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Braga, sexta-feira

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Miguel Corais: Parque de Exposições seduz associações empresariais
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Miguel Corais: Parque de Exposições seduz associações empresariais

Entrevistas

2010-06-05 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

O administrador do Parque de Exposições de Braga reconhece que a empresa municipal tem limitações pelo facto de não integrar nenhuma associação empresarial. Em entrevista ao ‘Correio do Minho’ e ‘Rádio Antena Minho’, Miguel Corais recusa o cenário de extinção desta empresa municipal.

P - A missão que lhe foi confiada foi a de ‘liquidar’ o Parque de Exposições de Braga (PEB) ou transformá-lo em algo diferente?

R - A missão que foi confiada foi gerir o PEB. É óbvio que, no quadro de gestão de uma organização, há que olhar para o contexto em que ela está inserida e tirar partido do próprio contexto. Eu não acredito que a minha missão seja de liquidatário do PEB. É verdade que aquilo que sentimos que tem sido bem feito é para manter e que é preciso fazer todas as adaptações de mercado. Entendemos que, no contexto em que estamos, o PEB deve afirmar-se ao nível dos eventos. Temos de procurar outras alternativas às feiras. A leitura que esta administração faz é que, comparativamente com outras organizações, temos algumas limitações. Na verdade, não temos nenhuma associação empresarial associada. Neste contexto de crise, a associação de uma entidade empresarial beneficiaria muito a organização de feiras.

P - A Associação Comercial de Braga mudou-se, no que respeita à organização de eventos económicos, para Vila Verde. A Associação Industrial do Minho faz apenas uma feira em parceria com o PEB: a Expomotor. Há possibilidade de avançar para parcerias mais consistentes?

R - Da nossa parte estamos disponíveis para encontrarmos parcerias mais reforçadas, para promover um conjunto de feiras e eventos que apoiem a nossa economia e o turismo de negócios. As feiras e congressos provocam turismo. Não vemos que a Associação Comercial de Braga não possa organizar eventos no nosso recinto. Não vejo o recinto de Soutelo, Vila Verde, como concorrente do PEB.

P - Por que é que se mantém esta divisão entre o PEB e as associações empresariais?

R - Não sei se existe essa separação. Seria uma vantagem para todos nós olhar para o PEB com essa envolvência com as associações. Se olharmos para os nossos vizinhos espanhóis, o modelo dos recintos ferias é construído de uma forma mais consistente e racional. Qualquer recinto tem a participação do poder político, de uma associação empresarial e das pró-prias autarquias. É um modelo de quem todos beneficiam.

P - Defende uma participação das associações empresariais no capital do PEB?

R - Há uma grande vantagem, numa óptica de gestão, a existência de só um accionista que é a Câmara de Braga. Na perspectiva de criar alguns efeitos si-nergéticos na organização de feiras, é fácil perceber as vantagens em ter uma associação empresarial por trás, pelo potencial de associados para participar nas próprias feiras. Se olharmos para a Feira Internacional de Lisboa ou para a Exponor, que são dimensões diferentes do PEB, vemos que têm associações empresariais.

P - Quem deve dar o primeiro passo?

R - Os passos têm de ser dados por todos.

P - Nestes primeiros meses de mandato tem procurado o diálogo com as associações empresariais?

R - O que eu sinto é que temos óptimas relações com a Associação Comercial de Braga e com a Associação Industrial do Minho. No quadro institucional há boas relações. Já tivemos algumas conversas, mas nada de concreto. Estas coisas vão-se construindo.

P - Ou já deveriam estar construídas?

R - Aquilo que eu posso responder é que todos teríamos a ganhar se já estivessem construídas. Aquilo em que esta administração acredita é que todos ganhamos se conseguirmos construir as parcerias. Não podemos ter aquela visão departamental que ainda existe. O que faz sentido é pensarmos para além das nossas próprias portas. Não podemos pensar só no espaço que gerimos.


P - Quando fez o balanço da última edição da Agro - Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação afirmou: “Salvámos a Agro”. Disse isso com algum alívio?

R - Sim. Eu acho que são poucas as cidades que têm uma estrutura como o PEB. Temos um pavilhão com 6 500 m2, uma área exterior com 42 000 m2 e um auditório de 1 200 lugares. Quem acha que o PEB não tem uma função, não está a olhar para todo o activo que a empresa tem sob a sua gestão.

P - O problema é rentabilizá-lo ao longo do ano...

R - É preciso começar a ter uma visão estratégica. Não é a administração que vai salvar o PEB. É necessário que as várias entidades, que os próprios bracarenses e não só vejam que o PEB tem uma função e que lhe dêem a mão.

P - Essa mensagem é dirigida aos parceiros que não se têm aproximado do PEB?

R - Esta é um a mensagem para toda a gente. Muitos municípios não têm uma estrutura deste género que serve para muita coisa. Eu olho para o espaço do PEB para além das feiras. É lógico que as feiras, e sobretudo a Agro, são a razão de ser do PEB. Olho para a Agro como uma marca de algo que é bem feito em Braga, apesar de Braga não ter um sector agrícola forte. É extremamente importante o protocolo que assinámos com a Exponor, que nos vai permitir organizar uma feira agrícola em Angola.

P - Ainda este ano?

R - Dificilmente será este ano. Estamos a apontar para 2011. Este protocolo demonstrou que nós é que temos as condições para ter uma feira internacional e que possa ser, como foi no passado, a verdadeira feira agrícola nacional.

P - Já disse que quer fazer do PEB, para além de um recinto de exposições, o salão de festas da cidade de Braga. Quer explicar esse conceito?

R - Essa foi uma mensagem para os bracarenses. Muitas vezes achamos que o PEB está fora do centro da cidade, e não está. As pessoas desabituaram-se de ir ao PEB, de ir ao Parque da Ponte. No passado tínhamos o Estádio 1º de Maio como casa do Sporting de Braga...

P - Têm de criar outro tipo de atractividade?

R - Claro. É preciso ter um calendário, ter sempre eventos. A ideia do ‘salão de festas’ surgiu nesta última edição da Agro, com o palco que montámos e com a zona de restauração, o que deu para perceber que muitas festas e outros eventos podem fazer-se no PEB. Nós temos um recinto aberto e integrado na malha urbana que usamos pouco.

P - Já obteve reacções a este repto?

R - Vamos esperar.

P - O PEB pode surgir como uma nova centralidade?

R - Sem querer estar a meter a foice em seara alheia, penso que, estando o PEB integrado num espaço urbano que se quer requalificar, faz todo o sentido que se façam coisas e se dinamize o espaço. Com um PEB que organize eventos fora do seu espaço, a cidade ganha. Olhando para Braga e para a nossa dimensão, desejo para o PEB duas realidades que já existem no Porto: a Exponor e a Porto Lazer. O PEB deve dar esse passo.

P - Tem tentado algumas pontes com a Universidade do Minho. Tem tido resultados?

R - Temos tido alguns resultados. Estamos cá há muito pouco tempo para criar laços mais fortes. Claramente, a Universidade do Minho é um parceiro importantíssimo para o PEB, tal como a Universidade Católica. Tenho feito apelo a vários departamentos universitários para que se organizem congressos no PEB. Neste momento, o PEB é a única instituição da cidade com um auditório de 1 200 lugares.

P - Também já se queixou que o auditório é sobretudo pedido a título gratuito...

R - Tenho muito gosto que isso se possa fazer, mas o PEB é uma empresa, não propriamente um serviço municipalizado. Temos de servir o bem público, mas se nos preocuparmos só com isso, mais tarde ou mais cedo seremos atingidos e acusados de má gestão. Temos de garantir a auto-sustentabilidade da empresa.

P - O que falta para colocar o grande auditório no mapa do turismo de negócios e congressos?

R - Para isso também é importante ter parceiros associados. Braga precisa de um centro de congressos. Se o PEB o pudesse acolher, óptimo. O espaço do PEB facilmente se poderia transformar num centro de congressos de baixo custo.

P - Quando assumiu funções, encontrou o PEB com uma hemorragia grave?

R - Aquilo que encontrei foi aquele clima de que a coisa era para acabar.

P - Sentiu que o PEB já estava praticamente parado?

R - Encontrei um PEB com bastantes actividades. O que eu estou a fazer até agora é aproveitar aquilo que foi feito no passado.

P - Em 2011 pensa deixar um marca diferente?

R - Ainda é muito cedo, mas em 2011, eventualmente, haverá coisas novas. Esta administração não pensa que estava tudo mal até agora. Seria uma arrogânca não olhar para os eventos que se fazem e não ganhar experiência com eles. O importante é pegar na herança do passado, pegar na herança pesada da Agro e da Feira do Livro. É preciso perceber que a Agro tem uma marca enorme que pode gerar receitas para fazer outros eventos.

P - A Agro já foi o ‘abono de família’ de outros certames do PEB:

R - E pode continuar a sê-lo.

P - Qual é a situação do PEB em termos financeiros, tendo em conta que a empresa encerrou 2009 com 2 700 euros de saldo positivo, mas beneficiou de uma transferência da Câmara de 90 mil euros no final do ano?

R - Em 2009, é preciso enquadrar o PEB num ano muito difícil em termos económicos. As empresas cortaram muito os investimentos em promoção. Foi um ano muito difícil para o PEB.

P - Acredita que este ano não vai necessitar de recorrer novamente à Câmara?

R - Tenho a noção de que não é fácil que o resultado seja positivo. Temos a noção de que a estrutura do PEB é pesada. Temos uma componente de custos fixos elevada. Espero chegar ao final do ano com resultados positivos, mas o PEB tem custos fixos pesados. A Câmara de Braga já dá um grande apoio através do contrato-programa e da feira semanal.

P - Tem aumentado as receitas?

R - Não se verifica tanto o aumento de receitas, temos trabalhado muito na componente de custos. O resultado da Agro foi positivo e acima do de 2009 porque cortámos nos custos. Na Feira do Livro também ajustámos o orçamento.

P - Nesta conjuntura económica difícilm, o segmento dos espectáculos poderá representar o equilíbrio para a gestão do PEB? Sente inveja do que se passa em Guimarães com o pavilhão multiusos que dá lucro e tem uma programação regular?

R - Inveja temos de sentir. O multiusos de Guimarães tem uma acústica que no PEB não temos. Por muito que quiséssemos fazer espectáculos na grande nave, seria um erro. Nós temos um auditório de 1 200 lugares que pode ser aproveitado. O que eu tenho sentido é a dificuldade das pessoas aderirem aos espectáculos.

P - A dificuldade então é integrar o grande auditório do PEB no circuito de espectáculos?

R - Braga ganhava muito com isso. Guimarães que é uma cidade mais pequena, beneficia muito em ter o Centro Cultural Vila Flor a funcionar, o pavilhão multiusos a funcionar e o espaço S. Mamede a funcionar.

P - No futuro, o PEB pode vir a ter uma programação cultural?

R - Eu gostaria. Para isso é preciso ter dotação orçamental.

P - Faz sentido uma articulação com a programação do Theatro Circo?

R - Acho que sim. Todos ganharíamos com a articulação de duas estruturas ligadas à Câmara Municipal de Braga. Podemos ter papéis complementares.

P - Pensa fazer algo no PEB para a Capital Europeia da Juventude em 2012?

R - É óbvio que sim. Neste momento não tenho nada para afirmar publicamente, mas é óbvio que 2012 vai ser um momento para Braga e para a região com as capitais europeias da Juventude e da Cultura, em Braga e Guimarães. Claramente, a PEB não pode ficar alheado. O grande auditório tem de estar ao serviço de todo o movimento cultural de Braga. É um desafio que tenho lançado a algumas instituições: no ‘hall’ do grande auditório pode-se criar um espaço cultural.
Neste momento, os espectáculos que faço no auditório não têm um calendário que provoque uma disciplina junto do público. Eu não posso entrar em eventos com hipótese de ter prejuízo.


(entrevista completa na edição de papel do 'Correio do Minho' de 5 de Junho 2010)

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