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Recandidatura pela Coligação depende do reforço de competências
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Recandidatura pela Coligação depende do reforço de competências

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Recandidatura pela Coligação depende do reforço de competências

Entrevistas

2021-05-03 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Se decidir recandidatar-se a S. Victor, Ricardo Silva só o fará pela Coligação ‘Juntos por Braga’ se houver o compromisso de reforçar as competências da Junta e exige ainda melhor comunicação com a Câmara. Coloca de parte concorrer por outro partido, mas não avançar com uma lista independente.

A concluir o segundo mandato como presidente da maior freguesia de Braga, Ricardo Silva assume que ainda não tem tomada a decisão de se recandidatar ao cargo, estando várias hipóteses em aberto.
O autarca revela que para voltar a encabeçar a lista da Coligação ‘Juntos por Braga’ — sempre como independente — terá de haver um reforço das competências de actuação da Junta de Freguesia, sobretudo do ponto de vista do espaço público, assim como um estreitar de relações com a Câmara de Braga, que nos últimos anos, assume, se tornaram “tensas”.
Se decidir recandidatar-se, e a Coligação não anuir às exigências, Ricardo Silva não coloca de parte avançar com uma lista independente, até porque “o único apoio” que quer “é o da população”.

Ao ‘Correio do Minho’, Ricardo Silva revelou que “o diálogo” com a Coligação ‘Juntos por Braga’ está a decorrer com o objectivo de “encontrar uma plataforma de entendimento”. Assume que tem um compromisso para com esta força política, pelo que em questão não está avançar em listas de outras forças partidárias. Ou seja, não havendo entendimento com a coligação de direita, e se avançar, será com uma lista independente.
Ricardo Silva assume que este segundo mandato fica marcado por momentos de tensão vividos na relação com a Câmara Municipal, momentos que se traduziram muitas vezes em saber dos projectos que o Município tem para a freguesia através da comunicação social.

“Nós, Junta de Freguesia, não podemos ser apanhados de surpresa a ler na imprensa que se vão realizar iniciativas na nossa freguesia, ou perceber quais são as prioridades da Câmara Municipal para a nossa freguesia sem sermos consultados sobre elas”, explica, dando como exemplo que foi através da imprensa que ficaram a saber que ia avançar a requalificação da Av. Pe. Júlio Fragata. Da mesma forma que foi pela imprensa que ficaram a saber que a Estratégia Local de Habitação prevê a construção de mais 44 fogos no Bairro das Enguardas. “Nunca ninguém nos disse nada. Até podem argumentar que só existe aquele terreno para construir e que tem de ser ali. Pois, que seja, mas têm de nos explicar isso a nós, Junta de Freguesia, porque nós somos a primeira ponte com a população. É à nossa porta que a população vem bater para pedir explicações”, refere Ricardo Silva, que considera imprescindível o compromisso de envolver a Junta de Freguesia nas decisões municipais que afectam a vida dos fregueses.

O autarca deixa perceber que praticamente todas as intervenções do Município na freguesia, ou em equipamentos nela instalados, foram feitas sem auscultar ou informar a Junta de Freguesia.
Ricardo Silva reivindica também que a Junta de Freguesia assuma mais competências a nível do espaço público. “De lei, nós, enquanto Junta de Freguesia urbana não somos mais do que um mero emissor de atestados”, constata, considerando que “esse é um papel muito redutor para quem está a servir a população”, razão pela qual tem sido subscritor “de que o Município de Braga não tem de ter medo em delegar competências na Junta de São Victor. Nós estamos cá para servir a população”.

“Neste contexto de freguesia urbana é sempre muito difícil ir ao encontro das populações, porque muitas vezes o que se exige da Junta de Freguesia é intervenção no espaço público: que se marque uma passadeira, que se marquem lugares de estacionamento, que se tapem buracos na rua, que se troque um candeeiro que fundiu, que se recolha lixo depositado ilegalmente, que se trate dos espaços verdes... Mas isso são competências que nós, Junta de Freguesia, não temos. Nós, acabamos por ser simplesmente os mediadores da queixa, transmitindo a mesma à Câmara Municipal. As situações depois levam tempo a ser resolvidas e é a Junta de Freguesia que vêm pedir satisfações, não percebendo que não podemos ser nós a resolver a situação, por mais simples que seja, porque não temos competência para tal.

“O nosso saldo confortável é a humanização da política”

O segundo mandato de Ricardo Silva à frente da Junta de São Victor fica marcado pelo contexto de pandemia que obrigou a suspender o plano de actividades e a readaptar todo o trabalho a um novo contexto, um contexto onde o apoio social ganhou uma importância extrema.
“A nossa Junta de Freguesia nunca parou durante a pandemia. Fechamos a porta, mas continuamos a fazer o atendimento, obviamente mediante todos os condicionalismo que a situação exigia”, recorda Ricardo Silva.

O próprio presidente deixou o gabinete e meteu literalmente mãos ao volante para diariamente percorrer a freguesia levando cabazes de alimentos a quem mais necessitava, fosse por motivos económicos, fosse por falta de retaguarda familiar. Foram tempos “muito desafiadores” e o autarca mostra-se “grato por ter passado por esta experiência enquanto presidente da Junta”, mas também não consegue esconder a emoção quando recorda que viu “coisas muito boas, mas outras que nem por isso”.

“Quando levámos os cabazes vimos sobrelotação habitacional, habitação precária, vimos famílias que não conseguiam alimentar os filhos porque o desemprego bateu à porta... situações muito complicadas, que tentamos ajudar a resolver com o nosso GIP e a rede social. Sabemos que nem tudo foi perfeito, mas temos consciência que fizemos tudo o que era possível para estar perto das pessoas, sobretudo das que mais precisavam”, conta. Também por tudo aquilo que experienciou neste período, considera que muito mais importante do que a Junta de Freguesia apresentar “um saldo financeiro confortável” é perceber que existe “um saldo confortável da humanização da política”.

“É preciso que as instituições que estão ao serviço da população se continuem a prestar a servir a população e nunca percam o foco de que as pessoas são a nossa razão de existir aqui”, defende. Se os políticos dão valor aos números, o autarca, que é independente, prefere realçar que algumas das medidas mais emblemáticas desenvolvidas pela Junta “custaram zero”, dando como exemplo o cantar aos ‘Parabéns’ aos fregueses aniversariantes durante o confinamento. “O nosso objectivo foi levar uma mensagem de esperança, mostrar que dentro de um contexto cinzento e em que as pessoas estavam tão deprimidas, nós conseguíamos levar ali, durante dois ou três minutos, sorrisos e esperança. São iniciativas como esta, sem custos financeiros, que mostram o lado bom da actividade da autarquia, a humanização da política”, realça.

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