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‘Porto e Norte’ cria gabinete de apoio ao empresário e microsite
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‘Porto e Norte’ cria gabinete de apoio ao empresário e microsite

Entrevistas

2020-03-25 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Turismo paralisou com a pandemia do novo coronavírus. Na região Norte, foi interrompido período histórico de crescimento do sector. Presidente da Entidade Regional de Turismo confia na recuperação.

A Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal criou um gabinete de apoio ao empresário e está a construir um microsite para apoiar os empresários do sector a enfrentarem a actual paralisação do sector por força da limitações de circulação impostas no âmbito do combate à pandemia provocada pelo novo coronavírus.
Luís Pedro Martins, o presidente daquela entidade, considera que “ainda há muita desinformação” relativamente aos apoios de emergência criados pelo Governo para socorrer o sector turístico nesta fase.
“Para responder em tempo real” às dúvidas dos empresários sobre os requisitos de acesso aos apoios governamentais, e Entidade Regional instalou um gabinete de apoio e avançou com um microsite, considerando Luís Pedro Martins que é prioritário, nesta fase, “ajudar as empresas para que não haja despedimentos”, algo que se apresenta como muito difícil de conseguir em fase do encerramento da actividade de unidades de alojamento, restaurantes e outros operadores turísticos.

Em entrevista à Rádio Antena Minho, o presidente da ‘Porto e Norte’ entende que o apoio às empresas do sector tem de ter, como objectivo imediato, “mitigar o impacto do Covid-19”, algo que se faz com linhas de apoio à tesouraria e outros créditos e com as medidas de natureza fiscal já aprovadas pelo Governo.
No acual clima de incerteza quanto a uma recuperação da actividade turística, Luís Pedro Martins reconhece que os apoios governamentais “não serão suficientes”, atendendo às perdas que o sector está a sofrer e aos prejuízos que terá no futuro próximo.

O Governo aprovou linhas de crédito para as empresas do sector do Turismo, das mais atingidas pelo Covid-19, garantidas pelo Estado e disponibilizadas através do sistema bancário.
Restaurantes e similares têm disponíveis 600 milhões de euros, dos quais 270 milhões para micro e pequenas empresas; as agências de viagens, empresas de animação, organização de eventos e similares contam com 200 milhões de euros, 75 milhões destinados a micro e pequenas empresas; os empreendimentos e alojamento turístico beneficiam de 900 milhões de euros, dos quais 300 milhões para micro e pequenas empresas.

Entidade divulga medidas de apoio ao sector

Com uma dotação de 60 milhões de euros, o Governo criou uma linha de apoio à tesouraria para microempresas do Turismo.
O crédito dirige-se a empresas ou empresários em nome individual com menos de 10 postos de trabalho e cujo volume de negócios anual ou balanço total anual não exceda os dois milhões de euros, com actividade em território nacional e certificação PME.
Este apoio financeiro é calculado tendo em conta o número de trabalhadores existente na empresa em Fevereiro deste ano, multiplicado por 750 euros por cada trabalhador e pelo período de três meses, até ao montante máximo de 20 mil euros por empresa.
Esta ajuda não vence juros e é reembolsado no prazo de três anos, incluindo um período de carência de 12 meses.

A linha de apoio à tesouraria para microempresas do Turismo mantém-se em vigor até ser alcançada a dotação orçamental prevista, no valor de 60 milhões de euros.
As candidaturas são submetidas através de formulário a disponibilizar no Portal Business do Turismo de Portugal que ficará disponível já nos próximos dias.
O Turismo de Portugal disponibilizou também outras medidas de apoio, entre as quais a suspensão de reembolsos em projectos com amortizações de empréstimo em execução.
Com igual objectivo de apoiar as empresas do sector cuja actividade está a ser afectada pelos efeitos económicos e sociais do surto de Covid -19, a Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal está a divulgar uma nova linha de crédito, incluída no Programa Capitalizar 2018, destinada, especificamente, ao financiamento de necessidades de fundo de maneio e de tesouraria.

“Será pelo turismo que vamos começar a fazer a recuperação económica”

“Flagelo” é a palavra que o presidente da Entidade Regional de Turismo e Norte de Portugal utiliza para caracterizar o situação vivida actualmente pelo sector, o primeiro a sofrer os impactos da pandemia do Covid-19. “Os números da actividade turística, na região, em Janeiro e Fevereiro, foram impressionantes”, mas Luís Pedro Martins, em entrevista à rádio Antena Minho, não os quer sequer apresentar, contraditórios que estão com a realidade destes dias de hotéis vazios, restaurantes encerrados e eventos cancelados não se sabe até quando.

Apoiar as empresas a ultrapassar esta fase crítica em que a actividade turística esta praticamente reduzida a zero é a prioridade da Entidade Regional, mas Luís Pedro Martins quer “preparar”, desde já, o ‘day after’ de uma crise que surpreendeu um sector de actividade que se encontrava numa fase de crescimento assinalável, sobretudo na região Norte do país.
“Acredito que vai ser pelo turismo que vamos começar a fazer a recuperação económica e social do país e da região”, assume o presidente da ‘Porto e Norte’.
“Tenho falado com muitos empresários. As pessoas estão bastante unidas. Fizemos, em relação a esta crise, um excelente trabalho ao nível dos planos de contingência”, acrescenta comum discurso assumidamente optimista, antecipando já a preparação de “campanhas de promoção do nosso território” para quando o Covid-19 deixar as pessoas sair de casa.

“As pessoas vão ter uma ânsia enorme em sair de casa”, antevê Luís Pedro Martins, que confia na procura interna para relançar um sector que se viu mergulhado, abruptamente, numa crise sem precedentes.
Numa segunda fase de recuperação, o mercado espanhol será a segunda prioridade da Entidade Regional, pela proximidade e por constituir o primeiro mercado emissor de turistas para a região Norte.
Outros mercados internacionais serão para atacar numa fase posterior.
Questionado se esta não é uma perspectiva demasiado optimistas num tempo em que Portugal e o resto do Mundo vivem o pavor da nova pandemia vírica, Luís Pedro Martins declara: “Só não sei o tempo que precisamos para que cada uma dessas fases fique em velocidade cruzeiro”.

Insiste que as entidades oficiais e os empresários, no ‘dia seguinte’ à pandemia, vão ter de seduzir em primeiro lugar os turistas nacionais, já que “o mercado internacional vai demorar mais”.
Mesmo com esta perspectiva optimista de recuperação do sector do Turismo, o presidente da Entidade Regional do Porto e Norte de Portugal assume que 2020 será sempre um ano para esquecer. “Este ano é muito difícil recuperar de três ou quatro meses de paragem”, constata, apontando o caso particular da cidade de Braga que, após dois anos “fantásticos”, não beneficiará do afluxo de milhares de turistas na ‘época alta’ que voltaria a ser este ano a Semana Santa.“A cidade registou 500 mil dormidas em 2018, próximo das 600 mil em 2019 e preparava-se para bater novo recorde em 2020”, sinaliza o presidente da ‘Porto e Norte’.

Luís Pedro Martins compara o que aconteceu ao sector do Turismo com a crise do Covid-19 a uma “interrupção da emissão como antigamente acontecia com a televisão”.
“Quando nos interromperam, os números eram excelentes. Quanto voltarmos a ter emissão, a activar a nossa máquina, vamos ser os primeiros a arrancar”, reafirma o presidente da Entidade Regional de Turismo, que se afirma como “um homem de fé”.
Enquanto a máquina do Turismo não volta a arrancar, resta aos responsáveis da Entidade Regional convidar quem por estes dias se resguarda em casa a visitas virtuaisa, através da sua página Facebook, a monumentos e pontos de interesse da região Norte.

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