Correio do Minho

Braga, terça-feira

- +
Produção não dá resposta à procura da laranja de Amares
Companhia de Teatro de Braga vai abrir Festival Internacional de Teatro de Almagro

Produção não dá resposta à procura da laranja de Amares

'A Perdiz e o Sacrifício': quarto capítulo do livro de José Manuel Cruz

Produção não dá resposta à procura da laranja de Amares

Cávado

2021-05-16 às 06h00

José Paulo Silva José Paulo Silva

Feira Franca de Amares realizou-se ontem muito limitada pela pandemia. As vendas deram lugar a jornadas técnicas sobre a produção de citrinos.

Os critinos de Amares, nomeadamente a laranja, têm uma procura crescente a que a produção não consegue dar resposta. A constatação foi feita ontem pela presidente da associação AmarCitrus, Adelaide Pereira, no final das III?Jornadas Citrinos de Amares, iniciativa do programa da 76.ª edição da Feira Franca de Amares, este ano muito limitada no que respeita à venda de produtos locais.
A preocupação da líder da associação criada há três anos para apoiar e assessorar produtores locais de citrinos foi corroborada pelo presidente da Câmara Municipal, Manuel Moreira, segundo o qual a laranja de Amares, sendo um ícone do concelho, necessita de novos investidores ao nível da produção e da comercialização.

No arranque das jornadas técnicas que decorreram ontem no auditório Conde Ferreira, numa organização conjunta da AmarCitrus, associação Valoriza e União de Freguesias de Amares e Figueiredo, o edil manifestou o desejo de que a produção de citrinos possa vir a ter um desenvolvimento semelhante ao registado nos últimos anos pelo vinho verde loureiro. “Que seja repetido o passo que foi dado em relação ao vinho verde, tal como os citrinos, um produto de qualidade excelente”, afirmou Manuel Moreira.
A presidente da AmarCitrus recordou que os citrinos, com destaque para a laranja, já foram, no concelho de Amares, uma fonte de rendimento mais relevante que o vinho ou o milho, antes de muitos laranjais terem sido abandonados por falta de compradores da laranja que o presidente da União de Freguesias de Amares e Figueiredo, Paulo Brito, não hesitou em classificar como “a melhor do país”.

É este cenário que a AmarCitrus se propõe alterar, reconhecendo que “há cada vez mais procura” pela laranja de Amares, apesar de a mesma “não se encontrar à venda facilmente”.
Adelaide Pereira entende que os produtores de Amares devem aproveitar o momento actual de “maior consciencialização para a compra de produtos locais”, acrescentando valor aos citrinos através da “certificação biológica”.
Nesse sentido, a AmarCitrus vai avançar com workshops e mesas redondas sobre certificação de agricultura bio.

Com o objectivo de voltar a colocar a laranja de Amares no lugar de activo económico relevante, aquela associação, com o apoio da Direcção Regional de Agricultura e em parceria com uma “empresa-laboratório”, quer ajudar “à propagação da laranjeira de Amares”, espécie que consta do catálogo nacional de variedades fruteiras.
Tornar os laranjais novamente visíveis nas encostas do concelho de Amares, permitindo a valorização de “roteiros de laranjeiras em flor”, foi desafio lan- çado pela presidente da AmarCitrus numas jornadas onde foram abordadas questões técnicas sobre produção de critinos, apoios financeiros à actividade e a sua valorização enquanto activo turístico.

Valorização das ‘laranjinhas’ e de outras iguarias

A laranja de Amares tem vindo, nos últimos anos, a ser valorizado como matéria-prima para a confecção de compotas, licores, e produtos de pastelaria, ou como ingrediente noutras receitas gastronómicas.
Foi isso que se pretendeu evidenciar no ‘showcooking’ e degustação que encerrou, ontem à tarde, as III Jornadas Citrinos de Amares.
Elvira Araújo, autora do livro ‘Amares em Versos e Sabores’, presenteou os participantes nas Jornadas com ‘laranjinhas’, um doce tradicional à base de laranja e cenoura, um bolo de laranja e amêndoa e bifanas temperadas com sumo do citrino de Amares.
Esta entusiasta da culinária amarense, que tem investigado o receituário de doçaria onde a laranja é o ingrediente mais relevante, lamenta que a restauração e as pastelarias do concelho de Amares “não aproveitem melhor a laranja”.
Os ‘laranjinhas’, doce que Elvira Araújo aprendeu a confeccionar ainda criança, não é visto nas casas de especialidade do concelho, constata.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho