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Presidentes de junta prevêem tempos “dramáticos” a nível social
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Presidentes de junta prevêem tempos “dramáticos” a nível social

Braga

2020-03-25 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Perda de rendimentos das famílias poderá dar origem a uma crise social a que as juntas prometem estar atentas. Para já o sentimento é de “impotência” já que não é possível chegar a todos.

É com o sentimento de preocupação e incerteza que os presidentes das juntas de freguesia urbanas do concelho olham para o futuro das suas populações do ponto de vista económico e social.
Num quadro previsível de perda de rendimento das famílias e o encerramento de muitos estabelecimentos comerciais, os autarcas da malha urbana antevêem meses difíceis.
O presidente da União de Freguesias de Maximinos, Sé e Cividade diz que as próximas semanas poderão ser “dramáticas” para algumas famílias que não vão conseguir fazer face às despesas diárias, nomeadamente ao pagamento das rendas. “Há famílias que vão perder rendimentos. Outras já viviam numa situação precária e com esta situação vão ficar ainda mais frágeis ”, explica Luís Pedroso, dando conta que há já casos aflitivos na união de freguesia que dirige.

“As pessoas ganhavam para o dia-a-dia e, de um momento para outro, deixaram de ter rendimentos”, continua o autarca, acrescentando que a chamada economia paralela de que muitos se faziam valer deixa de ser hoje também uma opção. “O problema maior vai verificar-se a partir da próxima semana”, assegura o autarca.
A par da falta de dinheiro, está também o isolamento social em que hoje muitos idosos vivem, sem qualquer retaguarda.
Muitos estão isolados porque os filhos evitam o contacto com os progenitores como medida profiláctica, sobretudo aquelas que sofrem de patologias crónicas. A rede de apoio social tem dado as respostas possíveis, sem esquecer também o apoio da auatrquia que lançou para o efeito a uma linha de apoio direccionada esta faixa etária. Neste âmbito, o autarca de Maximinos, Sé e Cividade destaca o papel incansável da Cáritas que continua a fazer uma trabalho meritório nesta zona da cidade.

“Há uma impotência muito grande porque não conseguimos chegar a todos”, admite o autarca que se mostra sobretudo preocupado com as freguesias da Sé e Maximinos, onde o número de cidadãos idosos é mais expressivo.
O sentimento de apreensão em relação ao futuro é também expresso pelo presidente da Junta de Freguesia de S. Victor.
Ricardo Silva diz que a economia vai sofrer um duro golpe, com graves consequências a nível social. “Há estabelecimentos que não vão abrir, acarretando uma crise social, com rendas, por exemplo, que vão ficar em dívida”, diz o autarca de S. Victor. “Estou muito apreensivo com o que aí vem. Abril e Maio vão ser meses dificílimos Acumulam-se as contas para pagar, as dívidas e não há soluções mágicas”, prossegue Ricardo Silva, adiantando que apesar da ajuda “não sei se poderemos assistir a todos os casos”.

Com o despoletar desta situação provocada pelo Covid-19, a Junta de Freguesia de S. Victor criou o programa de apoio ‘Freguesia Cuidadora’ com duas vertentes: a assistencial (mais dedicada ao apoio a idosos) e a de voluntariado. “Logo que abrimos as inscrições para os voluntários recebemos 60 candidatos”, diz Ricardo Silva, dando conta que a rede social de apoio informal, composta essencialmente por voluntários, está a desempenhar um papel crucial nesta conjuntura. “O que nos vai faltar é a resposta oficial, aquela que vem do Estado. É aí que vamos ter alguns problemas”, continua o autarca. E remata: “ainda não estamos muito sensibilizados para o que vem aí”.
Já o presidente da Junta de Freguesia de S. Vicente prefere dar primazia à batalha que está a ser travada contra a propagação do Covid-19 para só depois se concentrar no que vem a seguir que “pode ser pior do que a crise económica que vivemos no período da Troika”.
“O importante é vencermos esta primeira guerra para depois sermos mais interventivos”, diz.

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