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Preparação do novo ano exigiu “motivação e muita imaginação”
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Preparação do novo ano exigiu “motivação e muita imaginação”

Entrevistas

2020-09-23 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Realidades diferentes nos sete estabelecimentos do Agrupamento de Escolas de Celeirós tornaram o arranque do novo ano lectivo “muito desgastante”. Desfasamento de horários é solução.

A experiência piloto vivida no final do ano lectivo anterior foi “fundamental” para permitir agora adaptar as melhores estratégias. Mesmo assim, o arranque do novo ano lectivo está a ser “bastante desgastante”, confidenciou a directora do Agrupamento de Escolas de Celeirós. Célia Simões confessou que esta preparação exigiu “bastante motivação e muita imaginação ao mesmo tempo”.
Apesar de todo o trabalho, não se conseguiu o ideal, porque para isso “teriam que ser construídas escolas de novo”, desabafou a directora, referindo que “não se teve de preparar uma escola, mas sete escolas e isso implicou sete planos adaptados a sete realidades diferentes, procurando fazer o melhor e cumprindo ao máximo as directrizes”.

No pré-escolar, nas escolas com duas salas, vai ser possível fazer o desfasamento e, por isso, “é tranquilo”, admitiu Célia Simões, adiantando que no 1.º ciclo as entradas e saídas, bem como os almoços também são desfasados, havendo turmas a entrar com meia hora de diferença.
Já na EB2,3 de Celeirós não é possível fazer o desfasamento, porque os alunos utilizam os transportes públicos. “O que fizemos foi alargar o horário escolar, passou das 8.15 às 18.20 horas para termos turmas só de manhã e turmas só de tarde, permitindo que haja menos alunos em simultâneo e também a nível de transportes possa haver menos pessoas nos autocarros”, explicou a directora, referindo que também foi alargada a hora do almoço com intervalo de 50 minutos entre a saída de turmas e entrada de novas turmas para haver mais higienização dos espaços. “O objectivo é ter uma turma por sala, tendo uma turma de manhã e outra à tarde e no intervalo se faça a higienização”, referiu.

Reforço de pessoal não docente “é absolutamente imprescindível”

Todos os anos, a falta de pessoal não docente é notícia. Este ano, a situação complica-se. “Espero que a breve prazo seja feito um reforço de pessoal que é absolutamente imprescindível para este ano”, pediu a directora do Agrupamento de Escolas de Celeirós, Célia Simões, tendo consciência que para os que estão na escola “vai ser um ano difícil pela missão de grande exigência e de responsabilidade” que têm.
Peça-chave no funcionamento de uma escola, os assistentes operacionais “são sempre em número exíguo”. Se o ano passado, o agrupamento até estava no rácio e em condições para arrancar, este ano lectivo a situação é “totalmente díspare”. E Célia Simões justificou: “as regras de higienização e exigências são completamente diferentes e é extremamente complexo em qualquer um dos estabelecimentos garantir a higienização necessária”.
Para a directora, este é o “ponto mais deficitário” de todo o plano. “Basta faltar um único funcionário para termos um colapso. Isso vai acontecer e vai obrigar dia a dia a adaptar-nos e a ter que prescindir de algumas das regras, porque não é possível fazer isso sem pessoas”, alertou.

Reuniões com pais
Intervalos vão ser o “mais difícil de gerir”

As reuniões com os pais realizaram--se, excepcionalmente, antes das aulas começarem para “perceberem as dinâmicas e se sentirem mais seguros, tendo a oportunidade para colocar dúvidas”, justificou a directora do Agrupamento de Escolas de Celeirós, Célia Simões, defendendo que os pais “conhecendo as regras possam também preparar os filhos para entrar melhor na escola”.
As reuniões foram realizadas de forma desfasada e o balanço é “bastante positivo”, havendo uma ou outra preocupação, sobretudo, os intervalos.
“Algo que a mim também me preocupa, porque será a questão mais difícil de gerir”, assumiu. Célia Simões explicou: “em tempo de chuva o espaço coberto é muito reduzido e mesmo com condições favoráveis para ir para o exterior será muito difícil que os alunos se confinam a um determinado espaço sem socializar”. Por isso, todos estão “ansiosos, porque só a prática e o terreno é que vão permitir fazer os devidos ajustes”.

Transporte preocupa
Cantina e bares com restrições e regras

A cantina e bar da EB 2,3 de Celeirós vão continuar a funcionar, mas “com algumas restrições e bastantes regras”, informou a directora. Célia Simões adiantou que o acesso à cantina será feito por escalonamento entre as 12 e as 14.30 horas, para que o espaço seja devidamente desinfectado entre utilizações.
Em relação ao bar, a directora avisou que “não podem estar tantos alunos à espera de ser atendidos”. Por isso, já foram criadas duas filas para delimitar o número de alunos e criar ordem. No entanto, o agrupamento está a incentivar os encarregados de educação para que os alunos levem lanche de casa. “Quando estiver de chuva, por exemplo, estamos a ponderar que os alunos se mantenham na sala de aula nos intervalos mais pequenos e comer ali”, referiu.
A questão do transporte também “preocupa bastante” Célia Simões, sabendo-se que os alunos “não vão ter grande supervisão e a situação pode complicar-se e aí está fora do controle da escola”.

Bem-estar sócio-emocional é prioridade

Apesar de toda esta “nova normalidade”, o Agrupamento de Escolas de Celeirós está “absolutamente pronto” para este novo ano lectivo. Para a directora do agrupamento, Célia Simões, o bem-estar sócio-emocional é prioridade, bem como a integração dos alunos sobre a própria parte curricular.
Com equipas de trabalho e planos de recuperação elaborados, o agrupamento vai começar por fazer um acolhimento do bem-estar sócio-emocional dos alunos, onde os professores estão já a efectivar esse trabalho.
Sem alunos a escola “é um lugar muito estranho”, mas quando os alunos forem confrontados com a realidade “vai ser difícil gerir estas emoções e as expectativas que têm”.

Também a pensar em todas as consequências que o confinamento provocou, o agrupamento candidatou-se ao Plano de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário e está a contratar um psicólogo para fazer um reforço do acompanhamento dos alunos. “Esta estabilidade vai ser fulcral para todo o desenvolvimento”, assumiu.
Um dos projectos do Agrupamento de Escolas de Celeirós que é o +Contigo, que tem como objectivos promover mais Saúde Mental e bem-estar, prevenindo comportamentos da esfera suicidária em jovens do 3.º ciclo. “Se já fazia sentido quando foi implementado, mais sentido faz hoje continuar”, justificou Célia Simões, garantindo que este projecto passa a ser “nuclear” no agrupamento, juntando-se aqui outros, como é o caso do Escola sem Bullying/Escola sem Violência.

A pensar nos alunos para quem a escola faz menos sentido, o agrupamento vai avançar com um novo projecto. Equilibrium Social Circus pretende chegar aos alunos através das metodologias de circo social, aumentando as competências e o sucesso pessoal e escolar. “Os técnicos vão estar, com os alunos identificados e que queiram fazer parte, no recreio, mas também no pavilhão, estimulando o espírito de resiliência e de equipa, competências fundamentais e estruturantes na personalidade do ser humano”, explicou a directora, mostrando-se com “muita expectativa” neste novo projecto.

Agrupamento aposta nas competências digitais

O Agrupamento de Escolas de Celeirós vai fazer um levantamento e um diagnóstico ao nível curricular para que em cada disciplina se faça os ajustes em termos de recuperação. Mas há mais. O agrupamento vai fazer também o levantamento das competências digitais dos alunos, estando já previsto um reforço no âmbito das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
“Vamos começar por fazer um reforço, a partir do 1.º ciclo, das competências digitais dos alunos”, assegurou a directora do agrupamento.

Célia Simões admitiu que em tempo de pandemia foi “uma das lacunas e fragilidades” detectadas e, por isso, “o programa curricular vai ficar um pouco para trás na disciplina de TIC para criar novas disciplinas, exactamente para ter as TIC do 5.º ao 9.º anos com maior incidência curricular”. Esta medida, nas palavras da directora, “é fundamental para prevenir o que possa vir a acontecer”.
Entretanto, o agrupamento vai manter o reforço em algumas medidas de apoio para ir ao encontro da necessidade de consolidação. “Vamos continuar a apostar nas medidas de sucesso, como a coadjuvação ou salas de estudo, mas vamos fazer um reforço no 1.º ciclo (1.º e 2.º anos) e 5.º ano, porque são os anos de mais transição e onde essa diferença se possa sentir mais”, explicou ainda a directora do agrupamento.

Consolidar e fazer novas parcerias
Papel da escola “é ainda mais fundamental”

Por este novo ano lectivo ser completamente atípico, a directora do Agrupamento de Escolas de Celeirós, Célia Simões, assume ainda mais a importância da escola. “O nosso papel é importante e fundamental, mas nesta altura o fundamental tem um ‘F’ grande”. E apesar das circunstâncias deste ano, “há alguns projectos que o agrupamento tem na calha e quer desenvolver também porque é importante trazer alguma normalidade aos alunos”, defendeu.
Neste processo, os projectos e parcerias que o agrupamento proporciona aos alunos acabam por ser uma mais-valia. A novidade este ano é o abraçar do Centurium -programa educativo que tem por base os jogos romanos de tabuleiro. Mas há muito mais.

“Pelo segundo ano vamos continuar o projecto Teach for Portugal, desta vez com dois mentores”, adiantou Célia Simões, destacando o ‘sucesso” deste projecto-piloto que se iniciou o ano lectivo anterior.
Os projectos de sucesso do agrupamento são para manter. “Temos um plano bastante diversificado com aposta, por exemplo, no Plano Nacional de Cinema ou nas actividades da comunidade”, referiu a directora do agrupamento, realçando que tudo será realizado “sobre um novo prisma e realidade” tal como vai acontecer com o projecto internacional ‘Three4Climate’ e o Erasmus.
Entretanto, os 2.º e 3.º ciclos da EB2,3 de Celeirós vão continuar com as mentorias.

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