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“Portugal deve aproveitar esta onda imigratória do Brasil”
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Entrevistas

2020-02-03 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Rómulo Barreto, mediador municipal intercultural da Câmara Municipal de Braga, refere que o novo perfil de imigrantes constitui uma mais-valia que deve ser aproveitada pelo país.

É com o objectivo de promover a inclusão da comunidade imigrante e da comunidade cigana que a Câmara Municipal de Braga se candidatou ao Projecto Mediadores Municipais e Interculturais, financiado por fundos europeus. Rómulo Barreto, mediador municipal intercultural da autarquia bracarense e convidado desta semana do programa ‘Da Europa para o Minho’, programada da Rádio Antena Minho conduzido por Paulo Monteiro, explicou que o projecto, no terreno há cerca de um ano, está virado para a mediação de conflitos entre os imigrantes e as várias entidades. Rómulo assume o papel de mediador, uma espécie de elo de ligação entre a autarquia - e instituições parceiras - e os imigrantes, sobretudo da comunidade brasileira.

“O trabalho passa por desenvolver algumas actividades que visam dar a conhecer os direitos e deveres dos imigrantes, promover a interculturalidade, o convívio e, acima de tudo, a partilhar experiências”, afirma o mediador municipal, acrescentando que o propósito é que o convívio seja “o mais harmonioso possível” entre os imigrantes de diferentes origens que escolheram Braga para viver.
Rómulo Barreto esclarece ainda que o trabalho desenvolvido neste âmbito não é um trabalho “assistencialista”. “Não somos assistentes sociais, nem consultores. O nosso papel é dar, interpretar informação para que o imigrante se torne o mais autónomo possível e tenha acesso aos serviços mínimos necessários para se integrar e desenvolver”, avança, considerando que neste primeiro ano “conseguimos colher bons frutos”.

Há quatro anos a viver na cidade dos Arcebispos, Rómulo Barreto, de nacionalidade brasileira, é um exemplo de integração. Faz parte da nova ‘onda’ de imigrantes vindos do outro lado do oceano em busca do ‘eldourado’. O seu estatuto e o trabalho que tem desenvolvido no âmbito do projecto de mediadores municipais e interculturais da câmara de Braga permite-lhe falar com mais conhecimento sob o perfil do cidadão brasileiro que tem imigrado para Braga nos últimos anos.

Considerando que “cada um tem a sua história”, o responsável assume que, de um modo geral, o que observa de comum entre estes imigrantes é um descontentamento face à situação que se vive no Brasil. “É muito caro viver no Brasil. Para ter acesso aos direitos básicos é necessário complementar com a iniciativa privada e isso torna-se muito caro”, algo que não acontece em Portugal.
“Por outro lado é a oportunidade de conhecer um país com o qual já existe um vínculo estabelecido pelas gerações anteriores”, continua Rómulo Barreto, acrescentando que “muitos estão a fazer o caminho inverso das gerações passadas”, ou seja, vêm dar o seu contributo. E sendo, na sua maioria, quadros qualificados, são uma mais-valia para os países que os acolhem. Nesse sentido, deixa um conselho: “Portugal precisa de aproveitar a oportunidade desta onda de imigrantes. É um país envelhecido, tem necessidade de mão-de-obra qualificada. É uma oportunidade para se destacar na União Europeia”.

“Braga é uma cidade aberta à imigração e com oportunidades de investimento”

Voltando a frisar que não há um, mas vários factores que fazem de Braga o ‘eldorado’ para os brasileiros, Rómulo Barreto aponta alguns factores que estão na base da escolha. Para este imigrante, Braga é uma cidade “aberta à imigração”, com várias oportunidades oferecidas por entidades públicas, das quais se destaca a câmara de Braga.
As oportunidades de investimento também têm um peso considerável na hora da escolha, assim como a qualidade de vida que a cidade oferece.
A UMinho, considerada como uma das melhores universidades portugueses, é outro dos factores de atracção, sobretudo para quem quer complementar os seus estudos.
“Há oportunidades de trabalho e de empreendedorismo”, refere ainda o mediador municipal, rejeitando, no entanto, que há semelhança de outras, Braga não é uma cidade perfeita. “Quem vem com a ideia que em Braga não há problemas terá grandes dificuldades para se adaptar”, alerta.

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