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Programa educativo assume missão da inovação social
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Programa educativo assume missão da inovação social

Braga

2020-02-23 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Human Power Hub - Centro de Inovação Social de Braga abriu portas ao programa educativo Centurium. Depois de abraçar as missões educativa e cultural, o Centurium trabalha agora também na vertente social.

O programa educativo Centurium é um dos projectos que integra o Human Power Hub - Centro de Inovação Social de Braga, inaugurado na passada sexta-feira pelo secretário de Estado do Planeamento, José Mendes. “Este é um momento feliz e de compromisso. Este espaço é o reconhecimento do Centurium como iniciativa de empreendedorismo social. Depois de assumirmos as missões educativa e cultura, agora abraçamos a área social. Queremos ser um instrumento útil para a transformação em diferentes níveis, desde o académico ao social”, assumiu o mentor do projecto, Paulo Morais, aplaudindo o facto de “além da escola vestir a camisola da criança, também as instituições sociais e cívicas estão a fazê-lo para ser a própria criança a alavancar a cidadania participativa”.

Depois de ter apresentado uma candidatura e ter participado num bootcamp, o programa educativo Centurium foi seleccionado para integrar este centro. “Este compromisso vem reforçar a nossa missão na vertente social. Já trabalhamos nessa missão com o Instituto das Comunidades Educativas no envolvimento das crianças da periferia e desfavorecidas e agora o Centurium assume esta missão, congregando com outras sinergias e forças para trabalhar em rede e assumir a missão do Centro de Inovação Social”, referiu.
O objectivo primeiro é “trabalhar em rede” com outras iniciativas de inovação social e entre todos “dinamizarem a missão uns dos outros”. Este espaço físico é “uma alegria muito grande” para o Centurium, que até agora trabalhava no espaço de alguns parceiros, nomeadamente no Museu D. Diogo de Sousa.

O Centurium começou há mais de uma década, lembrou o também professor de Matemática, como “a solução para um problema”. Até agora, o Centurium sempre esteve em contexto curricular e sala de aula, tendo começado na Matemática, “mas rapidamente chegou a todas as outras áreas curriculares”. Num segundo momento, continuou o mentor, “fez sentido” alargar o projecto à cultura e às famílias. “Todos nos apercebemos que estávamos a trabalhar a nossa herança cultural e histórica e esse dominador comum foi alargado quando as famílias começam a ser introduzidas. As crianças tinham acesso aos recursos e começaram a incorporar a história, a cultura e a identidade associada aos jogos, transportando esse conhecimento para as famílias”, contextualizou o professor, lembrando que as crianças e os jovens “não se limitam a jogar, mas ao interagir com o público contam a história e falam das tradições locais”.

Entretanto, o ano passado a Câmara Municipal de Braga, através dos pelouros da Educação e da Cultura, reforçou o apoio que dava desde a primeira hora e fez “toda a diferença”. A autarquia, para além de assumir como missão a capacitação e formação dos professores também colocou recursos nas escolas. “Tendo recursos materiais e a capacitação de centenas de professores a decorrer, começamos a abraçar a causa da inclusão social, em contexto de escola”, constatou Paulo Morais, justificando que o “dominador comum e indicador muito forte” na avaliação das acções de formação era que “as crianças que mais trabalhavam e dinamizavam os jogos vinham de contextos desfavorecidos e da periferia”.

Para Paulo Morais esta constatação foi “muito importante e interessante”, porque são esses alunos que saem do contexto sala de aula e vêm para o recinto exterior da escola promover os torneios. Mas não se ficam por aqui. “São esses mesmos alunos que depois vão para a família e falam dos jogos, da história, da cultura e da identidade. E de repente, a família tem acesso privilegiado a espaços culturais como o são, por exemplo, o Museu D. Diogo de Sousa e a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva”.

É este “feito” que o programa educativo Centurium quer reforçar, por isso, assume mais este compromisso com a inovação social. “A baixa participação das crianças e jovens em contexto desfavorecido começa a ser alterada e com este novo espaço começamos a trazer as crianças para os espaços centrais. São essas crianças que vão começar a trazer para os espaços públicos, enquanto cidadãos, esta dinamização dos jogos, fazendo a sua contextualização histórica e cultural”, observou o mentor do projecto, referindo que também os professores ‘saltam’ para o edifício do Castelo para dar apoio enquanto cidadãos e voluntários.

Mas o programa educativo não se fica por aqui. “Temos a Câmara Municipal de Braga, o Museu D. Diogo de Sousa, a Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, mas também temos as associações de pais e juvenis, bem como a Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação (ANEIS), a APPACDM de Braga e a CERCI Braga integradas em todas estas dinâmicas”, lembrou Paulo Morais, adiantando ainda que o desafio agora passa por alavancar também as instituições que trabalham com a idade maior, ou seja, colocar as crianças a jogar com os avós.

Município de Vizela abraça Centurium como “mais-valia educativa, cultural e social”

O Município de Vizela é um dos primeiros municípios a assumir o programa educativo Centurium “uma mais-valia educativa, cultural e social”, aplaudiu o mentor do projecto, Paulo Morais, adiantando que o Centurium está ali a ser replicado em toda a sua estrutura. “De forma consistente e articulada vamos trabalhar no concelho. Vamos replicar o Centurium em sala de aula com a intenção clara de dinamizar localmente torneios, trabalhando para a final nacional”, assumiu o professor, depois do programa ter sido apresentado pela Câmara Municipal de Vizela, na passada quinta-feira.
“Este é um exemplo, também seguido por municípios de Gondomar e Lousada. A partir da sala de aula e tendo os professores como activadores principais, as crianças acabam a promover os jogos fora da sala de aula”, referiu ainda o Paulo Morais.

Dada a evidência da época romana em Vizela, “faz todo o sentido explorar estes elementos numa dimensão de currículo local, expresso no património e identidade desta cidade. Através destes elementos lúdicos, promove-se a aproximação do cidadão vizelense à sua história e à sua identidade patrimonial”, pode ler-se no comunicado enviado pelo município.
Este projecto encontra-se a ser desenvolvido nas escolas do concelho de Vizela, tendo começado por capacitar os professores com formação através de uma oficina de 50 horas, acreditada pelo concelho científico e dotando, de seguida, as escolas e professores com kits de jogos, t-shirts identitárias de participação por jogo, bem como elementos caracterizadores da implementação do programa educativo Centurium no espaço de cada escola e comunidade educativa, promovendo assim o sucesso escolar a partir de elementos do currículo local e o envolvimento de toda a comunidade vizelense, a partir da escola.

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