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É preciso criar líderes com valores
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É preciso criar líderes com valores

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É preciso criar líderes com valores

Entrevistas

2019-10-14 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Tiago Corais, city councillor pela Câmara de Oxford pelo Partido Trabalhista Britânico, falou ao Correio do Minho das motivações que o levaram a candidatar-se e da experiência vivida. Um dia, confessou, gostava de regressar ao nosso país.

City councillor pela Câmara de Oxford pelo Partido Trabalhista Britânico há ano e meio, o bracarense Tiago Corais vai recandidatar-se em Maio do próximo ano. “Estou a gostar muito da experiência, porque trabalho com as pessoas mais bem preparadas. Lá colocamos valores naquilo que tentamos implementar”, assegurou Tiago Corais, acreditando que o caminho é esse: “os valores têm que se aprender na escola para criar líderes que trabalhem em equipa a pensar no sucesso conjunto”.
Como não sabe se volta a Portugal um dia, apesar de o querer fazer, Tiago Corais está na organização das ‘Conversas com Cidadãos do Mundo’ (que vai já para a 4.ª edição) que “têm como objectivo promover o intercâmbio de experiências entre cidadãos que se movem pelo mundo, que influenciem positivamente Portugal, consciencializando a sociedade sobre aquilo em que Portugal melhor se destaca em relação aos outros países e reflectir pontos em que se pode melhorar”. E nessas conversas, a ideia é “tentar trazer essas perspectivas de novos valores e aproveitar oportunidades (como a participação, esta semana, nas Jornadas de Engenharia e Gestão Industrial da Universidade do Minho) para espalhar a palavra”.

Ainda em conversa com o Correio do Minho, à margem da mesa redonda ‘Sentimento Europeu’, Tiago Corais confessou: “não sei se um dia volto, mas quero voltar. Quando estamos numa viagem destas compramos o bilhete de ida e nunca sabemos se voltamos. Tenho uma grande vontade de voltar um dia, mas nunca sabemos se haverá possibilidade ou não”.
Mas se algum dia voltar a Portugal, Tiago Corais “gostaria, como é lógico, de ter um papel mais activo”. E, o agora city councillor, assumiu: “quando vim para a esfera internacional foi com o objectivo de aprender, ver outras culturas e, se um dia voltar, ser uma pessoa com mais capacidade”.
A questão dos valores é, na sua opinião, fundamental, defendendo que é tudo uma questão de mentalidade e cultura. “O nosso sistema de ensino, e em geral no mundo ocidental, foca-se muito no sucesso individual, onde o indivíduo é pressionado a conquistar e a crescer, não a dar”.

Em Inglaterra, admitiu o bracarense, também é “um pouco assim, e prova disso é a abstenção”. Perante esta realidade, o city councillor foi peremptório: “acho que os valores têm que se aprender na escola, claro que temos que ter uma formação que prepare para o mundo do trabalho, para os novos desafios, mas temos que criar líderes e isso não pode ser a pensar no seu umbigo, mas a pensar na sociedade e no trabalho de equipa para ter sucesso em conjunto”.
A competitividade no emprego acaba por levar, ainda na opinião do bracarense, “a própria escola a não ter tempo para ensinar os valores e esse é um caminho errado”. Para Tiago Corais “o sucesso está interligado à felicidade e a felicidade não é ganhar dinheiro, claro que há mínimos, mas conseguir concretizar o projecto de vida”.
Neste contexto, desafiou o city councillor, “cada um precisa perceber a sua hierarquia de valores e conquistá-los para principalmente viver a vida”.

Em Oxford, concluiu Tiago Corais, “há salários para que as pessoas possam viver, casas com preços acessíveis e valoriza-se as empresas locais”. E deixou mais um apelo: “temos hora de entrar e sair do trabalho. Aqui criou-se o hábito de trabalhar 10 a 12 horas. É preciso encontrar o equilíbrio entre a família e o trabalho, trazendo valores para as empresas e criatividade, o que permite automaticamente produzir muito mais.”

Bracarense está em Oxford a “fazer a diferença”

Com a ambição de “aprender o máximo possível e fazer a diferença” entre os moradores de Littlemore, em Oxford, o bracarense Tiago Corais está a gostar tanto da actividade de city councillor, para o qual foi eleito em Maio do ano passado, que se vai recandidatar nas eleições, marcadas para o próximo ano. Sobre o acordo do Brexit, o bracarense foi peremptório: “é impossível ser implementado”.
Apaixonado pela participação na comunidade e na política, o bracarense quando chegou a Oxford tentou perceber, de imediato, como funcionava o sistema. “Com o Brexit achei que não estava numa posição ideal, além disso a minha filha tinha acabado de nascer e lá a vida autárquica é diferente de cá. Temos as nossas carreiras e estamos na política em part-time, o que complica um bocadinho mais a vida. Mesmo assim decidi avançar”, confidenciou o bracarense, em conversa ao Correio do Minho, explicando que o processo de candidatura “é completamente diferente do português. “Entrei na política em Inglaterra, porque o sistema está feito para isso, quem quer entra e mostra argumentos para isso”, referiu.

Mas quando ganhou as eleições, Tiago Morais pensava que ia ser um mandato de quatro anos, mas não. “Na política britânica todos os círculos eleitorais têm que ter o mesmo número de eleitores e residentes. O que aconteceu é que basta um círculo ter mais cinco ou 10 % e tem que se reestruturar os círculos e quando entro, por causa disso, o mandato passou a ser de dois anos”, explicou.
Por isso, o bracarense estabeleceu dois objectivos fulcrais para estes dois anos: “tentar aprender ao máximo a função e de que forma poderia ser mais efectivo na minha comunidade de Littlemore e inscrevi-me no máximo possível de comissões que poderia estar, porque o Labour é maioritário e permite isso”.
O que mais o fascina nesta função é o “contacto directo e frequente” com a população. “O que mais gosto na actividade de city councillor é conversar com os residentes nos contactos semanais, escutar as sua opiniões e ajudá-los a resolver os problemas. Isto é uma experiência enorme, porque realmente ficamos a perceber quais são os problemas não só da cidade mas também da nossa ‘ward’ e este contacto directo com a população é muito importante”, defendeu.

Há eleições para o próximo ano e Tiago Corais já foi seleccionado pelo Labour para se recandidatar. “Durante este ano e quatro meses, tive a sorte de trabalhar com inspiradores councillors Gill Sanders e John Tanner”, escreve Taigo Corais no discurso de apresentação aos militantes, quando o escolheram para se recandidatar a Oxford City Councillor pelo Partido Trabalhista.
E o bracarense continua: “nos primeiros dois anos como city councillor, as minhas ambições foram aprender o máximo possível como fazer a diferença para os moradores de Littlemore, como também envolver-me com a comunidade. Littlemore merece o melhor, e a minha experiência como city councillor deu uma visão clara do que ‘ward’ de Littlemore e a cidade de Oxford precisam para os próximos quatro anos”.

Brexit “é impossível de implementar”

A saída do Reino Unido da União Europeia com acordo parece estar praticamente fora de questão.
E sobre o acordo do Brexit, Tiago Corais assumiu, de imediato, que “é impossível implementar o Brexit, já que a Irlanda torna isso impossível”, lamentando que ainda, passados três anos, não haja um plano, porque “as pessoas votaram no abstracto”.
Tiago Corais afirma que apesar do Brexit ser apresentado pelos seus defensores como a “emancipação” do Reino Unido sobre a Europa, que quer estabelecer acordos comericais com o mundo, “não deixa de ser um movimento que apela à nostalgia dos tempos do império britânico, como na prática é uma corrente anti-globalização e de isolamento do mundo”.
Se o acordo do Brexit existir, continuou Tiago Corais, para além das questões económicas vai passar a haver também algumas restrições à entrada das pessoas.

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