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Mulheres do Regimento de Cavalaria n.º6 destacam “igualdade de oportunidades”
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Mulheres do Regimento de Cavalaria n.º6 destacam “igualdade de oportunidades”

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Mulheres do Regimento de Cavalaria n.º6 destacam “igualdade de oportunidades”

Entrevistas

2021-03-08 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

Ao todo, as mulheres representam 14 por cento do efectivo do Regimento de Cavalaria n.º 6, a unidade do Exército Português sediada em Braga. Todas elogiam o “espírito de camaradagem” que ali se vive e sublinham a “escola de valores”.

“É no espírito de luta e na força do seu instinto que reside o verdadeiro poder de uma mulher”.

Seja por “desafio”, “superação” ou simplesmente por “aventura”, são muitas as mulheres que optam por seguir uma carreira militar como um objectivo de realização pessoal e/ou profissional. No Regimento de Cavalaria n.º 6 (RC6), as mulheres representam actualmente 14 por cento do efectivo e onde a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres é levada muito a sério.
Joana Delgado tem 28 anos e é segundo-sargento no RC6. Trabalha na Secção de Operações, Informações e Segurança. Natural de Vieira do Minho, licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho e inspirada pela irmã que esteve Exército pelo pai que foi PSP, aos 22 anos, mal acabou os estudos superiores, decidiu candidatar-se a um posto na Força Aérea na área do Marketing e Comunicação.

Não conseguiu mas também não desistiu. Já em 2015, ingressa no Exército Português no curso de formação de sargentos, na Escola de Sargentos do Exército nas Caldas da Rainha e foi colocada no Regimento de Infantaria n.º13, em Vila Real, onde inicialmente ficou alocada à secção de informática, mas logo assumiu funções no terreno, enquanto comandante da equipa de transmissões, sendo instrutora do curso de condutor de viatura ‘Pandur’. Foi precisamente nessas funções que teria um acidente, durante o reconhecimento do percurso, em Janeiro de 2007.
“Estava acompanhada por dois camaradas, que também sofreram fracturas no acidente, mas eu tive uma lesão vertebro-medular, nível 1, que me provocou sequelas ao nível da mobilidade”, contou, recordando que foi um longo processo de recuperação, mas apesar de tudo, Joana só pensava numa coisa: regressar ao Exército. “Os acidentes acontecem todos os dias e temos que encarar a vida com espírito de resiliência. Eu só pensava em regressar ao activo porque a minha ideia nunca foi desistir, isso não”, confessou.

Regressou em 2018 na categoria de sargento auxiliar na secretaria do regimento de Vila Real e nesse mesmo ano seria transferida para o RC6, por ser a sua área de preferência, permitindo-lhe estar mais perto da família também. Diz-se “realizada” no RC6, onde assume funções na Secção de Operações, Informações e Segurança. “Gosto muito de trabalhar nesta área que é responsável pelas comunicações do regimento com entidades externas e pela coordenação do apoio à população civil. No fundo é uma área que vai de encontro também à minha formação académica”.
“Hoje em dia todos são bem-vindos ao Exército, sejam homens ou mulheres. As mulheres não se devem sentir inibidas porque são igualmente capazes. Apesar de existir um grande número de homens cá dentro, este não é um mundo de homens, pois há igualdade de oportunidades para todos. Penso que aqui os jovens em geral, independentemente do sexo, têm a possibilidade de ter um grande crescimento pessoal, sobretudo assente em valores de união, camaradagem e espírito de sacrifício - valores que mais tarde se reflectem nas suas atitudes”.

Feliz e realizada com o trabalho de assistente técnica, onde trata dos vencimentos do pessoal, Sameiro Silva, 58 anos, pertence ao Quadro Permanente Civil do Exército. É filha de guarda, mas foi a procura por uma “vida melhor” que a conduziu até ao RC6, onde está há 22 anos e sente ser também a sua casa.
“Queria independência e comecei a trabalhar aos 17 anos em escritórios na cidade de Braga, dando apoio na área administrativa, mas depois acabei por ingressar num concurso público promovido pela DREN e acabei por ser contratada para auxiliar e trabalhei em escolas, até que vim aqui para o RC6, onde me estabeleci e onde quero permanecer até à reforma, que já não vai ser na idade que esperava, mas estar aqui é, na verdade, um gosto”, confessou.
Apesar de civil em casa de militares, Sameiro Silva diz que aprecia “as regras, a organização e hierarquia” e diz viver uma vida “especial”. “Somos civis cá dentro, mas temos que cumprir todas as regras, até fazer a formatura e se quisermos temos inclusivamente liberdade para fazer prática desportiva cá dentro também, por exemplo. Eu gosto muito de estar cá, é verdadeiramente a minha segunda casa”.

“Tenho muito orgulho em ser uma mulher e militar”

Aos 23 anos, a vimaranense Catarina Silva orgulha-se de ser uma das praças do Regimento de Cavalaria n.º 6 (RC6). Entrou para o Exército aos 17 anos, partilhando o mesmo gosto e aptidão com o irmão, que hoje é sargento no Regimento de Transmissões do Porto. Decidiu abraçar a carreira militar à medida que prosseguia os estudos superiores em Arquitectura, através do Estatuto Trabalhador-Estudante. É uma mulher resoluta e focada em si e no mundo. “Tenho muito orgulho em ser mulher, em ser militar e fazer aquilo que faço”.

Catarina Silva é uma das operacionais que está no terreno. Depois da recruta foi colocada no RC6, mas confessa que não se trata apenas de sorte porque a nota final é que conta.
“É necessário empenhamento”, disse. Está colocada no Esquadrão de Reconhecimento, onde desempenha a função de ‘apontador’ de viatura ‘Pandur’. “No fundo a nossa função é fazer o reconhecimento do terreno/itinerário, onde quer que ele seja, e conduzirmos uma Viatura Blindada de Rodas 8x8 Pandur RWS - Remote Weapon Station - ou seja esta viatura tem uma unidade de tiro exterior, com controlo remoto. Tudo é gerido a partir do interior por via de um monitor”.

“O ponto alto da minha carreira de militar foi o tempo que passei em missão na República Centro Africana. Foram seis meses e vimos de tudo, mas a nossa tarefa principal era garantir a segurança aos locais dos ataques perpetrados pelos diferentes grupos armados. Foi muito exigente, mas aprendi muito, sobretudo sobre auto-controlo e a valorizar o que é realmente importante”.

Ainda a decidir o futuro entre a continuidade dos estudos superiores e a Academia Militar, a praça destaca a ‘escola de valores’ que é o RC6 e o Exército e deixa aconselha os jovens a ter esta experiência.
Feliz com a carreira militar está também Cláudia Mendes, que aos 29 anos, chefia, neste momento, a Sub-secção Financeira e Logística do RC6. Foi depois da licenciatura em ‘Gestão’ no Instituto Politécnico de Viana do Castelo que apostou numa carreira militar, tendo concorrido a um concurso de formação de oficiais em 2015. “Inscrevi-me, fiz as provas e realizei a recruta em Mafra, bem longe do seio familiar, mas todo o esforço valeu a pena e ainda hoje mantenho as amizades”, frisou, recordando o momento em que teve que disparar uma arma, considerando-a “uma grande responsabilidade”.

Entrou para a especialidade de‘Administração e Finanças’ e passou a tomar conta das contas todas. Esteve três anos e meio a prestar serviço em Tancos, no Regimento de Engenharia n.º1, até que conseguiu vir para Braga, a sua área de preferência, estando colocada no RC6.
“O balanço que faço desde que ingressei na carreira militar é muito positivo, apesar de as minhas funções assentarem nesta vertente da gestão de receitas e despesas, mas sou obrigada a fazer serviço também, desde as formaturas às rondas de 24 horas. Na verdade aprecio a organização que aqui se vive e a grande diferença em relação ao mundo lá fora é mesmo a camaradagem”, sublinha Cláudia Mendes.
Considera as mulheres diferentes dos homens, mas indica que enquanto militares, todos conseguem arranjar maneira de atingir os objectivos a que se propuseram. “Na minha opinião, toda a gente devia passar por aqui, pela aprendizagem que se tem. Quem quiser vir, seja homem ou mulher, que aceite o desafio porque não se vai arrepender”.

O coronel Miguel Freire, comandante do RC6, garante que a questão da “igualdade de oportunidades” entre homens e mulheres é valiosa para a unidade. “No ano passado até chegámos a submeter uma candidatura à primeira edição do Prémio Defesa Nacional e Igualdade, promovido pelo Ministério da Defesa Nacional”, lembrou. “Acreditamos que a condição física, proficiência técnica e desembaraço táctico - pilares da tríade do soldado - não têm género”. Neste momento, 14% do efectivo do RC6 são mulheres, distribuídas pelas seguintes categorias: uma oficial, quatro sargentos, 28 praças e 10 funcionárias civis. Nos últimos três anos tem crescido o número de praças, mas quase todas, estejam à secretária ou no terreno, já participaram em missões especiais.

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