distância a que estamos, do ponto de vista financeiro e dos recursos humanos, para podermos voltar a vencer o campeonato nacional.
O primeiro objectivo, e é o objectivo intermédio, é sermos apurados para a disputa da Supertaça. Depois entramos noutro objectivo secundário, que tem a ver com a parte final desta primeira fase do campeonato, que é sermos apurados para a fazer final e numa situação, em termos pontuais, que nos permita ainda sonhar com qualquer coisa.
Temos uma série de objectivos que vamos ter que construir durante a época. São objectivos que são propostos aos jogadores com bastante cuidado, pois não queremos ter sonhos impossíveis de concretizar. Acredito que tudo isto é possível fazer com muito trabalho porque, para além do Benfica, Sporting e Porto, há outras equipas que vão, certamente lutar por estes mesmos objectivos, estou-me a referir ao Belenenses, Madeira SAD e até ao Águas Santas, que apostou muito este ano. Há muitas equipas que vão ter os mesmos objectivos que nós.
No entanto, não somos candidatos ao título assumidos, mas somos uma equipa que vai portar-se neste campeonato de forma a que os sócios, adeptos e simpatizantes possam orgulhar-se dela.

CM - E quanto à Taça Challenge?

JR - Na Taça Challenge, temos muito pouco conhecimento do primeiro adversário que vamos defrontar. Sabemos apenas que o Radnicki Kragujevac é uma equipa praticamente sem expressão a nível europeu. É uma equipa sérvia, tem jogadores com boa escola, mas não sei qual o grau de dificuldade que vamos encontrar. Nunca espero jogos fáceis porque nunca sabemos o que vamos encontrar.
No entanto, toda a gente sabe que a Taça Challenge não tem uma exigência competitiva como tem a Taça EHF ou a Liga dos Campeões e portanto, sabemos que está lá o Benfica e o Sporting e que são essas as fortes candidatas a vencer esta competição. Claro que aqui também incluo o ABC. Já chegamos uma vez à final, o Sporting venceu no ano passado, o Horta também já lá esteve e portanto sabemos que as equipas portuguesas costumam chegar bastante longe.

CM - Os objectivos são claros, mas o ABC já ganhou tudo a nível nacional. O que falta agora? Um troféu internacional?

JR - Sim, sem dúvida que a única coisa que falta ao ABC é um troféu internacional. Em Portugal já vencemos tudo, desde campeonatos de iniciados a todas as competições de seniores. Só não vencemos nada em veteranos porque não temos equipa (risos). Mas fora de brincadeira, claro que falta um título internacional. Já estivemos em finais, tivemos oportunidade, mas não chegamos lá. Agora, o que acontece é que considero que, com a conjuntura que vivemos, cada vez me parece mais difícil vencer uma prova internacional. A Liga dos Campeões é disputada por equipas que têm orçamentos milionários e portanto sonhar com uma final é muito complicado. Nestas condições o título internacional é cada vez mais uma miragem.

CM - Este ano, um plantel apenas com jogadores formados no ABC...

JR - Esta situação deve-se, em primeiro lugar, ao bom trabalho que o ABC tem na formação. Não é por acaso que somos considerados uma das melhores, se não a melhor, escola de formação de andebol do país e não se diz isto só por dizer, mas sim pelos resultados dos últimos anos, não só a nível de troféus, mas principalmente pela saída de atletas do ABC para representar outros clubes.


“ABC precisa da cidade”

A falta de apoio ao clube é notória, ao longo da temporada, nos jogos que se disputam no Pavilhão Flávio Sá Leite. Habitualmente não são mais de 200 ou 300 pessoas as que assistem às partidas do ABC nos jogos normais, mas se a equipa chega a uma fase final, o pavilhão enche pelas costuras. Jorge Rito pede mais apoio e que os bracarenses se lembrem do clube não só nas finais, mas ao longo de todo o ano.

Jorge Rito está inserido na estrutura do ABC de Braga faz agora 23 anos e, por isso, pode como ninguém fazer uma avaliação da evolução do clube nestas duas últimas décadas.
Sem entrar em grandes pormenores quanto à administração de um clube com a grandeza do ABC, o treinador admite que admira as pessoas que têm consigo conduzir o clube ao longa da sua história, sem sobressaltos e problemas de maior, apesar, na maior parte das vezes, imensas dificuldades.

CM - Está no ABC de Braga faz agora 23 anos. Como tem visto a evolução do clube ao longo deste período de tempo?

JR - Acho que a administração do ABC tem feito milagres ao longo dos últimos anos. Um clube de uma modalidade como o andebol, que tem a expressão que sabemos a nível nacional, disputa os títulos nacionais, participa em competições internacionais e está no topo do andebol nacional, pelo que tem mesmo que realizar grandes esforços e sacrifícios. O desespero de quem lidera este clube para encontrar patrocínios e ver as portas fecharem-se é visível e é um esforço enormíssimo que é preciso louvar e que só é compensado por aquilo que os jogadores fazem em campo. Penso que apenas isso anima esta gente para continuar a trabalhar e a garantir que o ABC se continua a manter ao lado dos clubes grandes. Acho que isto devia ser um orgulho para a cidade. O ABC, com os orçamentos que tem tido nos últimos anos - dos mais baixos das provas que disputa - é das equipas que melhores resultados tem conseguido ao longo dos anos.
Penso na pessoa do nosso presidente, Luís Teles, um homem que vive o ABC praticamente desde que nasceu, tendo mesmo sido atleta do clube e considero que se ele não tivesse esta ligação que tem com o ABC, certamente já teria desistido. Por-que é muito complicado trabalhar nas condições que ele o faz e conseguir fazer o que tem conseguido fazer.
Sem dúvida que o presidente, por tudo aquilo que tem feito e demonstrado ao longo destes anos, tem que ser considerado um dos melhores, se não o melhor, dirigente desportivo a trabalhar em Portugal. Tenho mui-tas dúvidas que algum outro, seja em que modalidade for, se lhe compare nesse aspecto.

CM - Tempo de crise que a todos afecta. O ABC precisa, cada vez mais de apoio, mas parece que isso não acontece, pelo menos a nível de público presente nos jogos do clube no Pavilhão Flávio Sá Leite. A cidade está esquecida do ABC?

JR - Costuma-se dizer isso, mas eu tenho uma opinião um pouco diferente. Acho que a cidade de Braga apenas desperta para o andebol e para o ABC quando o clube consegue chegar à final de uma qualquer competição. Esta situação é um pouco estranha para nós porque passamos uma época a lutar com grande sacrifício. Temos jogos atrás de jogos em que temos 200 ou 300 pessoas no pavilhão e depois, acumulando vitórias e chegando a uma final, temos o Flávio Sá Leite esgotado. Onde é que andam essas pessoas durante o ano? Não peço que se encha o pavilhão sempre que o ABC joga, isso era um sonho e é praticamente impossível de acontecer. Tem que haver aqui, por parte da massa associativa, por parte dos andebolistas de Braga, dos simpatizantes do andebol e do ABC a ideia de que em todos os momentos é necessário o seu apoio, não é só nas finais. Precisamos sempre do apoio de toda a gente que gosta do ABC. E mesmo os que não têm por hábito ver andebol ou ver o ABC, devem pensar que este é um clube da cidade, que tem levado o nome de Braga a todo o mundo e que, por isso mesmo, merece todo o apoio possível. E toda a gente sabe a importância que tem um Pavilhão Flávio Sá Leite cheio a ajudar a equipa em todos os jogos. Os jogadores jogam de maneira completamente diferente quando o pavilhão está cheio. Há uma maior galvanização, vontade e querer para conquistar a vitória.


Novas regras do andebol podem complicar vida às equipas

Um dos assuntos em voga no andebol a nível internacional, actualmente, é a mudança que se vai realizar em algumas das regras da modalidade, nomeadamente a nível da arbitragem
Para Jorge Rito esta é uma situação delicada que precisa ainda de ser estudado, observada e discutida para que não venha “estragar” o jogo.

CM - Novas regras do andebol. Que comentários merecem estas mudanças?

JR - Tudo está ainda muito verde, no que diz respeito às alterações que a modalidade vai sofrer. Vamos ter uma acção de formação técnica onde vão ser comunicadas aos treinadores essas novas orientações técnicas, nomeadamente sobre a arbitragem, que são emanadas da federação internacional. De qualquer forma, nestes jogos-treino da pré-temporada, já começa-mos a pedir às equipas de arbitragem que aplicassem algumas dessas alterações às regras e aquela que eu penso que vai dar mais problemas é a questão do contacto físico. O andebol é e sempre foi um desporto de contacto e, com estas novas regras, qualquer contacto mais duro acaba por resultar em exclusão. Se as regras se confirmarem vamos acabar por assistir a jogos de andebol em que as equipas vão estar constantemente em desvantagem numérica. Mas tudo tem que passar por uma adaptação dos jogadores.

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