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Literatura: José Marques Vidal prepara terceiro romance que terá como cenário as guerras liberais
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Literatura: José Marques Vidal prepara terceiro romance que terá como cenário as guerras liberais

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Nacional

2011-06-24 às 11h00

Lusa Lusa

O próximo romance de José Marques Vidal será sobre as guerras liberais (1828-1834), revelou à Lusa o autor que lançou recentemente “A Paixão de Araci”, cujo cenário é a Terceira Invasão Francesa (1810).

No novo romance que “sairá no próximo ano” dar-se-á a morte de Joaquim do Préstimo, personagem cujo nome real é João Ferreira de Vasconcelos, e que o autor encontrou nas suas investigações históricas e que o apaixonou.

Joaquim do Préstimo, da guerrilha do Vouga contra os soldados de Napoleão Bonaparte, foi a personagem que escolheu para a sua estreia literária em 'O Amor em Armas' e que regressa em 'A Paixão de Araci'.

“Joaquim do Préstimo viveu 111 anos. Aos 16 [anos] temos notícia dele já nas lides militares e terminou carreira como capitão das milícias miguelistas [partidários de D. Miguel I]”, disse o juiz conselheiro aposentado e ex-diretor da Polícia Judiciária.

“Há poucas referências sobre ele, umas em Ramos Padeiro, historiador de Águeda e também no poeta e historiador Adolfo Portela. Interessou-me e fiz dele a minha personagem. Viveu de 1777 a 1888”, contou Marques Vidal.

Referindo-se ao romance “A Paixão de Araci”, editado pela Oficina do Livro, o ex-diretor da Polícia Judiciária afirmou que tem como cenário a terceira invasão francesa (1810), sucedendo a “O Amor em Armas”, mas 'pode ser lido completamente independente”.

“É o continuar na medida em que encontramos muitos dos heróis de ‘O Amor em Armas’, nesta Araci, a índia cativa brasileira que se fez senhora e é fruto absoluto da minha imaginação, mas pode ser lido de forma independente”, argumentou.

Apaixonado pela História - “li bastantes ensaios de história, do João Medina por exemplo, e sempre muito atento ao José Hermano Saraiva” -, José Marques Vidal, 80 anos, procurou na sua infância “os termos e a forma de falar” para se aproximar do linguajar do século XIX.

“Recordo muito termos e a maneira das pessoas se expressarem, como ouvi em menino na minha aldeia, Pedaçães, nomeadamente o emprego muito persistente pelo beirão do ’não que’ para dizer que sim”, referiu.

À Lusa recordou, entre risos, um ditado popular sobre a sua aldeia: “Diziam que em Pedaçães matam gatos e esfolam cães”.

Por outro lado, acrescentou, foi um “leitor muito atento de Aquilino [Ribeiro] e Camilo [Castelo Branco]”, que são os seus escritores favoritos.

“A Paixão de Araci” começa quando “os franceses foram-se embora com o rabo entre as pernas”, mas a paz ainda não se solidificava num país em que agora mandavam os ingleses e se viria a enfrentar no que foram as chamadas “guerras liberais”, a guerra civil que é o cenário do próximo livro em que José Marques Vidal está já a trabalhar.

“Já comecei, eu escrevo de uma forma meio caótica, pois já fiz a morte do Joaquim do Préstimo, e depois vou fazendo aqui e ali”, disse.

O ex-diretor geral da Justiça é autor de várias obras de carácter jurídico e de livros em que cruza a ficção com a realidade, como “Real República Prá-Kis-Tão - Memórias de Coimbra” ou “Casos de Tribunal”.

Na área meramente ficcional estreou-se com “O Amor em Armas” que, juntamente com “A Paixão de Araci”, integra a coleção “Portugal sem Fim”, da Oficina do Livro.

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