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Entrevistas

2022-09-15 às 06h00

Redacção Redacção

Equipa composta por um historiador e quatro ilustradores criou a nova banda desenhada do Eixo Atlântico. Um trabalho que pretende consciencializar os mais jovens para o passado dos lugares, de maneira a evoluir rumo a um futuro baseado na unidade.

Citação

O Eixo Atlântico plantou em Outubro de 2020 a possibilidade de criar a primeira banda desenhada que narrasse a história de uma Eurorregião, a da Galiza e Norte de Portugal. Quase dois anos mais tarde, este projecto sai à luz do dia e nasce graças ao trabalho de cinco pessoas: o historiador Víctor Rodríguez e os ilustradores Daniel Docampo, Norberto Fernández, Daniel Correia e Martim Cordovill.
E assim nasceu um trabalho destinado a todos os públicos, com o objectivo de que a sociedade conheça a sua história, porque só assim pode manter a sua identidade.
Correio do Minho - Como surgiu esta iniciativa?
Norberto - O Eixo Atlântico já vinha a editar, de alguns anos para cá, algumas partes do seu material em banda desenhada. Nesta ocasião, a ideia surgiu motivada pelo 30.º aniversário da instituição e o objectivo era dar enfoque ao desenvolvimento da Eurorregião.

CM - Como está dividida a obra?
Daniel - Éramos quatro ilustradores, dois galegos e dois portugueses, e cada um ficou encarregue de uma parte da história, sendo, no total, quatro capítulos.

CM - A obra é destinada a quem?
Norberto - O formato é o mais apropriado para todas as idades, já que o objectivo principal é que qualquer um possa ler, desde uma criança de 12 anos, até aos mais velhos. Quisemos contra a história da Eurorregião, que infelizmente é bastante desconhecida, desde um ponto de vista mais moderno. Porque uma vez que a ideia é fazer também chegar a informação cultural ao público mais jovem, o formato é muito importante. São histórias interessantes e que entretêm muito.
Victor - Há histórias que claro que tinham que marcar presença nesta obra, porque são conhecidas de todos, mas procurámos também dar a conhecer aqueles pontos mais desconhecidos e que mostram a relação que existe entre a Galiza e o Norte de Portugal, desde a Pré-História, até à actualidade. É importante exemplificar os processos históricos e artísticos. Há alturas em que se fala, por exemplo, dos conventos de Pontevedra. Ainda que senha de forma ligeira, é importante também que se conheça esta parte da história.

CM - Ao longo do livro, mas principalmente no último capítulo, dá-se muita importância à parte cultural…
Norberto - Era muito importante dar ênfase ao contexto e atmosfera social e cultural de cada época. A ideia é que o leito se coloque em situação de poder supor o que podia estar ali. Por exemplo, damos ênfase à época da Movida, em Vigo e em Portugal, mas também à época do Xabarín Club [programa infanto-juvenil da Televisão da Galiza]… Este tipo de pormenores dão à descrição histórica o sabor de cada época.

CM - Qual foi a parte mais complexo do processo de elaboração desta obra?
Daniel - Este é um processo complexo porque a veia cómica sempre leva a uma determinada estética e tens sempre tendência para o exagero. Por exemplo, eu fiz um desenho dos suecos e criei-os com o aspecto de guerreiros e depois foram os historiadores que me corrigiram e disseram como realmente tinham que ser. Foi um bocado complicado.

CM - O facto de serem quatro ilustradores supõe uma maior dificuldade na hora de adaptar o estilo de todos?
Víctor - Nota-se que são autores distintos, mas que encaixam muito bem por serem blocos fechados… são distintos, mas complementam-se.
Norberto - A ideia era que cada autor respeitasse o seu estilo. Então creio que acabámos por dar variedade visual à história, mas mantendo a coerência.

CM - E qual acreditam que vai ser a parte do livro que vai surpreender mais o leitor?
Víctor - Ainda que estejamos lado a lado, os portugueses e os galegos, em certa medida ainda vivemos de costas uns para os outros. Principalmente nas partes da história que nos são comuns.
Norberto - Sim. Para mim, o que conhecia menos era a parte sobre Portugal e acredito que do outro lado seja igual. Creio que este tipo de conexão já se devia ter trabalhado muito no passado. Por exemplo, pelos vistos houve uma Movida em Portugal nos anos 80, com grupos míticos, e eu não fazia ideia disso. E é algo que acontecia aqui ao lado!

CM - Surpreende que, estando tão perto uns dos outros, ainda exista tanto desconhecimento de partes da história.
Daniel - Sim. Claro que agora é muito fácil procurar tudo na internet e ficar a conhecer. Mas nos meados dos anos 80 era muito complicado para nós conhecermos, por exemplo, artistas portugueses.

CM - E agora que realizaram este trabalho, em vossa opinião, há mais coisas que unam ao separem os portugueses e os galegos?
Daniel - Actualmente está tudo muito globalizado e creio que hoje em dia, Portugal até nos supera em muitas coisas, sendo a oferta cultural uma delas.
Norberto - Há muitas coisas que nos unem. A barreira tecnológica e física que existia antes, com as novas tecnologias e os meios de comunicação já não existe. Sem dúvida que fomos evoluindo de forma paralela.
Víctor - A possibilidade de relação que existe agora, não é a mesma de antes. Já não existe um lado e o outro.

CM - Como dizem as Tanxugueiras [trio de artistas musicais galegas] “já não há fronteiras”.
Víctor - Efectivamente, temos a sorte de ter um idioma praticamente igual e temos uma unidade em todos os aspectos.
Norberto - É que, no fim de tudo, as fronteiras são uma construção relativamente moderna que, com as épocas, vai variando. É importante dar um enfoque cada vez mais unitário para que se entenda que as fronteiras são uma invenção que depende e certas circunstâncias de cada momento e que não são elas que definem as povoações. O que realmente transcende dos séculos passados é o que está para lá das fronteiras, a base comum.
Víctor - Entre Galiza e Portugal já uma história comum, um passado comum e também um futuro comum.

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