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Retoma dos concursos pecuários é “boa ajuda” para os criadores
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Retoma dos concursos pecuários é “boa ajuda” para os criadores

Professor da UMinho no Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais

Retoma dos concursos pecuários é “boa ajuda” para os criadores

Braga

2021-09-20 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Foram sete os concursos pecuários realizados na 53.ª AGRO. Estes eventos representam uma ajuda extra para os criadores que se debatem com o constante aumento dos custos de produção.

Os concursos pecuários confirmaram o estatuto de “pontos altos” na programação da AGRO – Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação. Nesta edição, que marcou a retoma do certame após o interregno motivado pela pandemia, realizaram-se sete concursos que além de entusiasmar os visitantes representaram também uma ajuda para os produtores que cada vez se vêem mais aflitos com os custos da produção.
“Os preços pagos ao produtor de gado não se alteram há uns 30 anos, enquanto que os custos da produção não param de aumentar. Um vitelo há 20 ou 30 anos dava 100 contos a um criador e hoje dá-lhe 500 euros. É o mesmo preço. Isto passa-se também na produção do leite”, alerta José Leite, secretário técnico da raça barrosã, expondo que a agricultura portuguesa, sobretudo em termos de criação de gado e produção de leite “está com um quadro muito negro”.

Em declarações ao ‘Correio do Minho’, à margem dos concursos pecuários, José Leite realçou que “se não fossem os apoios europeus dados aos produtores muitas raças autóctones, que são património português, estariam extintas”.
Além dos apoios europeus, os prémios arrecadados em concursos pecuários e nas chegas de bois representavam outra ajuda para os criadores de gado, “mas com a pandemia esses eventos deixaram de se realizar e os produtores também perderam essa ajuda”.
A retoma da AGRO, após um ano sem se ter realizado, marca também a retoma dos concursos pecuários. Esse é o anseio de todos os criadores, como deixaram patente na sua passagem pela 53.ª edição do certame, que terminou ontem no Altice Forum Braga.

Foram sete as competições realizadas: XXXII Concurso Nacional da raça Barrosã; IX Concurso Nacional da raça Cachena; Concurso da raça Arouquesa; Concurso da raça Maronesa; Concurso da raça Minhota; XV Concurso Nacional de Galinhas de Raças Autóctones e Concurso Nacional de Ovelhas de raça Bordaleira entre Douro e Minho e Churra do Minho.
Na manhã de ontem foram os exemplares de gado cacheno a desfilar no ringue com 300 metros quadrados, enquanto que de tarde os protagonistas foram os animais da raça barrosã.

Originária do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), a raça cachena registava há cerca 40/50 anos uns três mil exemplares. No entanto, no início deste século existiam apenas cerca de 300 bovinos desta raça, situação que resultou da aposta do estado português em cruzar as raças de pequeno porte com outras maiores. “O Estado oferecia touros reprodutores da raça barrosã aos criadores para estes melhorarem o seu efectivo. Isso fez com que no início do século tivemos apenas uns 300 animais cachenos”, explica Rui Dantas, o secretário técnico da raça cachena.
Dado o alerta, foi feito um trabalho de recuperação desta raça e neste momento serão cerca de 7000 os exemplares existentes.

Rui Dantas conta que mais de metade do efectivo desta raça está em Arcos de Valdevez, de onde são originários cerca de 70% dos produtores. “Esta é uma raça que ainda se situa muito na zona do PNPG. Encontramos cachenas principalmente em Arcos de Valdevez, mas também em Ponte da Barca, Melgaço, Monção, Terras de Bouro e Vila Verde. Também há dois grandes produtores noutras zonas do país. Há um em Barrancos com 800 animais e outro em Montemor com perto de 400”, refere.

O facto de esta ser uma raça de pequeno porte e com poucas exigências a nível alimentar torna-a atractiva para os criadores, uma vez que estes recebem o prémio de produção por cabeça de animal.
Neste momento está a ser feito um esforço para melhorar etnicamente a raça cachena, refere Rui Dantas, explicando que “como esteve muito influenciada pela raça barrosa e quase em extinção, ainda é necessário trabalhar para melhorar as suas características étnicas”.
Também a raça barrosã esteve em risco de extinção, mas hoje “o efectivo está mais ou menos estabilizado, com cerca de 7000 animais em produção”. É sobretudo em Arcos de Valdevez, Montalegre e Vieira do Minho que esta raça tem maior expressão. “Tem sido muito importante o trabalho no âmbito genealógico que se tem feito com esta raça e os apoios europeus dados aos criadores”, salienta José Leite.

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