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Nacional

2010-03-04 às 11h41

Lusa Lusa

A ministra da Educação andorrana afirmou que a proposta de publicação de um jornal em língua portuguesa foi travada pelo Executivo porque viola a lei de política linguística do Principado.

A ministra da Educação andorrana afirmou que a proposta de publicação de um jornal em língua portuguesa foi travada pelo Executivo porque viola a lei de política linguística do Principado.

“Há uma lei. A lei de política linguística que é a lei que regula o uso da língua catalã e que não permite produzir uma publicação que não seja em catalão”, justificou Susanna Vela, em entrevista à Agência Lusa.

“A publicação pode fazer-se bilingue. Há várias revistas assim. Mas o catalão tem que estar sempre presente, seja num livro ou numa revista”, sublinhou.

Em causa está a polémica causada em torno do previsto lançamento esta semana - para coincidir com a visita ao principado do presidente da República, Cavaco Silva - do LusoJornal Andorra, uma versão local da publicação congénere já editada em França, mas que foi cancelado.

Seria um jornal em português, com 16 páginas e publicação quinzenal que, segundo José Luis Carvalho, ex-conselheiro das Comunidades e diretor da empresa que pretendia lançar a publicação, tinha como público-alvo os cerca de 14 mil portugueses que vivem e trabalham em Andorra.

Uma semana antes do lançamento foram informados pelo Governo de que só poderiam publicar o jornal se fosse bilingue, algo incomportável financeiramente, insistem os responsáveis do projeto.

Questionada pela Lusa sobre o facto de que em todos os países se permitem publicações noutras línguas, Vela disse que o tema chegou a ser debatido no Executivo e que as publicações podem ser exclusivas para uma comunidade.

“Se for uma publicação exclusivamente para a comunidade portuguesa, não há problema. Mas esta publicação não era assim e podia encontrar-se em qualquer edifício público ou privado”, afirmou.

“Se for uma publicação destinada exclusivamente à comunidade, pode estar em português. Mas se for para o público em geral terá que ser em catalão e, claro, depois traduzida noutras línguas”, disse a ministra, considerando que uma alternativa poderia ser, por exemplo, um sistema de assinatura.

Susana Vela considerou, porém, que fazer uma publicação exclusivamente em português acaba por ser “menos integradora”, não contribuindo para que a comunidade andorrana e a comunidade portuguesa se conheçam mutuamente.

“Mais integradora é dizer que estamos num país onde a língua oficial é o catalão. Quando se vai a um país novo temos que aprender essa língua, para conhecer outras pessoas e os seus costumes”, afirmou.

Vela mostrou-se convicta que a questão da língua portuguesa em Andorra não deverá afetar o relacionamento entre o Principado e Portugal.

A ministra insistiu que “há outros instrumentos de aproximação” e defendeu que o Instituto Camões deveria abrir uma delegação em Andorra para “oferecer cultura portuguesa, aulas de português para todos”, sendo igualmente vital promover eventos culturais andorranos em Portugal e portugueses em Andorra.

“Temos que trabalhar neste aspeto. Intercambiar artistas, organizar exposições, fortalecer os laços. Penso que continuamos a conhecer-nos pouco. Além da música, há uma parte muito grande da cultura portuguesa que é desconhecida”, disse.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

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