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Entrevistas

2024-03-18 às 06h00

Ricardo Anselmo Ricardo Anselmo

Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, foi o convidado do Programa ‘Da Europa parao Minho’, destacando os números impactantes do sector na região e indicadores que apontam a um crescimento contínuo.

Citação

‘O Norte está na moda’. Esta é a principal conclusão que se retira do exponencial crescimento que o sector do turismo tem registado nos últimos tempos na região. É também um dado fundamentado por Luís Pedro Martins, recentemente reconduzido num segundo mandato à frente do ‘Turismo do Porto e Norte de Portugal’, entidade que viu, em 2023, serem estabelecidos recordes absolutos em todos os indicadores.
“As coisas correram bem no primeiro mandato. Tínhamos desafios bastante grandes. Costumo dizer que nos aconteceu de tudo, à excepção de uma invasão alienígena. Tivemos uma pandemia, temos uma guerra na Europa, outra no Médio-Oriente. Entretanto, tivemos também chumbo de orçamentos. Temos agora alguma instabilidade política, mas em boa verdade os números foram sempre melhorando. O que fez com que, de uma vez por todas, os críticos do turismo tivessem percebido que este é um sector bastante resiliente, que recuperou rapidamente”, começou por apontar Luís Pedro Martins, convidado do Programa da Rádio Antena Minho ‘Da Europa para o Minho’, conduzido por Paulo Monteiro e pelo eurodeputado José Manuel Fernandes.

“Já na altura da crise da Lehman Brothers os mais cépticos diziam que o turismo iria precisar de dez anos para recuperar o que tinha perdido. Ele [Turismo], nessa altura, tinha recuperado no espaço de um ano, por isso eu acreditei sempre que, no pós pandemia, a recuperação iria ser mais rápida do que se julgaria. De facto, foi. Pelo que dizem os analistas, nós fomos o motor da economia, um crescimento fantástico. E com uma particularidade: não sei se existem muitos outros sectores com uma capacidade de arrastamento de sectores como é o turismo: quando o turismo está bem, estão bem também uma série de outros sectores. Estão bem os transportes, os têxteis, as loiças, a construção civil, a gastronomia, a restauração, os vinhos”, destacou, acrescentando: “Acho que foi um bocadinho o resultado de todo o trabalho que aconteceu. Nós fizemos muitas acções de promoção externa ao longo destes cinco anos. O facto de também poder presidir à Agência de Produção Externa ajudou a que houvesse algum alinhamento entre a entidade regional que estrutura produtos e depois a própria agência que os promove internacionalmente. Conseguimos definir muitíssimo bem os mercados que mais nos interessavam”, apontou, detalhando os números do PIB em relação ao Turismo.

“Andávamos à volta dos 15 por cento antes da pandemia. Agora terá descido um pouco, mas garantidamente acima dos 10 por cento. Tivemos um crescimento muito grande, de 2022 para 2023.
Agora em 2023 batemos os recordes todos, todos. Mesmo comparando com 2019. Hoje temos mais hóspedes. Nós imaginávamos que um bom trabalho seria chegar aos 6 milhões de hóspedes. Chegamos aos 7 milhões. Um bom trabalho seria chegar aos 12 milhões de dormidas, fechámos ao ano com 13, 3 milhões”, sublinhou, realçando o dado “mais importante de destacar para quem quer investir no turismo” e que tem a ver com o “crescimento dos proveitos da região, que cresceu 48 por cento, mais do dobro da média nacional”. “Estamos a falar de quase mil milhões de euros só em termos de hotelaria. Na restauração também batemos um recorde e ficámos muito perto dos 400 milhões de euros. Há depois um valor que aqui não consigo trazer, que é da animação turística. Portanto, o Norte tem uma fatia muitíssimo interessante dos 21 mil milhões de euros de 2022 e dos 25 mil milhões de euros em 2023 que o turismo conseguiu arrecadar a nível nacional. Há, de resto, espaço para crescer”.

“Felizmente, nós representamos uma região. Quando cheguei a esta função deixei muito claro que a marca é mesmo ‘Porto e Norte’, não apenas Porto. Temos a vantagem de sermos uma região espectacular na oferta a quem nos visita, daí ser muito importante a divisão entre sub-destinos Porto, Minho, Douro e Trás-os-Montes. Este último terá sido o que não cresceu ao mesmo nível dos restantes, muito pela falta de oferta ao nível de alojamento. Julgo quem 2024 vai melhorar, porque há novas infra-estruturas em construção. O Douro e o Minho cresceram imenso. Braga é um bom exemplo disso. Podemos ainda crescer mais. Temos uma vantagem, que são os 21 mil quilómetros quadrados de área. Quando me falam em overtourism [turismo em excesso], isso para mim é tudo falso”, rematou Luís Pedro Martins.

Valorização do território, retenção de talento e o impacto eleitoral

No seguimento das boas perspectivas para 2024, Luís Pedro Martins apontou a conectividade aérea como um dos pontos importante.
“As outras companhias aéreas perceberam que há aqui um território com grande capacidade de atracção e de satisfação dos clientes. Em termos de mercados europeus, temos uma cobertura quase total dos mercados estratégicos. O aeroporto, em 2023, bateu três recordes importantes: recorde de companhias a operar para o Porto (106 rotas, de 30 companhias); 15 milhões de movimentos de passageiros; 100 mil operações de aviões (aterragens/descolagens). Estes números vão continuar a crescer”, projectou, destacando a importância dos “mercados de longa distância”, nomeadamente de destinos como Canadá, Brasil, Estados Unidos ou Ásia.

“Significam maior poder de compra, vêm para mais dias. Diminuem a sazonalidade porque vêm em contraciclo com aquilo que é o nosso verão e tem outra particularidade. Como são mercados associados a grandes cidades, não é a grande cidade que os entusiasma, até porque as nossas grandes cidades não são grandes cidades para eles, que no entanto gostam muito de percorrer coisas que não têm. Nomeadamente a história, o turismo cultural, os vinhos, o turismo religioso. Neste aspecto, de facto, Braga é uma das nossas âncoras. Como o território é pequeno é fácil construirmos programas, até com outras regiões. Falando do turismo religioso em Braga, eu permito sempre que os operadores façam a ligação a Fátima, a Santiago de Compostela. Para nós, tudo o que seja ganhar escala, ajuda. Quando me pedem para definir o Porto e Norte em duas palavras, o que não é fácil, eu digo ‘tempo para a diversidade’. Porquê? Em pouco tempo encontramos vinhos diferentes, paisagens diferentes, gastronomia diferente. Felizmente só há uma coisa em comum, que é a hospitalidade. É um povo espectacular”, destacou Luís Pedro Martins.

Com a hotelaria a evoluir, o responsável pela entidade garantiu que existe capacidade para acolher “todos os turistas e com vários tipos de perfis”, mas deixa um alerta. “Crescemos muito no que era mais difícil, o segmento mais elevado, o chamado turismo de luxo. Temos de crescer ainda mais, mas hoje temos infra-estuturas fantásticas, quer ao nível da hotelaria tradicional, quer ao nível do alojamento rural ou local. Isso também tem atraído turistas que gostam desse tipo de produto. Claro que tem riscos associados, nomeadamente de satisfação, porque aqui a exigência é diferente, tem de ser elevada. É uma pescadinha de rabo na boca. Para termos esses turistas, temos de ter recursos humanos para dar essa satisfação. Esses recursos também custam mais e faltam, primeiro porque os que temos não os pode- mos deixar fugir e é, por isso, muito importante ver essa questão dos salários daqueles que são formados em Portugal e que hoje fogem para qualquer lado de uma forma muito fácil. Ainda há pouco, num dos melhores restaurantes do Dubai, encontrei quatro ou cinco jovens do Norte de Portugal, com 20 e poucos anos de idade. É muito difícil competir contra esses destinos”, reflectiu, abordando ainda a relação com o turismo da Galiza, que considera “excelente”.

“É o nosso mercado emissor. Temos uma relação de muita proximidade e estamos a criar o primeiro cluster de turismo de uma euro região. Esperemos que seja do Porto e Norte-Galiza. O desafio é, entre privados dos dois lados, fazermos esse cluster. Depois, queremos fazer acções de promoção externa para alguns produtos”, descreveu, rematando com uma análise ao impacto que os recentes resultados eleitorais podem ter no sector do turismo.
“Leio com muita preocupação. Os dois partidos, fundadores da democracia, têm um papel importante. Todos nós temos temos responsabilidade em transmitir, sobretudo aos mais novos, aquilo que está em causa. Convém perceber que há muitos milhões de portugueses que nasceram já no pós 25 de Abril, que não têm sequer memória do que é um país fora do regime democrático. O turismo é o sector da paz, onde não há raças nem fronteiras, onde as culturas se dão bem. Ou seja, tudo o que vá contra isto perturba o sector do turismo. Temos um papel muito importante. Passa muito, também, pela falta de informação.”

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