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Braga

2020-04-03 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Com sintomas ligeiros, como a maioria dos infectados da companhia, Pedro Carvalho, bombeiro sapador diz que o vírus lhe afectou mais a nível emocional, privando-o do contacto com a família.

Bombeiro desde 2013, Pedro Carvalho é um dos dezasseis elementos da Companhia de Bombeiros Sapadores de Braga que acusaram positivo nos testes de despistagem da Covid-19.
Em casa, em isolamento, Pedro revela que o seu quadro é estável, apresentando apenas sintomas ligeiros, quadro que é comum “a 70% dos meus colegas”.
Dores musculares e “um ligeiro cansaço” foram os primeiros sintomas apresentados, sem que o bombeiro pensasse que poderia estar infectado.

Só quando um colega acusou positivo para o novo coronavírus é que começou a equacionar que também ele poderia estar infectado. “Notei que comecei a perder o olfacto e o paladar. Mas pensei que poderia ser da minha cabeça,”, adianta ao CM o bombeiro sapador que começou a dissipar as suas dúvidas quando entre o grupo de 18 colegas, “quase todos eles estavam a começar a ter também esses sintomas”.
Logo que surgiram as suspeitas “recebemos ordens para ficarmos em casa, em isolamento”, continua o bombeiro.
Recorde-se que o grupo de 16 infectados nos Bombeiros Sapadores estiveram envolvidos no combate ao incêndio, a 25 de Março, na ala de Psiquiatria do Hospital de Braga, embora o presidente da Câmara de Braga já tenha vindo a público dizer que não é possível associar uma situação à outra.
Com sintomas ligeiros, Pedro Carvalho confessa que o vírus a nível físico “não me roubou nada, mas ao a nível psicológico roubou-me muito”.

“O meu filho fez três anos no domingo e não pude dar-lhe um abraço. É isso que me dói”, confessa o bombeiro que está agora confinado num quarto. “Felizmente o meu filho está a conseguir perceber que o pai está doente, apesar da sua tenra idade”, continua Pedro Carvalho.
Além de recuperar rapidamente, a maior preocupação deste sapador é proteger ao máximo a sua família. “A minha esposa tem uma cadeira junto à porta onde me deixa as refeições. Só saio do quarto para ir à casa de banho que só eu utilizo”, explica.
No último balanço feito pela Direcção-Geral da Saúde, registaram-se 209 mortes, mais 22 do que na quarta-feira (+11,8%), e 9.034 casos de infecções confirmadas, o que representa um aumento de 783 em relação à véspera (+9,5%).

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