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Olga Baptista: "Políticas liberais são políticas de sucesso"
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Olga Baptista: ´Políticas liberais são políticas de sucesso´

Entrevistas

2021-09-04 às 06h00

Rui Alberto Sequeira Rui Alberto Sequeira

A Iniciativa Liberal estreia-se nas próximas autárquicas em Braga. Olga Baptista é a candidata à Câmara Municipal e personifica o ideal liberal. Defende menos e melhor poder local. Critica a actual maioria por se ter fechado aos cidadãos, defende a criação de um seguro municipal de saúde e reivindica uma gestão transparente. Uma das propostas é a implementação de um modelo denominado “reprograma autárquico”, que se traduz numa “gestão diferente”.

P - Depois de ter sido cabeça de lista da Iniciativa Liberal (IL) pelo distrito de Braga nas legislativas de 2019 assume agora a candidatura á Câmara de Braga nas autárquicas de 26 de setembro, porquê?
R - O que me levou a aceitar ser candidata á câmara é a vontade de fazer melhor, diferente e tornar a cidade mais liberal. Acredito que temos ‘ferramentas’ para seguir com esse objectivo porque as políticas liberais são políticas de sucesso.

P - Como é que pretende tornar Braga mais liberal?
R - Nós gostamos de promover uma cidade mais livre, mais dinâmica, mais orgânica em que as pessoas podem fazer as suas escolhas, serem aquilo que aspiram. Perante esta premissa temos aquilo que podemos designar como ‘reprograma autárquico’ porque temos uma forma diferente de ver a gestão municipal que se traduz por um menos poder local, um melhor poder local.

P - Indo a situações concretas os TUB são de natureza totalmente municipal e a Agere tem 49%de capital privado, são sectores onde poderá haver ainda menos poder local?
R - Aos liberais colocam sempre a questão sobre quereremos privatizar tudo. Eu digo que não existe uma solução única. Cada caso é um caso. Refiro duas situações que são diferentes mas ambas têm o mesmo pressuposto. Dar o melhor serviço aos cidadãos com menores custos. No caso da Agere não vejo motivos para se alterar o equilibro de participação do sector público e do privado. No caso dos TUB não me parecia estranho que tivesse uma situação social semelhante á Agere se isso trouxer benefícios para as pessoas, com custos acomodados, necessariamente.

P - É favorável á gratuitidade dos Transportes Urbanos de Braga?
R - Podemos promover a utilização dos TUB a um custo justo para o utilizador, mas para isso têm de oferecer outra comodidade, rapidez, acessibilidade. Usar os TUB tem de ser uma mais-valia para o utente senão - mesmo gratuitos - as pessoas não os vão utilizar. Se demorarem tempo nas suas deslocações, os cidadãos vão continuar a preferir usar o automóvel.

IL quer uma redução da carga fiscal

P - A IL vê o Bus Rapid Transit (BRT) - um dos projectos que Ricardo Rio defende para Braga - como uma boa solução para a mobilidade.
R - Claro que sim. A mobilidade tem de ser pensada de forma global e com uma visão para o futuro. Falta a estratégia. A mobilidade não pode ser pensada de forma isolada mas sim integrada. Temos de saber onde estão os parques empresariais, as grandes empresas, as instituições onde é que as pessoas se mobilizam. Não é só pensar na estrada. A IL tem coragem e vontade de solucionar os problemas.

P - Perspectiva-se uma retoma económica, dentro da vossa premissa liberal - olhando em concreto para Braga - a que ‘ferramentas’ devemos deitar mão para avançar nesse caminho de recuperação?
R - Uma das bandeiras da IL passa por diminuir a carga fiscal com o pressuposto que o cidadão tenha mais condições financeiras para fazer as suas escolhas de vida. Localmente queremos reduzir o IMI em 4%, para o valor mínimo de 0.30% que obrigatoriamente tem de ser cobrado e proceder á devolução aos bracarenses de 2 p.p. do IRS que é afecto ao Município. Temos um problema grave que tem a ver com o Plano Director Municipal (PDM). Está ser revisto mas pelos contatos que estabeleci com o setor empresarial dizem-me que não contempla terrenos para a instalação de mais empresas. Como é que vamos crescer a nível empresarial, económico senão temos espaços para albergar novas empresas. Temos empresas que não veem para Braga ou que saem porque não existem terrenos onde se instalarem ou expandirem A candidatura da IL vai estar certamente focada neste aspecto de revisão do PDM.

P - Pessoas ligadas ao sector imobiliário dizem que Braga vai ter de crescer em altura e não em largura devido á escassez de terrenos para construir.
R - É preciso construir mais porque a cidade cresceu em termos populacionais nos últimos anos, como atestam o Censos. A IL se estiver na câmara de Braga vai estar muito atenta com a premissa de que não é o Município que tem de arranjar as casas, mas tem de dar condições às pessoas para sejam elas a encontrarem/construir uma habitação. Isso não significa que não salvaguardemos as situações dos cidadãos menos favorecidos no seu direito á habitação. Nesse sentido temos a Bragahabit que é para manter. Os problemas existem, estão dia-gnosticados mas é preciso coragem para os resolver. A IL tem essa coragem e a vontade de os solucionar.

P - A autarquia deve comprar fogos para depois arrendar ou deve dar apoio às rendas?
R - Penso que deveria enveredar pelo apoio ao arrendamento. Sempre que possível a câmara não deve interferir na dinâmica nem na escolha mas deve ter um papel participativo. Vou dar como exemplo o caso da associação ‘Virar a Página’ que em Gualtar desenvolveu acções de voluntariado durante a pandemia e que agora - com o retomar da normalidade - terá de sair das instalações cedidas pela paróquia e não tem para onde ir. Eu acho que a CMB deveria ser parte no encontrar de uma solução.

P - Qual é a solução que defende para o bairro do Picoto?
R - De uma forma geral eu entendo que as pessoas devem estar integradas e não segregadas. Quando temos estes bairros o desenvolvimento da cidade - nessa zona - fica estagnado.

P - Nas últimas legislislativas, em que foi cabeça de lista da IL pelo distrito de Braga, obteve no concelho 1183 votos, nas presidenciais subiu a votação, acredita que nas autárquicas essa tendência ascendente vai continuar?
R - Todo o trabalho é feito com um objectivo que é ganhar. Obviamente que sabemos das dificuldades que temos pela frente. Se olharmos para os resultados anteriores no concelho de Braga podemos prever uma votação idêntica á das presidenciais (3%). Se assim for poderemos eleger um representante da IL para a Assembleia Municipal (AM). Mas eu acredito que vamos conseguir mais.

P - Foi difícil fazer as listas de candidatos para a AM e para a Câmara?
R - Não foi. Mais difícil é trazer mulheres para a política. Tivemos muita adesão de jovens. Nós somos a casa de todos os que partilham ideais liberais. Vamos apresentar candidatos ás assembleias da União de Freguesias de Real Dume e Semelhe e de Lamaçães, Nogueiró e Fraião.

P - Apesar de em Braga cinco dos oito candidatos á câmara serem mulheres.
R -É muito interessante esse facto.

P - Uma premissa dos liberais é a transparência.
R - Temos a proposta de criar uma plataforma na internet onde todos os contratos, todos os concursos estejam explicitados para que os cidadãos tomem conhecimento da gestão municipal.

P - De uma forma concreta e sobre a ‘Confiança’ deve ser uma residência universitária?
R - Em 2012 a fábrica foi expropriada, isto é, foi retirado o bem a um privado em nome do interesse publico e com o objectivo de criar um espaço cultural e de lazer. Eu não vejo com bons olhos que agora se venda um imóvel que foi expropriado para uma determinada finalidade. Eu entendo que os cidadãos devem ser ouvidos. Uma residência universitária é essencial em Braga. Terá de ser na ‘Confiança’?

Câmara de Braga não tem ouvido Associações

P - Na sua opinião a autarquia tem ouvido as associações?
R - Eu acho que não, pelas reacções que temos recebido das próprias associações. Por exemplo em relação á mobilidade e á criação de ciclovias e zonas pedonais, existe a Braga Ciclável que tem feito um excelente trabalho e segundo sei não foi ouvida pelo Município para criar uma potencial solução. Outro exemplo: temos a Fábrica Confiança e uma Plataforma onde estão concentrados movimentos e associações que não foram tidas em conta com as suas sugestões quando ao futuro do edifício. A InvestBraga tem de criar sinergias com as associações empresárias de Braga e do Minho. Eu creio que o papel InvestBraga não tem sido positivo no auscultar destas entidades para poder tomar as melhores medidas para o sector empresarial.

P - Entende que o actual executivo municipal tem-se fechado á sociedade?
R - Após mais de três décadas da gestão socialista em Braga, esta maioria trouxe nos primeiros anos de mandato, uma lufada de ar fresco. Os primeiros anos foram empreendedores mas este último mandato de Ricardo Rio tem sido ‘frouxo’ nas dinâmicas e também, essencialmente, nas promessas que não foram cumpridas.

Queremos uma gestão transparente

P - Acredita que pode ser revertida a intenção da venda a privados e se venha a criar um pólo cultural na ‘Confiança’?
R - Eu acredito que é possível discutir o assunto. Uma solução que foi apresentada e que pode ser viável é o projecto cultural previsto para a Francisco Sanches passar para a ‘Confiança’ e o projecto previsto para a Fábrica passar para a Francisco Sanches e assim trazer os estudantes para mais perto do centro da cidade.

P - Braga Capital Europeia da Cultura?
R - É uma boa aposta. Acho que Braga culturalmente, cresceu. Devemos apostar na cultura criativa e menos no ‘show off ‘. O investimento deve ser direccionado para a formação de novos públicos começando com um trabalho junto das escolas.

P - A CMB actuou bem durante a pandemia?
R - De uma forma geral creio que sim. A candidatura da IL tem no seu programa criar um observatório de resultados em saúde no concelho. Temos agora de pensar no futuro porque vamos ter consequências económicas e sociais.

P - O prémio de ‘Braga Melhor Destino Europeu’ pode ajudar ou discorda da forma como foi conduzido o processo?
R - As críticas são mais pela forma como o prémio foi trabalhado mas o resultado prático é positivo, devia era ter sido explicado aos bracarenses, devia ter existido transparência.

P - Se fosse eleita presidente da CMB e tivesse de criar um pelouro ou refazer algum dos existentes em que área o iria fazer?
R - Seria um gabinete da eficiência administrativa. O Município para dar uma boa resposta, ele próprio tem de se gerir bem. Menos burocracia, mais rápido na resposta aos munícipes, melhor informação.


P - Não teria sido preferível a IL ter aceitado o convite e integrado a coligação Juntos por Braga para as próximas autárquicas?
R - Esse era o caminho mais fácil. O crescimento da Iniciativa Liberal é difícil mas tem de ser feito sem medos. Queremos sedimentar a IL. Acredito que temos mais capacidade de intervenção concorrendo com listas próprias.

P - Mesmo com o risco de poder ficar de fora do executivo ou da assembleia?
R - Mesmo correndo esse risco, embora acredite que isso não vai acontecer.

P - Chegou a discutir-se lugares nas listas da coligação?
R - Não chegámos sequer aí. Recusamos de imediato essa circunstância.

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