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Parada de Bouro: Clima ameno, as famosas laranjas e um território esculpido pelo Cávado
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Parada de Bouro: Clima ameno, as famosas laranjas e um território esculpido pelo Cávado

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Parada de Bouro: Clima ameno, as famosas laranjas e um território esculpido pelo Cávado

Vale do Ave

2021-04-16 às 06h00

Rui Miguel Graça Rui Miguel Graça

Parada tem um micro clima, razão para a existência de culturas impossíveis nas restantes freguesias do concelho. Terra de boa fruta, de vegetação luxuriante e de águas transparentes, viu o Cávado esculpir o seu leito no vale até à profundeza das rochas graníticas, num quadro de grande beleza.

Quando nascer o parque de caravanismo e de campismo, bem como quando forem terminadas as obras do miradouro no lugar de Pandozes sobre a barragem de Caniçada e o parque de merendas no lugar da Aldeia e, por último, o restauro da Ponte de Parada, a freguesia estará dotada de pormenores ímpares, vocacionadas para o turismo e lazer, que inseridas nas características de Parada vão potenciar ainda mais um território onde existe um micro clima, onde sobressai um clima ameno, propício a uma vegetação luxuriante e ainda a culturas impossíveis nas restantes freguesias de Vieira do Minho. A mais conhecida: a sumarenta e famosa laranja.
A partir do vale, esculpido pelo rio Cávado, Parada extende-se pela encosta sul até ao alto do monte de S. Mamede, cujo ponto mais alto fica à cota 743 e a partir do qual se observa um trecho panorâmico fabuloso sobre a albufeira e o Gerês.

Numa viagem pelos espaços históricos podemos observar a Ponte de Parada ou ponte do Boco, situada no lugar da Aldeia, sobre o Cávado, que liga a freguesia a Santa Maria do Bouro. Construída em 1909, de um só arco, foi uma das primeiras pontes do país a sair construída em cimento e surge numa zona aprazível e de uma estética diferenciada.
A Igreja Paroquial dedicada a S. Julião é de construção setecentista - 1789 - e foi reconstruída em 1983. No interior destaca-se a pia baptismal de granito, com decoração gravada na face externa e a memória do contributo das zeladora para as obras realizadas em 1871, como atesta a epígrafe conservada no enbasamento Obra paga pelas/mosas geladoras/ ano D 1871. Também do século XVIII, concretamente em 1732, e está no lugar do Cabo Além, surge a capela de Nossa Senhora dos Prazeres. Sobre a porta principal, um pequeno nicho abriga uma imagem de Nossa Senhora, em granito.

As festas e romarias de Parada de Bouro são dedicadas a São Julião - data variável em Agosto -, a Nossa Senhora dos Prazeres - no segundo domingo de Agosto - e ainda S. Sebastião, que acontece no primeiro domingo posterior a 20 de Janeiro. S. Sebastião que tem igualmente uma capela que lhe é dedicada. Construída em cantaria granítica, possui planta rectangular com alpendre fronteiro, suportado por quatro colunas, também em granito. Na padieira da porta está gravada a data de 1696.
Imperdível é igualmente a Vila Monteira, na vertente do Monte de Cidrô, onde se conservam ruínas de um povoado e se encontram diversos vestígios...

António Cardoso: “Terra de mil encantos, desenhada na margem esquerda do Cávado”

“Parada de Bouro é de facto uma freguesia com qualidades ímpares. Podemos destacar o seu micro clima que lhe confere características únicas, que se traduzem, na sua vegetação luxuriante, nas suas águas cristalinas e na prática de culturas. A sua singularidade não se esgota aqui. Em Para-da de Bouro há mais, muito mais. É rica em património religioso e arquitectónico, é rica em artesanato e em fruta. Aqui o artesanato é a manifestação cultural e o repositório das formas de vida da sua gente. Em Parada encontramos a famosa cestaria em vime, que do primitivo objectivo agrícola evoluiu para uma diversidade de formas e funções.
Tudo isto, aliado aos investimentos e obras realizadas pelo Município em colaboração com a Junta de Freguesia, fazem de Parada de Bouro um excelente local para viver”.

Das inovações em marcha ao que está projectado

concluída a requalificação do centro da freguesia que Parada de Bouro tem seguido uma estratégia de modernização. “A obra mais importante neste momento a realizar é o restauro da Ponte de Parada”, refere o autarca António Silva, projectando ainda o que está em marcha. “Em sintonia com a autarquia vai ser instalado um parque de lazer, com caravanismo e campismo, nos terrenos cedidos pela EDP por exemplo”, acrescenta. “Criar melhores acessos às habitações é um desejo, tal como concluir a rede de saneamento em toda a freguesia, que neste momento se encontra a 70 por cento”, destaca ainda.

São vários os projectos em Parada de Bouro, que vão ampliar a qualidade de vida e, também, embelezar ainda mais o património existente. “Estão previstas as requalificações no lugar do Cabo de Além, a fonte da Senhora dos Prazeres e, no lugar de Pandozes, a fonte de Fundevila. Ainda no mesmo lugar está a ser instalado um miradouro sobre a barragem da Caniçada” salienta António Silva, asseverando que a vista “é incrível”.

No que diz respeito ao turismo de alojamento local, a freguesia conta, actualmente, com dezanove habitações, muito procuradas na época estival. “A belíssima Quinta do Sorilhal é uma propriedade rural com 270 anos. Construída em granito em 1750 é de um incontornável valor histórico e faz parte do Património Arquitectónico de Portugal. A Casa tem capela”, refere António Silva, que destaca ainda “a casa da Senrela, com capela e brasão”. “A casa do Outeiro, a casa da Rua e ainda a casa do Vale, com o seu bonito portão armoriado, são igualmente casas de enorme relevo na freguesia”, considera ainda no que diz respeito a edifícios e propriedades que são cartões de visita de Parada.
Ao nível do associativismo, a Associação?Cultural e Recreativa de Parada de Bouro, a Associação Fanfarra Flores do Cávado e o Rancho Folclórico de Pan- dozes e o Grupo dos Romeiros garantem dinamismo e tradições.

Sentir os primórdios da nacionalidade

A freguesia de Parada de Bouro está situada a 13 quilómetros da sede do concelho, na margem esquerda do rio Cávado. O seu topónimo está associado à influência que o vizinho convento de Santa Maria de Bouro teve nos primórdios da nacionalidade.
Aliás, a história da povoação vem mencionada em documentos de 1059, antes do nascimento de Portugal. Teve foral e couto, doado por D. Sancho I à sua amante, Dona Maria Pais Ribeiro, também conhecida por Ribeirinha e aos filhos que dela tinha. Era composto pelas freguesias de Parada de Bouro, Frades e Friande (estas duas da Póvoa de Lanhoso) e chegou mesmo a ter o direito de administrar justiças nas situações de crimes, tinha cárcere e forca. A coluna do pelourinho está no actual cruzeiro.
Com a evolução dos tempos, a vila deixou de usufruir das regalias que a nobre Ribeirinha proporcionou, acabando incorporada em outro concelho, mas estar em Parada de Bouro é, claramente, conviver os primórdios da nacionalidade.

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