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Jornalistas assumem que orientaram comportamento dos cidadãos
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Jornalistas assumem que orientaram comportamento dos cidadãos

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Jornalistas assumem que orientaram comportamento dos cidadãos

Braga

2020-06-29 às 12h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

É a primeira vez em democracia que os jornalistas assumem que orientaram comportamentos dos cidadãos. Aconteceu no contexto da pandemia e terá sido fundamental para o rápido confinamento.

O primeiro inquérito sobre o impacto da Covid-19 no jornalismo em Portugal revela que 92% dos jornalistas tentaram orientar os cidadãos para comportamentos durante o Estado de Emergência, numa lógica de serviço público que pode ter contribuído para o controlo da pandemia.
Esta é uma das conclusões, ainda preliminares, de um inquérito a 200 jornalistas (entre jornalistas de saúde, editores, coordenadores e directores de órgãos de comunicação social nacionais) realizado pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho e o CINTESIS - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde.
Felisbela Lopes, investigadora do CECS e coordenadora deste estudo, que juntou ainda Rita Araújo, Olga Magalhães e Alberto Sá, refere que os jornalistas, no regime democrático, “sempre se preocuparam em criar uma distância relativamente aos factos enunciados”, pelo que esta é a primeira vez que o jornalismo toma uma parte, o que acontece por “razões de saúde pública” e não para mudar ideologias.
A investigadora realça que este tomar de posição é assumido no jornalismo de saúde, aquele que, pela sua temática, tem mais impacto junto das pessoas.
“O papel assumido pelos jornalistas pode ter sido crucial para promover tão rapidamente o confinamento”, defende Felisbela Lopes.
Na cobertura noticiosa da pandemia notou-se também o aumento do recurso a fontes especializadas.
“Nas fontes, deixou de ter importância a notoriedade pública e passou a ser valorizada a sua especialização”, refere. A par disso, quer as televisões, quer os jornais, “tiveram a preocupação de intensificar a literacia e explicar às pessoas o que se ia passando em termos sanitários, mas também noutras temáticas que surgiram neste contexto”, como por exemplo as medidas de apoio anunciadas para a economia e que foi necessário explicar à população.
De acordo com as respostas dos jornalistas, o esforço para orientar os comportamentos dos cidadãos foi realizado através dos textos noticiosos (36% das respostas), mas também de infografias (29%) e caixas explicativas (29%), que tornaram a informação mais simples e com- preensível por parte de franjas mais largas da população.
A par das preocupações com o impacto que o seu trabalho teria no comportamento dos cidadãos, os jornalistas reportaram ter vivido “várias dificuldades”. 87% dos jornalistas, editores/ /coordenadores e directores testemunharam um crescendo de informação falsa durante pandemia, que tornou o processo de selecção das notícias mais complexo e moroso. Aliás, os problemas na triagem de informação credível sobre Covid-19 foram apontados por mais de metade dos jornalistas auscultados como a dificuldade mais importante que enfrentaram durante o Estado de Emergência, a clara distância da dificuldade seguinte – a falta de colaboração das fontes de informação.
Para combater a informação falsa, os jornalistas usaram essencialmente duas estratégias: o cruzamento da informação com fontes documentais e o pedi- do de explicações a uma fonte oficial ou especializada, sendo que cada uma delas somou quase metade das respostas dos inquiridos, como primeira esco-lha.
Essa necessidade de explicações adicionais pode justificar o elevado número de especialistas e académicos que surgiram no espaço público.

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