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Entrevistas

2021-03-08 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

A propósito do Dia da Mulher que hoje se assinala, o Correio do Minho foi ouvir o testemunho de quatro mulheres que ocupam lugares de chefia no Hospital de Braga. Nas quatro conversas, destacam-se duas ideias comuns: nenhuma delas alguma vez se sentiu discriminada pelo género, mas todas admitem que ter uma boa retaguarda familiar é essencial para assumir cargos de maior responsabilidade.

No Hospital de Braga trabalham actualmente 3277 pessoas. São 740 homens e 2537 mulheres, o que demonstra que a prestação de cuidados de saúde ainda é uma área maioritariamente feminina.
No Hospital de Braga a questão do género não tem relevância em termos de remunerações ou progressões na carreira, como aliás deveria ser em todas as instituições e empresas, públicas ou privadas. É ponto assente que tal ainda não acontece na sociedade portuguesa, mas ficam os bons exemplos para servir de orientação às situações de discriminação baseada no género que ainda persistem em alguns sectores.
Na conversa com quatro mulheres que chefiam os departamentos ou serviços do Hospital de Braga, todas confessam que nunca sentiram que o facto de ser mulher fosse impedimento para o que quer que seja. Vincam que a questão do género é indiferentes prevalecendo a competência profissional.
Porém, as quatro acabam por confessar que o apoio da retaguarda familiar, sobretudo dos maridos, na partilha das tarefas domésticas e no cuidar dos filhos, é essencial para assumir funções de responsabilidade num serviço ou departamento.

“A questão do género nunca teve qualquer influência na minha vida profissional”, garante Maria José Campinho, enfermeira gestora da Medicina Interna, que coordena três alas de internamento hospitalar, gerido uma equipa de 106 pessoas, entre enfermeiros e assistentes operacionais.
A enfermeira assume que o apoio do marido em casa é fundamental para que consiga desempenhar todos os papéis que assume. “Eu tenho de dizer isto, e como eu muitas mulheres que ocupam cargos de maior relevância: se não fosse o meu marido, eu não conseguiria ter este cargo de responsabilidade. (...) Sem esse meu pilar, eu não daria conta de tudo”, confessa, realçando que além de enfermeira coordenadora também é mãe de dois meninos, esposa, filha e cuidadora dos pais idosos. “Consigo dar conta de tudo porque tenho um companheiro de vida que é um herói”, diz Maria José Campinho.

Realça também que a enfermagem ainda é uma área onde as mulheres estão em maioria. “Ultimamente até estão a aparecer mais homens na enfermagem, mas esta continua a ser uma área predominantemente feminina”, nota, realçando contudo que o género não interfere na gestão que tem de fazer do serviço.
Maria José Campinho admite, porém, que o facto de a mulher poder ser mãe acaba por ter inerente uma característica que a torna mais cautelosa nas acções: “É algo inerente à função fisiológica de ser mãe, de proteger a vida que gera dentro dentro de si. Acaba por ser uma vantagem da mulher”.
Também Catarina Rebelo assume a importância da retaguarda familiar para ter disponibilidade para assumir um cargo de coordenação e chefia.
Catarina Rebelo é técnica coordenadora da Patologia Clínica, ou seja, é responsável pela gestão dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica.

“Desde o momento em que assumi algumas funções de coordenação e chefia nunca me senti prejudicada por ser mulher, mas isso também porque eu tenho uma retaguarda familiar muito boa”, confessa, partilhando: “O meu marido colabora muito na vida familiar e depois tenho uma família que percebe perfeita- mente que a maioria das vezes quem está com os filhos é o pai e que isso é normal, porque é o pai que pode estar”, realça.
Catarina Rebelo nota que a área dos cuidados de saúde sempre foi muito associada às mulheres e que, no seu caso pessoal nunca sentiu qualquer discriminação, a nível profissional, por ser mulher.
Considera que as mulheres “por natureza são mais resilientes”, estão “mais habituadas a arranjar soluções, são mais criativas na procura dessas soluções” e também são “um bocadinho melhor gestoras quando os recursos são escassos”.

No Hospital de Braga, a equipa de técnicos de diagnóstico e terapêutica “até tem bastantes homens, ao contrário do que é habitual noutros hospitais”, mas garante que nunca se sentiu “menos respeitada” pro ser mulher.
“A questão do género nunca teve qualquer influência na minha vida. Mas sinto que na sociedade em geral ainda há um longo caminho a percorrer para haver equilíbrio entre homens e mulheres”, confessa, lembrando que “progredimos muito nos últimos 60 ou 50 anos, mas ainda estamos longe do equilíbrio”. E não é pelo facto de nunca ter sentido discriminação em função do género que Catarina Rebelo não se preocupa com estas questões: “Em casa, tento passar aos meus filhos, a ele e a ela, a importância de se caminhar para esse equilíbrio”.

Os homens assumem cada vez mais a parentalidade, uma constatação feita por Almerinda Pereira, directora do Serviço de Pediatria e Neonatologia do Hospital de Braga. “A parentalidade, hoje em dia, é cada vez muito mais partilhada”, sustenta a médica que diariamente testemunha o acompanhamento que pais e mães prestam às crianças que necessitam de cuidados hospitalares.
Devido à situação pandémica, apenas um dos progenitores pode agora acompanhar uma criança internada, embora possam trocar após a realização de teste rastreio à Covid-19. Portanto, a criança está sempre acompanhada e “percebo que é idêntico o número de pais e de mães que acompanham crianças”, nota.

Almerinda Pereira nega que o género tenha qualquer interferência na forma como desempenha as suas funções ou na progressão da carreira. “Ao longo da minha carreira, nunca senti que o facto de ser mulher fosse impeditivo para qualquer coisa. Há bons pediatras homens e boas pediatras mulheres, como há bons directores de serviço homens e boas directoras de serviço mulheres”, sublinha.
A médica conta que no seu caso concreto sempre teve “muito apoio familiar”, essencial para coordenar a vida pessoal e profissional. “Sempre tive o apoio dos meus pais, dos meus sogros e do meu marido que também é médico, é cirugião”, confessa, revelando que esse apoio foi fundamental para acompanhar o crescimento dos filhos.

Onde as mulheres ainda estão em larga maioria é na área de limpezas. Elsa Pereira, coordenadora da limpeza hospitalar e resíduos, gere uma equipa constituída por 103 mulheres e 13 homens. “Os homens ainda não aceitam bem trabalhar na área das limpezas. Não consigo, por exemplo, ter homens para higienizar casas de banho. Percebo que eles não se sentem à vontade a realizar essa tarefa. Já tentei, mas não consigo captar homens para esas funções de limpeza”, partilha.

Gerindo tantas mulheres, assume que o segredo para um bom ambiente de trabalho é “saber ouvi-las e não passar a mensagem do que ouvi”.
Da mesma forma que sente que tem uma chefia que sempre precisa a ajuda, Elsa Pereira faz o mesmo no seu departamento: “Eu sou mãe e também sei perfeitamente a dificuldade que é conciliar a vida pessoal e a profissional. Por isso, sempre me pedem alguma coisa, desde que não prejudique nenhum colega, eu tento dar esse apoio”. Confessa também que o facto de ter uma boa retaguarda familiar “é fundamental”.

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