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Lojas do comércio local contam história de 25 anos com muita arte

Braga

2020-11-14 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

‘Arte, Literatura e Comércio Local’ é uma iniciativa do dstgroup e da zet gallery para celebrar as bodas de prata do Grande Prémio de Literatura dst. Roteiro artístico está a ter “tanto sucesso” que foi prolongado até 23 de Novembro.

“A pintura nunca é prosa. É poesia que se escreve com versos de rima plástica.”
Pablo Picasso

Porque “a arte é um dos meios que une os homens”, para celebrar os 25 anos do Grande Prémio da Literatura dst, o dstgroup e a zet gallery convidaram 25 artistas para criarem uma obra de arte inspirada em cada um dos livros e autores vencedores do prémio. A ‘cereja em cima do bolo’ foi promover um circuito com 25 estabelecimentos emblemáticos do comércio local bracarense que acolhessem cada uma das obras de arte. E assim foi. O sucesso e o feedback têm sido tão positivos que o roteiro ‘Arte, Literatura e Comércio Local’ pode ser visitado até dia 23 de Novembro.
“O projecto já nasceu o ano passado e a ideia foi desde logo comemorar os 25 anos ligando as artes plásticas e visuais à literatura. Tivemos a ideia de convidar 25 artistas plásticos para produzir um obra inspirada num dos livros vencedores ao longo destes 25 anos”, confidenciou Helena Mendes Pereira, directora e curadora da zet gallery, lembrando que todos os artistas aceitaram, de imediato, o convite.

Com a pandemia a cerimónia foi-se adiando e repensada. “Deixou de fazer sentido uma exposição, já que os artistas não teriam a visibilidade que queríamos que tivessem e então surgiu a ideia de escolher 25 lojas do comércio tradicional para mostrar os trabalhos feitos”, contou Helena Mendes Pereira, referindo que também os lojistas aceitaram o desafio “automaticamente”.
Com as obras expostas nas 25 lojas desde 22 de Outubro, o sucesso do roteiro fez com que a data de encerramento fosse alargada. Inicialmente o roteiro ‘Arte, Literatura e Comércio Local’ estaria disponível para o público até ao passado dia 9 de Novembro, sendo possível agora apreciar as obras até o próximo dia 23 de Novembro.

“Já temos três obras reservadas e esse também era um dos objectivos para que os artistas tivessem retorno financeiro desta visibilidade que quisemos aqui proporcionar”, aplaudiu a directora e curadora da zet gallery, confirmando o “feedback muito positivo” que os comerciantes têm tido dos clientes.
“Na extensão da cidade e do seu centro histórico, atravessado por algumas lojas com mais de um século de história, gerações de artistas plásticos e visuais e de escritores, são o exemplo de como, em sociedade, juntos somos mais fortes e de como a cultura é um campo complexo mas o único com um potencial de transformação da espuma dos dias em bolas de sabão e paraíso”, defendeu.

A importância do sector cultural e artístico como parte integrante da economia e da sociedade é “uma das bandeiras que tem marcado a práxis do dst group e da zet gallery”.
Para fazer o roteiro ‘Arte, Literatura e Comércio Local’ existe um mapa que pode pedir na zet gallery, no Posto de Turismo ou em qualquer uma das lojas aderentes e de seguida ir à descoberta da cidade através deste roteiro único que une Literatura, Arte e Comércio Local.

E assim se faz chegar a cultura a todos

Tal como diz Goethe “não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte” e o projecto artístico ‘‘Arte, Literatura e Comércio Local’ junta 25 obras literárias, 25 artistas, 25 criações artísticas e 25 lojas, levando assim a cultura em forma de pintura, ilustração e desenho a todo o público.
Raquel Gralheiro inspirou-se na obra ‘O voo da serpente’ com que Vergílio Alberto Vieira venceu o prémio em 2003 e pode ser apreciada no Franco Oculista.

“O convite chegou naquele momento que estávamos a começar a lidar com a pandemia e eu estava, como todos nós, preocupada e assustada e a pensar muito no futuro e esta proposta veio no momento certo”, confidenciou a pintora, residente no Porto. O livro que serviu de inspiração à pintora fala “de viagens, de voos e de mar”, por isso, Raquel Gralheiro decidiu fazer uma colecção de telas, acrílico sobre telas. “Cada tela representa uma ilha no meio do oceano e algumas contam com palavras inspiradoras do livro”, explicou a artista, confidenciando que se trata de um trabalho recheado de imagens e cores. “Fazer magia com as tintas e de repente fica tudo colorido e este foi, por isso, um desafio diferente”, assegurou.
Também Manecas Camelo, que se inspirou na obra ‘O verdadeiro actor’ com que Jacinto Lucas Pires venceu o prémio em 2012, aplaudiu esta iniciativa do dstgroup e zet gallery.

“Esta é uma forma de valorizar o meu trabalho. Braga já tem muitos artistas e ser seleccionado entre 25 artistas já foi muito bom”, assegurou Manecas Camelo, cuja obra pode ser apreciada na Casa das Velas.
O quadro pintado pelo artista bracarense “traduz a obra”, que se desenrola à volta do assassinato de uma mulher, amante do actor principal. “Gostei muito de ler o livro e depois perguntei-me ‘o que posso fazer?’ e então decidi pintar a mulher assassinada tal e qual está descrita na obra e depois inspirei-me em pequenas imagens sombreadas com uma neblina, onde surgem alguns elementos”, contou. Como professor, Manecas Camelo sempre procurou “com a essência de artista levar a arte ao grande público, tornando-a mais acessível a todos” e este projecto faz jus a esse objectivo.

Entre as 25 lojas que acolheram as obras de arte, o Correio do Minho falou com José Rodrigues da Casa das Velas. “Já não é a primeira vez que temos obras de arte na nossa loja e é sempre uma mais-valia”, confirmou o proprietário. Os clientes mostram-se “sempre muito curiosos” com a presença da obra. “Já tivemos pessoas que vieram de propósito ver a obra”, confidenciou. Esta é, ainda nas palavras de José Rodrigues, “uma boa parceria e que vale a pena porque ganham todos”. O certo é que para o proprietário esta “é uma forma de despertar interesse nas pessoas e trazer a cultura às pessoas”.

Também no Retrokitchen, Rui Pereira e Tânia Gomes abraçaram este projecto. “É muito interessante e uma oportunidade de trazer a arte para a rua e das pessoas terem mais fácil acesso”, destacou Rui Pereira, esperando até ao final da exposição que o quadro exposto no restaurante seja vendido.
“Os nossos clientes gostam de nos ver a participar neste tipo de iniciativas e já tivemos pessoas que vieram de propósito ver a obra e acabaram por almoçar no restaurante”, contou o proprietário, agradecendo mais esta iniciativa de apoio ao comércio.

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