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Os garranos à solta, a beleza do Turio num postal ilustrado do concelho de Vieira do Minho
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Os garranos à solta, a beleza do Turio num postal ilustrado do concelho de Vieira do Minho

Vale do Ave

2021-03-05 às 06h00

Rui Miguel Graça Rui Miguel Graça

Cantelães tem características ímpares, que a tornam num ponto de grande atracção. A flora é generosa e a água fresca e límpida corre cheia de graça. Os garranos têm aqui o seu ‘santuário natural’ e, lá em cima, há um baloiço que embala as vistas até ao fundo do Vale. Mas também há história e estórias de casas senhorais, de capelas, pontes e a devoção à Senhora da Fé.

Dezassete lugares formam a freguesia de Cantelães. Todos eles pequenas peças de um puzzle, que completo lhe confere atributos especiais. Cantelães ocupa uma área geográfica com 1118 hectares, sendo limitada a norte pela linha de cumeada do Monte de Santa Cecília que define o limite sul das freguesias de Louredo, Salamonde; ligeiramente a nordeste fica Ruivães, numa linha que une a colina da Cabeça da Vaca até próximo da zona da Pedra Escrita, abaixo da Serradela; a nascente aparece a freguesia de Pinheiro; a sul fica Vieira e a poente Eira Vedra.
Esta freguesia apresenta um vale fértil ao longo da ribeira de Cantelães e desenvolve-se pela encosta fora ao longo da serra de Cantelães ou Monte de Santa Cecília. Este monte não é mais do que um prolongamento a norte da Serra da Cabreira, definindo a fronteira do Vale do Cávado. Podemos observar da sua linha de cumeada paisagens soberbas sobre todo o vale do Cávado, Gerês e Montalegre; sobre o vale do Ave, a Serra do Merouço e sobre toda a encosta poente da Cabreira.

Viajando pela freguesia encontra-se casas setecentistas, varandas em pedra, portas em arco e até alminhas integradas nas fachadas. Há pontes antigas, há capelas e castros e, lá no topo, em pleno monte da Senhora da Fé, há o Cruzeiro Novo, construído nos anos 70 em cimento armado e ferro, com trinta metros de altura.
O Turio, pulmão da Serra da Cabreira, apresenta um cenário idílico, onde corços, javalis, esquilos e raposas aparecem do nada aos turistas que saboreiam iguarias no parque de merendas ou que procuram os pontos de reconhecido interesse patrimonial. Para desvendar este local cheio de magia pode ainda aventurar-se pelos trilhos serranos. Pode percorrer um percurso de 10,5 quilómetros, devidamente sinalizado e ao longo do seu traçado descubra as quatro fontes à sua disposição.

Regressando à fauna, há cerca de três centenas de garranos (Equuus caballus), uma espécie equídea portuguesa de pequeno porte, mas cheia de robustez, capaz de pastar em zonas altas e rochosas, passeando livremente pelas encostas da serra e em pontos de difícil acesso.
Por último, a 875 metros, no Monte da Senhora da Fé, foi construído um baloiço panorâmico que o embala nas mais belas paisagens da vila. No mesmo local, onde a devoção é intensa. Anualmente, no primeiro domingo de Junho, realiza-se na Senhora da Fé uma festa religiosa, com uma peregrinação que atrai milhares e carregada de tradições.

Cuidar das pessoas e de um valioso património

Cantelães “foi a terra que nos viu nascer e não poderíamos deixar de contribuir com o melhor de nós para a sua melhoria e desenvolvimento”, quem o assume é o presidente da Junta de Freguesia, Guilherme Abreu, salientando que “o trabalho do dia-a-dia ultrapassa as competências que são atribuídas por lei”.
Nesse prisma, e dentro de um cenário de uma ruralidade vincada, com todos os seus predicados, o autarca assume que o principal desafio é “o apoio a uma população envelhecida num contexto de desertificação”. “É algo diário e constante” e que obriga a “contínuas preocupações, destaca, alertando ainda para a necessidade de “encontrar estratégias” de fixação e de atracção.

“O investimento no turismo, na agricultura e na pastorícia de subsitência são caminhos importantes”, ressalva. “As maravilhas naturais, culturais, arqueológicas e arquitetónicas só podem ser desenvolvidas com uma sensibilização, em primeiro lugar da população e do poder local e, depois, das autoridades regionais e nacionais, com um misto de iniciativa privada e pública. Só com investimento é que podemos criar emprego, atrair e reter população, não descuidando de exigir condições condignas e funcionais infraestruturas escolares e de saúde”, acrescenta ainda o presidente da Junta de Freguesia de Cantelães.

Num raio-x ao que tem sido realizado ao longo dos últimos anos, concretamente no derradeiro mandato, Guilherme Abreu destaca que “está praticamente assegurada a criação de acessibilidades condignas a todos os lugares”, contudo o “saneamento público ainda não chega à maioria dos lugares” e esse é um objectivo vital.
“Foram melhorados os espaços públicos do Bairro Adelino Amaro da Costa e envolvelente, construídos os passeios pedonais, e está em andamento a requalificação do cemitério”. Realizou-se o alargamento e a pavimentação de vários caminhos, mas “é necessário investir nos caminhos rurais e de serra, tal como não descurar “as casas florestais e as potencialidades ao nível do património”.

A Senhora da Fé é a celebração magna

Cantelães tem também mistério, devoção e fé. Crê-se que foi a civilização castreja que originou que originou a circunscrição medieval, anterior à nacionalidade, de “terra de Veeira ou Velaria”, referenciada mesmo como “Sancto Estevam de Vieeyra que chamam de Cantelaes”.
Terra de gente trabalhadora e alegre, muito próxima da agricultura e criação de gado, com tradições milenares reunidas e mantidas pela Associação Cultural e Recreativa ‘Os Ceifeiros de Cantelães’, rancho mais antigo e premiado do concelho.

A Senhora da Fé é a celebração magna da freguesia na sua Capela encravada na montanha, a devoção de todo o concelho na romaria arciprestal de fim de Maio.
A igreja paroquial tem vestígios da primitiva igreja de estilo românico, prevalecendo hoje a traça arquitectónica do século XIX.
O Centro Social e Paroquial da freguesia erigiu o Lar Padre António Pereira Lima, em homenagem ao seu fundador, sendo actualmente um dos principais empregadores da freguesia.

António Cardoso, presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho
“Oito anos a ampliar a qualidade de vida”
“Em pleno sopé da Serra da Cabreira, a Freguesia de Cantelães é conhecida pela sua rara beleza natural, dadas as características exuberantes da sua fauna e flora. Nesta freguesia a natureza é generosa fornecendo água em abundância, como refere o Padre José Carlos Alves Vieira na sua notícia histórica e descritiva de Vieira do Minho “ por toda a parte canta e salta a água fresca e límpida, pelas várzeas de vegetação luxuriante, pelos pauis de macio feno, pelos matagais atufados de codesso e giesta”. Nos últimos anos foram desenvolvidas, em articulação com a Junta de Freguesia, um conjunto de iniciativas e obras que muito tem contribuído para trazer mais qualidade de vida a todos os habitantes da freguesia de Cantelães e torná-la ainda mais atrativa. Continuaremos a pautar a nossa gestão tenda em vista a melhoria da qualidade de vida desta comunidade.”

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