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Normalidade regressa com cantera a produzir

Desporto

2021-10-18 às 06h00

Ricardo Anselmo Ricardo Anselmo

Primeiro golo demorou, mas a partir daí a resistência moitense quebrou. Em tarde de estreias a marcar, Roger e Carvalhal proporcionaram momento emocionante. Barreiro festejou a Taça. SC Braga puxou dos galões e goleou.

O desafio era simples: frente ao Moitense, do distrital de Setúbal, o objectivo passava por ser sério, competente e sem facilitar. Carvalhal terá ficado agradado com aquilo que a equipa conseguiu produzir, retirando do duelo da Taça a certeza de que a profundidade do plantel lhe permitirá responder a todos os desafios que a exigente época lhe vai colocar.
O oponente não obrigou a grandes atenções do ponto de vista defensivo, é certo, mas há que realçar a capacidade da equipa em colocar um ritmo sempre elevado, emprestando ao jogo uma intensidade com a qual o Moitense nunca conseguiu lidar. Nesse sentido, o meio-campo arsenalista foi sempre terreno de ninguém (só para Tiago Sá), e todas as tentativas de saída para o ataque da equipa da Moita esbarravam numa forte e eficaz reacção à perda.
Mais agradado mas ainda a esboçar algumas impaciências, Carvalhal viu a equipa manietar e envolver o Moitense numa teia da qual nunca se conseguiu livrar. Porém, faltava o mais importante: ultrapassar Pedro Fortes. Foi-se erguendo uma muralha e o intervalo não chegou com um resultado mais dilatado para os guerreiros porque o jovem guardião do Moitense quis ser protagonista, com pelo menos três defesas de golo (numa delas ainda com ajuda do poste).

Carvalhal deixou de fora nomes fortes da equipa como Ricardo Horta, Abel Ruiz ou Al Musrati e, embora tendo Castro no banco, a verdade é que a tarde foi para outros se mostrarem. Desde logo, Mario González. O espanhol vinha mostrando uma declarada falta de confiança nos últimos jogos e, com o golo apontado perto do intervalo (respondendo com um belo cabeceamento a um cruzamento de Yan Couto), pode ter accionado o clique necessário para subir o nível daqui em diante.
Quem também ganhou muitos pontos pelas credenciais ofensivas que foi demonstrando foi o jovem Yan Couto, sempre muito envolvido na dinâmica atacante, mostrando uma disponibilidade física assinalável para apoiar a equipa ao longo dos 90 minutos. Um claro caso de consistência que se começa a desenhar, tal como previra Carvalhal na projecção deste encontro.
Depois, há que destacar o papel dos miúdos, que foram os responsáveis pelo avolumar do resultado. Bruno Rodrigues, que actuou no centro da defesa ao lado de Tormena, marcou o segundo (num canto de laboratório, com desvio de González ao primeiro poste para o ‘encosto’ de Rodrigues ao segundo), estreando-se a festejar um golo com a camisola oficial do SC Braga.

A última meia-hora trouxe a irreverência e a vontade imensa de Vitinha e Roger Fernandes. Primeiro, o menino de 15 anos. A equipa do Moitense começava a fraquejar no plano defensivo. Vitinha, qual gazela, ganhou a frente a um defesa e passou a bola sobre o guarda-redes, que deixou a baliza desguarnecida. Sem ângulo para atirar a contar, serviu na área Roger Fernandes, que de cabeça fez o terceiro. O momento provocou um batalhão de emoções no menino, que viu Carvalhal correr sobre a linha para lhe dispensar um forte e prolongado abraço. Depois, ajoelhou-se, soltou as lágrimas e agradeceu o momento.
Até ao fim, mais dois golos, ambos para Vitinha, que premiaram a insistência e o sentido de oportunidade. Uma clara mais-valia, com faro apuradíssimo para o golo. No fundo, uma alternativa mais do que credível para Ruiz e González. Próximos capítulos confirmarão se se trata de um SC Braga, realmente, em crescendo.

“Roger? Não se pode deslumbrar, para manter crescimento forte”

Foi com o sentimento de “missão cumprida” que Carlos Carvalhal começou por analisar o triunfo frente ao Moitense.
“Foi um adversário organizado. O jogo naturalmente teve esta tendência, devido à diferenças entre as equipas. Jogámos praticamente no último terço, o que seria de esperar e tivemos várias oportunidades. Acabámos por fazer cinco golos e não permitimos muitos contra-ataques a não ser um lançamento da linha lateral no começo da segunda parte”, lembrou Carvalhal, que fez questão de dar os parabéns à sua equipa e, também, à do Moitense.
“Ao seu treinador, à nossa massa associativa e deles também. Aconteceu Taça não na questão do resultado, mas na questão da celebração de um jogo bonito”, observou, sem deixar de abordar as várias pérolas da formação utilizadas ontem à tarde.

“Acabámos, se não me engano, com seis jogadores da formação. Os jogadores estão aqui por mérito, não estou a dar prendas a ninguém. São jogadores que têm trabalhado connosco, todos eles que entraram hoje são jogadores que fazem parte do nosso plantel e trabalham connosco todos os dias. Têm competência e, evidentemente, que precisam de espaço competitivo. Hoje [ontem] apareceu espaço competitivo para eles tomarem um bocadinho o gosto do futebol da primeira equipa, mas em função do plantel não ser muito extenso acredito que um ou outro, não digo todos, vão ter oportunidades para jogar com alguma regularidade. Há qualidade, há prémio para a formação do SC Braga liderada por Hugo Vieira, que tem feito trabalho espetacular e é também o desígnio do clube a aposta na formação”, frisou, comentando o momento em que abraçou Roger após o 0-3.
“Fiquei contente pelo miúdo. O resultado estava feito. Ele passou por um momento difícil e, em função disso, quando alguém triunfa, a reacção dele é genuína. A minha também, não só por ele, mas também pela equipa, pela formação”, alertando para a necessidade de se perceber que o jovem, de apenas 15 anos, é ainda um produto em formação.

“Ele foi chamado ao primeiro jogo da época, na Supertaça frente ao Sporting, mas o lugar dele é um lugar abaixo. Tem jogado mais nos sub-23, mas treina todos os dias connosco. Ele sabe qual a posição dele, não se pode deslumbrar, para manter um crescimento forte e consistente. Essa é também uma das funções do treinador do Braga. Além da equipa ter de jogar bem, de ganhar títulos, também tem de valorizar os jogadores e também apostar nos jogadores jovens. O treinador do Braga tem de jogar com tudo isto, não é fácil”, disse, sem esquecer outro estreante em golos.
“O Mario está a passar por uma fase diferente. Ele veio o ano passado do Tondela que jogava mais em transição e tinha mais espaços. Infelizmente para ele, o SC Braga encontra quase sempre equipas de bloco baixo. Joga melhor com a bola nas costas e com espaço. Tem de se adaptar.”

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