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PR/Espanha: Cineasta português de 80 anos radicado em Barcelona condecorado por Cavaco
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PR/Espanha: Cineasta português de 80 anos radicado em Barcelona condecorado por Cavaco

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Nacional

2010-03-04 às 16h59

Lusa Lusa

José Maria Nunes, 80 anos, cineasta desde 1950 e um apaixonado de Barcelona - “uma das cidades mais cultas da civilização” - é hoje condecorado pelo Presidente da República português, na véspera de estrear o seu novo filme, “Res publica”.

José Maria Nunes, 80 anos, cineasta desde 1950 e um apaixonado de Barcelona - “uma das cidades mais cultas da civilização” - é hoje condecorado pelo Presidente da República português, na véspera de estrear o seu novo filme, “Res publica”.

Numa entrevista à Lusa, o cineasta, natural de Faro, contou a sua vida de “espetador apaixonado do cinema”, de homem das “ideias e da imaginação” que escreveu o primeiro guião aos nove anos e realizou o primeiro filme aos 20.

Por esse filme, “Mañana” de 1957, é ainda hoje considerado pai da escola de cinema de Barcelona, mais que um estilo ou um género, uma forma de ver e viver o cinema e de “moldar inteligência e emoção”.

“Diz-se ‘não deixes para amanhã o que podes fazer hoje’. Mas eu defendo o contrário. Deixar para amanhã o que posso fazer hoje”, comenta, explicando o filme, uma coleção de ‘sketchs’ que arranca com “um homem que prefere ficar a tocar clarinete a noite toda a ir fazer as suas tarefas”.

Direto, sem convenções, experimental e ainda hoje pronto para qualquer desafio, Nunes realizou 14 filmes e colaborou num total de 27. Cinema experimental que ainda hoje produz.

É o caso da sua mais recente obra, “Res publica”, um filme com um único ator (José María Blanco), que Nunes explica ser “uma apologia do suicídio”, um filme onde afirma “que cada indivíduo pode ser livre, mesmo ao ponto de dispor da sua própria vida”.

“Está sozinho, interage com outras personagens que não se vêem e vai explicando os seus protestos contra a época em que vive. É uma apologia da liberdade plena”, afirma Nunes.

A sua primeira inspiração para o cinema foi o primo, ainda em Portugal, que recebia muita publicidade de cinema que Nunes, ávido, lia sem parar. Foi daí que nasceu uma primeira tentativa de guião. Seria em Sevilha, porém, que nasceu o “primeiro guião a sério”.

“Sou imigrante. Imigrei por necessidade com o meu pai. Decidiu sair de Portugal. Estivemos cinco anos em Sevilha, mas eu sempre quis fazer cinema e convenci-o a vir para Barcelona”, conta.

“Barcelona é uma das cidades mais cultas de todas as civilizações. É um sítio de cultura extraordinária, muito interessante cultural e artisticamente. Cheguei com 17 anos e hoje quando me perguntam a nacionalidade, digo que sou um ‘barcelonit’”, explica, rindo.

Admite não conhecer “quase nada do cinema português”, mas assume gostar de “alguns dos filmes daquele homem velhote, extraordinário… [Manoel de Oliveira]”,

“O cinema português tem poucas possibilidades de chegar ao grande público e por isso talvez seja interessante”, sugere.

Ainda não viu Avatar, de James Cameron, mas confirma que sim, que ouviu dizer que era revolucionário. Mas depois clarifica: “Estamos numa fase de cinema adormecido. Vejo com interesse os filmes, mas parece que não há novas ideias”.

“É possível que [o Avatar] possa ser o futuro. Mas para mim o futuro do cinema e de toda a arte são as ideias. E como se moldam com a inteligência. Esqueceram isto, com a mania de fazer grandes coisas, esquecem as ideias, a imaginação, a inteligência”, afirmou.

Hoje à noite, em Barcelona, receberá das mãos do Presidente da República, Cavaco Silva, a condecoração de Grande Oficial da Ordem de Santiago.

“Julgo que há muito mais pessoas que merecem isto que eu. Mas o título [da condecoração] entusiasma-me. Eu sou contra o serviço militar, a violência e a guerra. Mas assim, este título, porque está associado à cultura, parece amortecer a ideia de violência. Vou dizer isso ao senhor Presidente”, explica.

E depois remata: a filha tem estado a reunir toda a informação sobre a sua vida e a sua obra “num desses aparelhos que andam por aí”.

“Tem um aparelho desses? Então tome nota…. http…”


*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

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