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Pedidos de ajuda alimentar disparam junto das IPSS

Braga

2020-05-25 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Presidente da União Distrital de Braga das Instituições Particulares de Solidariedade Social alerta para aumento de pedidos de ajuda alimentar, antevendo que a situação se venha a agravar muito.

A pandemia causada pela Covid-19 fez disparar o número de pedidos de ajuda alimentar feitos às instituições particulares de solidariedade social (IPSS) do distrito de Braga. Até agora o aumento de pedidos foi de 50%, mas a previsão é de que esse aumento chegue aos 100% devido às dificuldades económicas das famílias que se vão adensar.
A constatação desta realidade é feita pelo Cónego Roberto Rosmaninho Mariz, presidente da União Distrital de Braga das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS), o convidado desta semana do ‘Da Europa para o Minho’, programa da rádio Antena Minho apresentado por Paulo Monteiro, com o eurodeputado José Manuel Fernandes.

O Cónego Roberto Mariz explicou que a pandemia teve um duplo impacto na vida das IPSS: no modo como funcionam as respostas sociais para as crianças, deficientes, idosos e juventude; e também na sua dimensão mais caritativa.
É nesta segunda dimensão que se tem verificado um aumento brutal dos pedidos de ajuda, concretamente ajuda alimentar.

A resposta tem sido dada através da Cáritas Arquidiocesana e dos centros sociais que prestam serviços como a cantina social e a ajuda da prestação alimentar que é feita no âmbito da Segurança Social e em articulação com a União Europeia.
O presidente da UDIPSS considera que o aumento das dificuldades económicas das famílias vai acabar por ter impacto também na vida das próprias instituições. Um impacto que se deve começar a sentir “dentro de um ou dois meses” e que se reflectirá nas mensalidades. “Se as famílias têm menos rendimentos isso vai reflectir-se depois nas mensalidades que as instituições cobram”, explicou o cónego, que é também o presidente do Centro Social de São Lázaro.

Situação em lares causou “pavor”, mas está a normalizar

O Cónego Roberto Mariz reconhece que “hoje as coisas já estão muito mais serenas” e que é “com alegria” que assiste ao regresso de “alguma normalidade” nos lares. Espera, porém, que não se dêem “passos para trás”.
O presidente da UDIPSS recordou que “quando apareceu o problema, em Março, a nível geral da sociedade, nem todos perceberam a gravidade do que estava para chegar”.
Quando a gravidade “se ampliou” o que as instituições fizeram foi “procurar ajustar-se da melhor maneira para que a contaminação acontecesse o mínimo possível no seu interior, onde vive uma população mais fragilizada pela variável que é a idade, e com a complicação de outras doenças”. Em algumas instituições conseguiu-se a 100% evitar a contaminação, mas noutras acabou por haver situações dramáticas, “e não porque elas não tiveram todo o empenho e feito um grande esforço para tal não acontecesse”.

O presidente da UDIPSS louva o trabalho dos colaboradores, que ao aceitarem trabalhar em turnos de 14 dias sem sair da instituição tiveram um papel fundamental para evitar contágios. “Foi muito duro para estes profissionais”, salienta.
No decorrer das fases mais dramáticas foi muitas vezes questionado se as instituições teriam os recursos humanos suficientes. O cónego Mariz afirma que os lares tinham os recursos humanos necessários, de acordo com o que está padronizado para o sector social e lembra que os lares são “uma resposta social e não são clínicas de saúde”.

Quando surge a contaminação e começam a ser impostas quarentenas, as instituições que têm valências de infância (encerradas) tinham uma bolsa de recursos humanos que as ajudou a dar resposta à situação compensando ausências por quarentena. Nos casos em que não existem valências de infância, essas instituições sentiram “um aperto imenso em conseguir recursos humanos”.
Entre o fim de Março até à 3.ª semana de Abril essas instituições passaram por “contingências muito difíceis” e viram-se “aflitas” para conseguir contratar recursos para compensar quem não podia estar a trabalhar.

IPSS pedem apoio para comprar material de protecção individual

O presidente da UDIPSS reivindica que é necessário repensar o apoio que é dado às instituições para que estas consigam fazer face ao aumento da despesa que advém da necessidade de adquirir equipamentos de protecção individual (EPI), outra consequência da pandemia.
No início do ano, a comparticipação financeira da Segurança Social foi actualizada em 3,5%, mas as instituições lidam agora com uma nova realidade que implica gastos muito significativos na aquisição de EPI.
O Cónego Roberto Mariz recorda que já antes da pandemia a situação financeira das IPSS não era a melhor. “E a Covid-19 só veio piorar a situação”, devido a “todo o material de EPI e desinfecção que foi necessário adquirir e continua a ser”.
“É certo que a comunidade se mobilizou, mas percebe-se que isso não serviu para todas as necessidades. Ainda há uns dias, o responsável de uma instituição me dizia que os gastos mensais com este material superam os que tem com alimentação. Ou seja, se o Estado não ajudar a comparticipar esta despesa acrescida as dificuldades vão ser muito maiores”, refere o presidente da UDIPSS, realçando que não tem conhecimento de que alguma instituição se tenha recusado a adquirir esse material de protecção apesar das dificuldades que possa ter.

Manter testes de rastreio é essencial para travar contágio

Depois das creches terem reaberto no passado dia 18, embora ainda com uma frequência muito baixa por parte das crianças, as IPSS mobilizam-se agora para a nova fase que arranca a 1 de Junho, altura em que vai regressar o ensino pré-escolar.
O presidente da União Distrital de Braga das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) realça que esta vai ser uma nova fase para as instituições, que assim vão reabrir todos os seus espaços.
“Da nossa parte, compete-nos acolher e tomar as medidas e todos os cuidados para trabalhar nesta nova realidade”, refere o cónego Roberto Rosmaninho Mariz, admitindo que, apesar de tudo, existe sempre “algum receio”, tanto “da parte dos pais como dos funcionários”.

Nesta fase, “o que nos compete é criar a melhor confiança possível para lidar com esta nova realidade”, acrescentou o responsável, na conversa que manteve com o director do Correio do Minho e da rádio Antena Minho, Paulo Monteiro, e com o eurodeputado José Manuel Fernandes, no programa ‘Da Europa para o Minho’.
A adesão às creches não tem sido muita. O cónego Mariz dá como exemplo a IPSS a que o próprio preside, o Centro Social de São Lázaro, que tem 200 crianças em creche. “Dessas, houve 20 pais que manifestaram interesse em vir na reabertura, mas no primeiro dia só tivemos sete crianças”, conta
No pré-escolar a situação já será diferente, esperando-se uma afluência mais elevada, mas mesmo assim “nem todas as crianças virão, porque temos consciência que há pais que vão procurar soluções junto da família” nesta fase.

Importante para conquistar tanto a confiança dos pais e encarregados de educação, como dos profissionais das IPSS, tem sido a realização dos testes de rastreio.
Antes da abertura das creches, funcionários e educadores foram testados e o mesmo está a acontecer nesta preparação da abertura do pré-escolar.
“No distrito de Braga está a ser toda a gente testada para abrir a 1 de Junho totalmente”, nota o presidente da UDIPSS, realçando a importância dos testes de rastreio.

“O que é necessário é que esta capacidade de testagem se mantenha. Só assim conseguiremos detectar algum foco de contágio e actuar logo que ele surja, evitando que se generalize pela instituição e leve a situações muito mais complicadas”, alerta.
Recorde-se que a realização de testes foi fundamental para estancar a grave situação que se viveu em alguns lares de idosos e também para garantir que outros se mantinham limpos da pandemia.
O cónego Roberto Mariz reconhece e agradece, neste contexto, “o grande esforço” que tem sido realizado pelas Câmaras Municipais na realização de testes de despiste à Covid-19 a utentes e colaboradores das várias respostas sociais das IPSS.

Visitas retomadas com regras

As visitas aos lares de idosos têm sido retomadas, com as devidas cautelas e sempre que existem condições para que tal aconteça. “Há instituições que, de modo articulado com a autoridade de saúde, já estão a permitir visitas aos idosos”, contou o presidente da UDIPSS, realçando, porém, que cada caso é um caso. Isto porque se é possível ter um espaço desinfectado para que o idoso receba a visita, mantendo a distância de segurança, a situação já se complica, por exemplo, no caso de idosos acamados, que muitas vezes dividem o quarto.
Certo é que aos poucos as visitas vão sendo retomadas, amenizando assim um dos mais duros efeitos desta pandemia, que foi o afastamento entre familiares.
A proibição de visitas estava já a ter consequências a nível psicológico em alguns idosos, com os cuidadores a notá-los mais débeis e com dificuldade de lidar com uma situação que se arrasta há muitas semanas.

As instituições fizeram um esforço para que, durante esse período, a ausência física fosse sendo colmatada com recurso ao digital. “Houve um grande esforço para manter o contacto com familiares através das novas tecnologias e isso ajudou”, reconhece o cónego Mariz.
Depois de ouvir o eurodeputado José Manuel Fernandes defender que devia “haver um plano à escala da União Europeia” para lidar com esta situação dos lares, o presidente da UDIPSS sugeriu que “seria interessante” que a UE potenciasse esta comunicação digital, por exemplo financiando o apetrechamento das instituições. “Seria bom, não apenas nesta altura de pandemia, mas até para o dia-a-dia das instituições”, acrescentou.
Já o eurodeputado aproveitou para elogiar o trabalho das IPSS, desafiando que seria interessante perceber quanto é que o trabalho realizado por estas instituições custaria ao Orçamento de Estado se elas não existissem.

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