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É preciso recordar o Holocausto para que não volte a acontecer

Braga

2020-01-26 às 16h33

José Paulo Silva José Paulo Silva

Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva acolheu uma tertúlia com memórias do Holocausto. Para que erros do passado como esse não se repitam.

Zina Kleinman Liebermann, sobrevivente do Holocausto nazi, a viver em Portugal desde 1948, “guardou para si as memórias trágicas, raramente as mencionou, não alimentou o ódio mas diz que esquecer nunca”. O testemunho, revelado ontem à tarde, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (BLCS), por intermédio da neta Joana e da filha Esther, resume a mensagem que a Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática pretendeu passar, na antecipação do Dia Internacional da Memória do Holocausto, que amanhã se assinala.

Rosa Cabecinhas, moderadora da tertúlia ‘Portugal e o Holocausto’, que encheu o auditório da BLCS, relevou que o genocídio de milhões de judeus no período da Segunda Guerra Mundial, “é algo que faz parte do nosso presente, que deve estar muito vivo na memória das pessoas” para que não se repita.
Na tertúlia de ontem, Joana e Esher relataram o percurso de Zina, mulher de uma família judia da Letónia que, após a passagem por campos de concentração na Polónia e o assassinato dos pais e de outros familiares pelos nazis, chega a Portugal no final da década de 40 do século passado.

“Achou o povo português caloroso e simpático, mas ficou chocada com o analfabetismo e com costumes retrógrados a que não estava habituada e que, do seu ponto de vista, revelavam uma sociedade atrasada”, relatou através da neta Joana. Esta deu também nota de que a avó “não sentiu anti-semitismo em Portugal”, adaptando-se à vida portuguesa e criando amizades dentro e fora da comunidade judaica.
A historiadora Irene Pimentel, convidada também para a tertúlia de ontem, abordou “a rota do holocausto em Portugal”, apesar da política de neutralidade seguida na Grande Guerra, conseguindo Salazar manter a “política de país de trânsito” de judeus em fuga da morte certa às mãos do regime nazi.

Miriam Assor, jornalista, autora de ‘Judeus ilustres de Portugal’, relevou o papel de vários diplomatas portugueses, com destaque natural para Aristides de Sousa Mendes, na atribuição de vistos temporários que permitiram a milhares de judeus entrar em Portugal com destino a outros países de África e América.
“Fizeram-no de livre vontade, não por orientação do Estado”, referiu esta lisboeta judaica, esperançada de que “os erros do passado não se repitam. Nunca. Nunca”.

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