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Naufrágio ao largo de Caminha faz um morto e dois desaparecidos
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Naufrágio ao largo de Caminha faz um morto e dois desaparecidos

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Naufrágio ao largo de Caminha faz um morto e dois desaparecidos

Casos do Dia

2010-03-04 às 06h00

Miguel Viana Miguel Viana

O acidente causou um morto e dois desaparecidos. Dois outros pescadores, incluindo o mestre da traineira Vimar foram salvos por um colega e assistidos no Hospital de Viana do Castelo.

Um morto e dois desaparecidos foi o resultado de um naufrágio ocorrido ontem, por volta das 4.30 horas, à entrada da barra de Caminha. O barco, onde seguiam cinco pescadores que se dedicavam à pesca de polvo e faneca, terá sido virado por uma onda maior quando saía da barra, indo de imediato ao fundo.
Dois dos tripulantes foram salvos, enquanto que o corpo de um dos pescadores deu à costa junto à praia de Moledo, no concelho de Caminha, a cerca de 300 metros do local do naufrágio. Dois pescadores continuam desaparecidos.
Salvador Passos, que se preparava para a faina, explicou que ouviu alguém gritar e foi em busca dos dois sobreviventes: o mestre da traineira, António Alonso, e o pescador Vítor Valadares.
“Um moço que estava comigo ouviu gritar e disse que estava alguém na água. Agarrámos no barco e fomos buscá-los. Descarregámo-los em terra e voltámos ao mar, mas já só vimos os vestígios do barco e mais nada.” O mesmo pescador explicou que um dos sobreviventes disse que o mar “levou a casa do leme de uma vez só”.

Assoreamento da barra

Na origem do acidente terá estado um golpe de mar, disse aos jornalistas, o comandante do porto de Caminha, Mamede Alves. “Há uma questão, aqui, de açoreamento da barra de Caminha. Numa zona onde há fundos baixos, a tendência do mar é crescer formando ondas. Poderá ter sido uma das hipóteses para o acidente. Outra das hipóteses poderá ter sido uma onda com altura fora da média”.
No local estiveram várias embarcações dos Bombeiros Voluntários de Caminha, da Polícia Marítima, do Instituto de Socorros a Náufragos e barcos particulares.
Um helicóptero da Força Aérea ajudou nas buscas entre a zona de Caminha e Vila Praia de Âncora. No local estiveram, também até ao início da manhã de ontem, várias equipas das autoridades espanholas.


Pescadores salvos por barco dos Bombeiros

Poucas horas depois do naufrágio da traineira Vimar, o susto voltou aos corações dos homens do mar de Caminha, ao início da tarde de ontem. Um pequeno bote, que se encontrava a ajudar nas buscas e que tinha dois pescadores a bordo, virou-se, lançando os homens à água. De imediato, uma lancha dos Bombeiros Voluntários de Caminha dirigiu-se para o local, resgatando os dois homens, sem qualquer ferimento.
O bote foi rebocado para terra por outras embarcações que se encontravam no local.
Vários populares presentes no local garantiram que o socorro foi muito rápido.
“Quando olhei para o mar já os bombeiros estavam perto deles. Tiveram muita sorte”, disse Manuel Alves ao ‘Correio do Minho’.

Não tinham coletes salva-vidas vestidos

Os pescadores que seguiam na traineira que naufragou ontem ao largo de Caminha não estavam a usar coletes salva-vidas, disse o comandante da capitania de Caminha. “Infelizmente, é normal [não usar colete]”, disse Mamede Alves. A lei apenas obriga a que os pescadores levem os coletes no barco, mas não é obrigatório que os usem.
O presidente da associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, José Festas, afirmou que os coletes salva-vidas são 'completamente inoperacionais' para o trabalho dos pescadores.
“Pura e simplesmente, não se consegue trabalhar com eles vestidos e, por isso, ninguém os usa', salientou o dirigente, num dia em que se registaram dois naufrágios ao largo de Viana do Castelo.

Fatos em vez de coletes

A associação já apresentou uma candidatura ao programa 'Promar', para dotar 4500 pescadores de fatos flutuantes e equipar 400 embarcações com equipamentos de salvamento, comunicações e ajuda à navegação, desde VHF até GPS, rádiobalizas e balsas salva-vidas.
O projeto está orçado em 4 milhões de euros e será financiado com 3,6 milhões, cabendo aos pescadores dividir entre si os restantes 400 mil euros.

Barra de Caminha é um “autêntico cemitério”

Os pescadores de Caminha classificaram a barra do concelho como 'um cemitério', por causa do assoreamento que, frisam, 'mata que se farta'. 'Aquilo não se devia chamar barra, mas sim cemitério', disse o secretário da Associação de Pescadores do Rio Minho e Mar. Segundo Estêvão Silva, a barra este ano 'está mais perigosa do que nunca'. O representante dos pescadores diz que estão fartos de promessas e que “ninguém resolve nada, ninguém quer saber de nós'.

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