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Professores testam um ensino à distância com dificuldades
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Professores testam um ensino à distância com dificuldades

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Professores testam um ensino à distância com dificuldades

As Nossas Escolas

2020-03-23 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

Por Braga os professores têm feito ‘das tripas coração’ para manter a proximidade com os seus alunos, mas no arranque deste ‘ensino à distância’ apontam várias dificuldades e impreparação.

Foi uma reviravolta nunca vista na escola neste ano lectivo 2019/2020. Professores, alunos, encarregados de educação, pais, escolas, centros de estudo e Ministério da Educação unem esforços no sentido de garantir, à distância, o ensino-aprendizagem e responder à pandemia global provocada pelo coronavírus. As escolas e centros académicos estão a reinventar-se de várias formas, procurando estar o mais próximo possível dos alunos, mas os docentes alertam que há muitas “lacunas” que é preciso preencher.

“Ninguém estava preparado. Nem pais, nem alunos, nem professores”, confessou Graça Tomás, professora do 1.º Ciclo, que lecciona na EB1 de S. Pedro, dando conta de uma semana - a primeira do ‘Estado de Emergência’ decretado pelo Presidente da República. “Ao nível do 1.º Ciclo, estamos a falar de alunos de uma faixa etária baixa, são muito novos e é muitíssimo difícil trabalhar com eles através de plataformas digitais como a ‘Escola Virtual’ ou a ‘Escola Mágica’, primeiro porque nem nós próprios professores sabemos utilizá-las em toda a sua potencialidade (porque simplesmente não temos formação para tal) e segundo porque nem os próprios encarregados de educação têm conhecimento destas ferramentas, cujo acesso é também muito difícil devido ao congestionamento de ‘tráfego’ por parte dos utilizadores”, indicou. “Depois... há também um grupo de alunos mais vulnerável, que não tem acesso a um computador ou um tablet e que é preciso não esquecer”.

“São muitos os constrangimentos e, no meu caso, por exemplo, tenho formação acreditada para muitas matérias como a Matemática, Português, Estudo do Meio, etc., mas não para Informática, que seria muito útil neste momento. E isso é uma grande lacuna que existe”, lamentou a professora do 1.º Ciclo, frisando que o próprio feedback que lhe chega dos alunos não chega sequer aos 50 por cento.
“Estou a tentar estar o mais próximo possível dos meus alunos, enviando trabalhos, tentando esclarecer dúvidas, mas mesmos na utilização das plataformas disponíveis tem havido problemas no acesso. Na minha opinião, já deveríamos estar mais avançados a este nível e com os professores devidamente acreditados em áreas como a Informática, mesmo sabendo que existe aqui um grupo de alunos que está mais desprotegido e com dificuldade no acesso às tecnologias digitais e para o qual deve ser também acautelada uma resposta específica da parte do Ministério da Educação, com o apoio da rede local, de empresas, de autarquias, assegurando-lhes este acesso e as mesmas oportunidades”. “O que está a acontecer é um ‘abrir olhos’ para muita gente”, atirou.

Partilhando da mesma opinião, também Raquel Dias, professora de Educação Física na EB 2,3 de Gualtar, com cargo também de direcção de turma, confessa algum “desânimo” pelo facto de os próprios pais e encarregados de educação terem demorado a responder às suas solicitações, depois do encaminhamento de muitos trabalhos académicos dos vários professores aos alunos. “Fui obrigada a ligar a cada um dos encarregados de educação apenas para confirmar que estavam a receber os conteúdos”, afirmou. “Este cenário já estava previsto e penso que o nosso governo já devia ter agilizado isto antes de acontecer”.
Segundo a docente, que tem alunos do 5.º ao 12.º ano de escolaridade, há “recursos tecnológicos”, como computadores e tablets, que as próprias escolas podem emprestar aos alunos que não têm e o acesso à Internet, por exemplo, ser facultado através de apoios da rede local, até por empresas de comunicações com pacotes especiais, sendo ressarcidos depois pelo governo. “Já tudo devia estar acautelado”.

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