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Manuel Tibo pede às entidades nacionais para “olharem para este território”
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Manuel Tibo pede às entidades nacionais para “olharem para este território”

Cávado

2020-04-08 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Preocupado com a falta de testes para fazer rastreios aos idosos e colaboradores dos lares do concelho, o presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro destacou as várias medidas para apoiar famílias, empresas e comerciantes.

Terras de Bouro é o concelho do distrito de Braga com menos casos positivos de Covid-19. Com apenas dois casos confirmados no concelho, o presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, teme que os números vão aumentar, mostrando-se preocupado com a falta de rastreios e testes feitos aos utentes e funcionários dos lares do concelho. Manuel Tibo deixou o apelo às entidades nacionais competentes: “olhem para este território”.
O concelho de Terras de Bouro conta actualmente com oito centros sociais, centenas de idosos e mais de 100 colaboradores, além disso, ainda existem muitos idosos a serem seguidos em suas casas através do apoio domiciliário, confirmou o autarca, em entrevista à rádio Antena Minho.

Os cinco municípios, que integram o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Cávado II - Gerês Cabreira (Terras de Bouro, Amares, Vila Verde, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho), já fizeram dois pedidos à Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte para a criação de uma unidade fixa ou móvel para a população ter acesso aos testes à Covid-19. “Continuamos com dificuldades e aguardamos resposta da ARS-Norte”, confirmou Manuel Tibo.
Ainda sobre os testes, o presidente adiantou que têm que ser validados e certificados. “Este é um assunto para os entendidos e eu sou um simples presidente de câmara. Não é essa a minha função, a minha função é criar e disponibilizar todos os meios para defender a população”, vincou o presidente, deixando o apelo às entidades para “olharem para este território”.

Terras de Bouro, por ser um concelho mais pequeno, acaba por ter vantagens neste caso. “Como a população está mais dispersa, está s ser benéfico nesta fase de propagação”, observou o responsável.
Com o objectivo de mitigar os efeitos negativos do impacto da Covid-19, o Município de Terras de Bouro implementou medidas que visam atenuar os constrangimentos causados pela pandemia.
“Apresentamos, desde a primeira hora, várias medidas que vamos, entretanto, analisar de forma correcta para não criar falsas expectativas”, referiu o presidente, esperando que as medidas de apoio aos terrabourenses, às empresas e aos comerciantes “ajudem nesta hora difícil para todos”.

A autarquia determinou, entretanto, a isenção do consumo na facturação da água igual ao respectivo consumo médio do ano de 2019, de cada consumidor, extensível ao saneamento e resíduos, de Março a Junho.
Mas o executivo, liderado por Manuel Tibo, não se ficou por aqui. “Também isentamos as rendas da habitação social referentes aos meses de Março a Junho e alargamos o prazo de pagamento de todas as facturas até 30 de Junho”, informou ainda o autarca aos microfones da rádio Antena Minho, destacando também a suspensão de todas as execuções fiscais.
No âmbito dos processos contra-ordenacionais ficam suspensos todos os prazos que estejam a decorrer para defesa e o pagamento de coimas fica suspenso até 30 de Junho.

Nas medidas anunciadas pelo Município de Terras de Bouro, Manuel Tibo referiu ainda a isenção de taxas de ocupação de espaço público e de publicidade de todas as empresas do concelho, mediante envio de requerimento, pelo período de Março a Junho”.
O presidente aproveitou ainda a oportunidade para aplaudir a colaboração de todas as entidades que se têm envolvido no combate e na prevenção à Covid-19. “Tenho de destacar esta união e solidariedade que se vive em todo o país e, em particular, no nosso concelho”, aplaudiu.

“Estamos com o coração nas mãos”

O regresso de muitos emigrantes e a possibilidade de muitos turistas virem passar uns dias ao concelho, nesta época da Páscoa, preocupa o presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro. Manuel Tibo confessou que estão todos “com o coração nas mãos” e deixou o pedido: “agora fiquem em casa, mas num futuro próximo regressem porque o nosso concelho vai precisar de todos vocês”.
Apesar de, neste momento, o concelho de Terras de Bouro ter apenas dois casos confirmados com Covid-19, o presidente da autarquia teme que os números possam aumentar muito mais nos próximos tempos. “Esta época pode levar ao aumento de casos. Primeiro, porque somos um concelho de muitos emigrantes e muitos vão regressar na Páscoa, porque aqui sentem-se mais seguros com os nossos cuidados de saúde. Esta situação preocupa-nos, porque não há forma de fazermos controle”, admitiu o autarca. Mas há mais. “Em segundo lugar, há a preocupação com todos aqueles que possam visitar o nosso concelho, nesta altura, alugando casas de turismo rural, fugindo das cidades para vir para Terras de Bouro usufruir deste ar”, constatou Manuel Tibo, lamentando que dessa foram vão “pôr a vida de outros em risco”.

A GNR e a Protecção Civil têm aqui um “papel fundamental” para travar a vinda de novas pessoas para o concelho. “Quero muito que venham, mas não agora”, apelou o autarca, alertando para o facto do concelho ter muitos idosos e é missão de todos proteger essas pessoas.
“O turismo é a imagem de marca de Terras de Bouro e o que permite o desenvolvimento económico e financeiro do concelho, criando muitos postos de trabalho”, confirmou o presidente, admitindo estar com “o coração nas mãos”, porque o futuro próximo é “uma preocupação tremenda”.
No próximo mês de Maio estava prevista, por exemplo, a abertura das termas do Gerês. “Neste momento, está em risco a dinâmica hoteleira e estão em causa centenas de postos de trabalho sazonal”, avisou. Por isso, o presidente deixou o pedido: “num futuro mais próximo vamos precisar de todos para a economia local ter dinâmica e os terrabourenses possam ter postos de trabalho assegurados”.

Manuel Tibo fez ainda, durante a entrevista à rádio Antena Minho, um último apelo: “gostamos de vos receber, mas não agora. Agora é hora de cada um ficar nas suas terras. As cascatas, o parque natural, a paisagem verde, os trilhos e ar puro vão continuar aqui à vossa espera. Este é o momento de isolamento e de ficar em casa. Fiquem em casa. Terras de Bouro vai continuar de braços abertos para vos receber”.

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