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Pais e bebés entram com pés nos sonhos
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Pais e bebés entram com pés nos sonhos

Entrevistas

2010-05-29 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

São os pés os protagonistas deste espectáculo ‘Pé ante Pés’ que sobe, hoje e amanhã, ao palco do Theatro Circo de Braga. Um espectáculo que dá acesso ao mundo dos sonhos...

Pais e bebés aguardam que o espectáculo inicie à entrada da sala. Sente-se uma pequena agitação até que chega alguém para os mandar descalçar e desenhar os próprios pés. Só assim terão acesso à ‘caixinha mágica dos sonhos’, onde irá ter lugar o espectáculo ‘Pé Ante Pés’. São os pés, precisamente, os protagonistas desta história...

A indicação é cumprida e os pais e bebés (público), que também participam na peça, penduram os respectivos sapatos na ‘Árvore dos Sapatafúrdios’, encaminhando-se, logo de seguida, para a sala onde decorre o espectáculo, fazendo parte do próprio cenário.
Pais e bebés dão entrada no ‘mundo dos sonhos’, um mundo mágico, de tons azulados e sons bucólicos, onde se ouve o chilrear dos pássaros e o balido das ovelhas e onde dá a sensação de passar ali bem perto um ribeirinho.

Este é o mundo mágico criado por Joana Antunes, a responsável pela criação do conceito do espectáculo ‘Pé ante Pés’ - um espectáculo de dança dirigida para bebés e onde é ela mesma que dá corpo à personagem principal, numa permanente interacção com os espectadores.
É, no fundo, uma viagem até ao mundo dos bebés e para os adultos uma espécie de ‘regresso ao passado’, aos primeiros sons, às primeiras descobertas, tudo dentro da caixinha mágica dos sonhos, de onde se parte à descoberta da serventia dos seus pés.

“A grande ideia conceptual que está por detrás deste espectáculo é a da grande conquista do ser humano: o andar, o facto de estarmos em pé, embora para os bebés, esta seja uma descoberta relativamente recente”, revela a criadora e artista Joana Antunes, assinalando que “sem esta capacidade de bipedismo tudo seria, certamente, muito diferente”.
“Este é um encontro com a magia e com aquilo que podemos sentir quando queremos retirar-nos da nossa realidade quotidiana, nem que seja, apenas, por meia hora”.

Mas desengane-se quem pensar na aparente ‘facilidade’ com que é montado um espectáculo para bebés. Foram cerca de três meses de visitas regulares a infantários, além de uma oficina realizada para pais e bebés em Guimarães, Famalicão e Braga - os palcos por onde o espectáculo ‘Pé ante Pés’ está de passagem, pelo menos, para já.
“Em termos de investigação propriamente dita, é preciso ler bastante. Muita psicologia do desenvolvimento e sobre inteligência emocional nestas idades, entre um e os três anos, e depois partir para o campo prático, adaptando a teoria à prática”.

Joana utiliza, sobretudo, a linguagem corporal, verbalizando breves onomatopeias, próprias da linguagem primitiva dos bebés e a única palavra que se repete ao longo de mais de meia hora de peça é o vocábulo: ‘pés’. “Os movimentos estão agora a ser descobertos pelos bebés, ficando atentos a tudo aquilo que o corpo é capaz de fazer”, apontou a criadora, acrescentando que “se se usassem muitas palavras iria cansá-los”.

É a própria Joana Antunes que faz o convite e lança o desafio: “convido todos os pais e bebés a entrar neste espectáculo, cujas sessões decorrem hoje e amanhã, no Theatro Circo de Braga, porque irão fazer uma viagem muito harmoniosa e tranquila”.

Rede cultural está a funcionar

O espectáculo ‘Pé ante Pés’, que hoje e amanhã sobe ao palco do Theatro Circo de Braga, é um dos projectos desenvolvidos pelo serviço educativo do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) de Guimarães e potenciado pela programação cultural em rede no âmbito do ‘Quadrilátero Urbano’.
Deste quadrilátero, que neste projecto em especial é a três, participam Braga, Guimarães e Famalicão, tendo Barcelos ficado ‘de fora’ por não ter uma sala de espectáculos segundo as regras do jogo.

“Este projecto surgiu da parceria e da candidatura que fizemos de programação cultural em rede”, indicou José Bastos, director artístico do CCVF. O desafio foi pensado e lançado a Joana Antunes, que o leva agora a cena.

Este foi já o segundo projecto, no âmbito do Quadrilátero Urbano que o CCVF apresentou aos parceiros. “Esta candidatura que fizemos é a dois anos, que define que cada um dos espaços culturais que integra a rede - Theatro Circo, Casa das Artes e Centro Cultural Vila Flor - apresente, em cada ano, os seus projectos”.
Uma rede cultural que, segundo José Bastos, “já foi funcionando noutras circunstâncias, como por exemplo o Theatro Circo e o Centro Cultural Vila Flor usarem já o mesmo sistema de bilhética”.

Lógica de complementaridade e trabalho articulado

Um caminho a seguir “numa lógica de complementaridade, num trabalho articulado, evitando a sobreposição e afirmando a dimensão cultural desta região”.
Para José Bastos, “obviamente que estes espaços, que têm claramente uma missão de serviço público, só são possíveis com financiamento público, de contrário não seria possível fazer um espectáculo como o ‘Pé ante Pés’, que recebe no máximo 30 espectadores de cada vez e que não é economicamente rentável, nem tem de ser, como não o é a saúde, nem a educação”.

Famalicão tem apostado, também, nestes espectáculos voltados para um novo tipo de público: bebés. “Temos tentado apresentar projectos que atinjam o maior númeto de público e estão previstos mais alguns espectáculos neste âmbito”, garantiu Álvaro Santos, director da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.

O responsável considera mesmo que ao trabalhar para bebés “estamos também a criar o hábito, a necessidade. É preciso criar este hábito de formar estrategicamente, não só com a apresentação de um espectáculo, mas através de ateliers, workshops e pequenos encontros”.
Uma ideia reiterada, também, por Hugo Loureiro, coordenador da programação do Theatro Circo. “Os espaços podem fazer acções fora do seu espaço físico e não se limitar às suas salas, indo de encontro à comunidade”.

As bases para o funcionamento em rede estão montadas, “essencialmente porque os três espaços falam entre si”, destaca José Bastos, apontando, todavia, para a necessidade de alteração do regulamento cultural do Quadrilátero Urbano, com vista a apresentar outro tipo de projectos “mais ambiciosos”.

Theatro Circo preparado para serviço educativo

“O Theatro Circo de Braga também tem apostado neste género de iniciativas mais voltadas para o público infantil e, por uma série de razões, ainda não houve oportunidade de criar um serviço educativo, mas o projecto está pronto para ser implementado”.
As garantias são dadas por Hugo Loureiro, responsável pela programação daquele espaço cultural.

“Este é um projecto, aliás, que já existe desde raiz, mas a ideia é obviamente vir a implementá-lo e, não há dúvida, que a vontade para o vir a concretizar surge nestas iniciativas mais isoladas”, afiançou. Recorde-se que também o Theatro Circo tem vindo a apostar, desde há cerca de dois anos para cá, com regularidade, na dinamização de ateliers, por exemplo, entre outras iniciativas, dirigidos precisamente para esta faixa etária, assim evidenciou Hugo Loureiro.

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