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Braga, quinta-feira

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Mauro Franqueira é o primeiro astronauta análogo bracarense
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Mauro Franqueira é o primeiro astronauta análogo bracarense

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Mauro Franqueira é o primeiro astronauta análogo bracarense

Entrevistas

2022-10-02 às 06h00

Ricardo Anselmo Ricardo Anselmo

Jovem de 24 anos é estudante do mestrado de Engenharia Espacial, em Milão, e está a participar num programa de simulação para uma ida à Lua. “Isto é, para mim, a concretização de um sonho”.

Citação

É um verdadeiro caso de sucesso e também um exemplo a seguir, de perseverança e espírito de sacrifício para que o sonho, desde cedo idealizado, possa ser cumprido.
Mauro Franqueira tem 24 anos, é natural de Braga, mais concretamente da freguesia de S. Victor e, recentemente, tornou-se no primeiro astronauta análogo bracarense, um passo de gigante rumo ao sonho maior, que passa por ser o primeiro astronauta português a ir ao Espaço. O Correio do Minho esteve à conversa com o jovem estudante de Engenharia Espacial e descreve todos os passos dados até aqui.

“Cresci a querer saber um pouco mais sobre o universo, a exploração espacial e como é que as coisas funcionam. No fundo, o que haveria para além da Terra. Desde pequenino que eu, por exemplo, cortava as garrafas de água de plástico para fazer de telescópio. Estava na minha varanda e olhava para o céu a observar o que podia”, começa por recordar Mauro Franqueira, prosseguindo: “Comecei a frequentar a Escola Secundária D. Maria II e aí tive um professor que foi fundamental para que eu me pudesse aprofundar mais nesta área, que foi o Prof. João Paulo Vieira, que neste momento é director do Planetário Casa da Ciência de Braga. No primeiro projecto que fizemos, para o estudo de um tipo exótico de estrela, teríamos de usar um espectroscópio. Essa utilização, normalmente, para astrónomos profissionais, custa entre 5 a 6 mil euros. Então, tivemos a ideia de usar uma rede de difração, que normalmente são usadas nas aulas de física e química, que custa entre 20 a 30 euros. Utilizámos isso no telescópio e começamos a fazer análises dessas estrelas e a comparar os resultados que obtivemos com outros que já existiam através do espectroscópio. Concluímos que a rede de difração, para um astrónomo amador, era excelente por- que os resultados eram muito aproximados”, descreve.

“Com esse projecto, participámos cá nos Jovens Cientistas Investigadores, que é um Nacional de Ciência para Jovens Cientistas. Fomos premiados com a oportunidade de representar Portugal nos Estados Unidos, no Mundial de Ciência de Jovens Cientistas e Investigadores, em Maio de 2016. Aí, conquistámos, pela primeira vez para Portugal, um grand award, que é o prémio mais reconhecido”, destaca, abordando depois o fim da etapa no Secundário e a busca por uma oportunidade numa Universidade em Inglaterra.

“Numa pesquisa feita com o meu avô descobrimos a Information Planet, que é uma espécie de conferência onde nos apresentamos, damos a conhecer o nosso trabalho e depois as universidades contactam-nos se estiverem interessadas em nós. Aconteceu isso mesmo. A Universidade de Coventry demonstrou esse interesse e alguns directores quiseram mesmo voar directamente para Lisboa para me conhecerem pessoalmente. Encontrámo-nos num hotel e consegui uma bolsa completamente paga - são cerca de 10 mil euros anuais”, detalha o jovem, que actualmente estuda em Itália.
“Depois de acabar a licenciatura quis procurar dar o salto para uma universidade ainda melhor e descobri que esta universidade, onde me encontro agora, o Politécnico di Milano, é a segunda melhor da Europa na minha área… Entretanto, no verão, quis testar os meus limites e candidatei-me a um estágio e inscrevi-me num curso da International Space University (ISU), no qual temos aulas dadas por astronautas da NASA e por investigadores de renome, também da Agência Espacial Europeia.

Fruto do seu trabalho, Mauro foi convidado por parte do AATC (Analog Astronaut Training Center), situado em Cracóvia, na Polónia, a representar Braga e Portugal no programa Euro Moon Mars, sendo destacado na missão EMMPOL-12 como engenheiro, participando numa simulação de uma missão à Lua, que já está a decorrer e no qual, durante dez dias, ficará fechado num módulo lunar.
Para fazer parte da equipa, o Mauro terá que passar por diversos testes psicotécnicos e físicos, tais como nadar num lago gelado, entrar numa câmara de crioterapia (com temperaturas a chegar aos 150ºC negativos), correr com uma máscara de hipoxia (com baixos níveis de oxigénio) e orientar-se durante a noite até chegar ao cume da montanha mais alta de Cracóvia.

Por estes dias, em que está confinado, o Mauro tem realizado experiências sobre pesquisa para análise de dados sobre o comportamento dos seres humanos num tipo de ambiente hostil, já que irá sofrer com altos níveis de dióxido de carbono, uma vez que a missão não tem exposição solar, atendendo também à limitação do uso de água, que terá implicações nos ciclos metabólicos circadianos, sistema imunológico, qualidade do sono e desempenho.
Recentemente, o Mauro apresentou também o seu projecto ‘Novas Metodologias para a Procura de Vida em Enceladus’, na IAC Paris 2022, a maior conferência mundial do sector aeroespacial. O jovem foi o responsável e o chefe de equipa na parte de engenharia de todo o desenvolvimento do projecto, desde a escolha dos instrumentos para a cápsula espacial, que se irá dividir num orbiter e num lander, como também nos cálculos de toda a missão, que engloba os seguintes tópicos: Ciência, Engenharia, Humanidades, Economia e Direito.

Os seus professores coordenadores neste projecto foram Dr. Jeffrey Hoffman (Ex-Astronauta da Nasa), Dr. Jacob Cohen (Cientista-chefe do Centro de Pesquisa Ames da NASA) e Dr. Jim Green (ex-cientista chefe da NASA). Isto foi possível porque, no Verão, para além de ter realizado todos os exames para as cadeiras do seu curso, realizou também um estágio na Active Space Technologies e concluiu, na International Space University, o curso ‘Space Studies Program’ onde desenvolveu o projecto com 15 colegas.

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