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Ricardo Rio: “Aos bracarenses pedimos mais um voto do que há quatro anos”
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Ricardo Rio: “Aos bracarenses pedimos mais um voto do que há quatro anos”

Entrevistas

2021-09-11 às 06h00

Rui Miguel Graça Rui Miguel Graça

Ricardo Rio é o rosto principal da coligação ‘Juntos por Braga’ para a Câmara Municipal de Braga e destaca que os bracarenses sabem que estão à altura “das responsabilidades e dos desafios que se colocam”, classificando a resposta à pandemia como “um exemplo”. Salienta que o projecto traçado em 2013 era “contínuo”, preparado para “doze anos” e para ter ainda continuidade por parte da força política que representa actualmente.

P - Há oito anos pediu mais um voto que os restantes concorrentes. Há quatro o reforço. E?agora, o que pede aos bracarenses?
R - Peço mais um voto do que há quatro anos atrás. Penso que é simbólico neste percurso que as pessoas demonstrem que não estão arrependidas e não querem voltar atrás, naquele que pode ser o meu último mandato à frente da Câmara Municipal de Braga. Convictos que fizemos bem aquilo que tínhamos para fazer, com mais ambições para os próximos quatro anos e esperamos que, não a maioria pelo número de eleitos, mas pela adesão do voto dos bracarenses, possa ser reforçada.

E o que é que os bracarenses podem esperar de si?
Há valores intrínsecos àquilo que foi a minha conduta enquanto autarca, desde o tempo que estive na oposição que foi muito importante a vários níveis. Desde logo pelo conhecimento e experiência que ganhei da realidado concelho e, depois, sobretudo, pelos laços de confiança e de proximidade que estabeleci com os cidadãos e com as instituições, que mantive e reforçei durante o tempo que estive à frente da Câmara Municipal. Nesse sentido, isso é um valor que todos os bracarenses sabem que podem contar com um presidente próximo, dialogante, que ouve e enriquece as suas respostas com aquilo que são as propostas dos bracarenses e, sobretudo, um presidente e uma equipa que me orgulho de liderar e que responde às necessidades concretas dos bracarenses em cada momento.

Como analisa os dois mandatos?
Foram muito diferentes. Tivemos um primeiro em que foi importante fazer uma ruptura com o passado.
mente em sede de executivo municipal com outros vereadores, como é o caso do vereador Casais Baptista e o espaço pedonal que temos hoje em Braga. É um trabalho contínuo e assumi este desafio com essa segurança. Naturalmente, o papel do nosso vereador Carlos Almeida foi diferenciador, que representou uma capacidade de conhecimento e intervenção notória. De alguma maneira também houve uma passagem de testemunho, mas temos trabalhado em conjunto, até porque também fui eleita em 2013 para a Assembleia Municipal.
De desenvolver um conjunto de políticas que eram prementes para valorizar a cidade de Braga do ponto de vista da dinamização económica, da salvaguarda patrimonial, da qualificação do meio ambiente, da animação cultural e da qualificação dos agentes culturais, da requalificação das respostas educativas, do reforço dos apoios sociais. Foi um primeiro mandato muito imaterial. Dentro da lógica obreirista terminámos o primeiro mandato com uma única grande obra em termos de volume financeiro, que foi o novo quartel dos bombeiros sapadores e, depois, praticamente ao mesmo nível, o campo de tiro. Já o segundo mandato, foi substancialmente diferente. Numa primeira fase foi necessário começar a concretizar um conjunto de investimentos de maior monta para requalificar e valorizar equipamentos que estavam a ficar degradados, como são os casos do Altice Forum Braga, do Parque Desportivo da Rodovia, mais recentemente o Mercado Municipal, a Pousada da Juventude, em suma, por todo o concelho tem havido uma componente de investimento infra-estrutural muito mais significativa. No nosso primeiro mandato concretizámos 95 por cento do nosso programa eleitoral e vamos terminar este segundo mandato com cerca de 85 por cento, mas durante os últimos dois anos estivemos focados em responder aos desafios da pandemia.

E como foi a resposta?
Esses desafios não foram fáceis. Andámos a tentar salvar vidas. A tentar apoiar quem mais precisava. Se não tivesse sido o município de Braga o Ministério da Educação só muito mais tarde é que conseguiu disponibilizar os computadores para as escolas funcionarem digitalmente. O Ministro Tiago Brandão Rodrigues não se lembra disso quando avalia o desempenho do município. Na resposta na área da saúde fomos o primeiro município no país que investiu largos milhares para testar funcionários e utentes das instituições de terceira idade. Do ponto de vista da vacinação, fico muito orgulhoso de ver o Almirante Gouveia e Melo dizer que temos o melhor Centro de Vacinação do país. Muito mérito do trabalho do ACES, mas também teve um contributo fortíssimo da equipa da InvestBraga. E isso demonstra aquilo que os bracarenses sabem que este executivo, este presidente estão à altura das responsabilidades e dos desafios.

Parte da oposição acusa de terem sido direccionados os testes à Covid-19 para o sector privado?
Infelizmente o sector público não teve essa capacidade de resposta a nível nacional. Tivemos sempre um diálogo muito próximo com o Hospital e a Escola de Medicina, lamentamos que só muito tardiamente os testes que foram desenvolvidos na Escola de Ciências da Universidade do Minho acabaram por ser validados. Andámos verdadeiramente a ‘regatear’ testes junto dos vários laboratórios.

Dentro desta lógica há uma retoma económica a fazer. Que soluções?
A primeira solução foi o trabalho que fizemos antes da pandemia. Braga tem hoje um tecido económico muito resiliente e diversificado. Rapidamente, após a retoma da actividade, conseguimos baixar o nível desemprego para números próximos daqueles que tínhamos em 2019. O caminho que temos feito vai permitir uma recuperação célere.

Que terceiro mandato poderemos ter?
Caso seja eleito, os bracarenses podem ter como certeza que vou cumprir o mandato até ao fim. Não vou sair de Braga até ao último dia do mandato e não faço tensões de voltar depois. Naquilo que é a minha perspectiva pessoal encerra um ciclo. O?meu projecto era para doze anos, ou seja, de forma continuada e sabia que haviam projectos que só seriam concretizados mais tarde, como é o caso das Sete Fontes e de várias intervenções do ponto de vista da rede viária, como o Nó de Infias ou a extensão da Variante do Cávado.

A oposição diz que demoraram anos demais...
Todos esses processos têm uma explicação. Percebo quem vê de fora e admita que considere oito anos muito tempo. Recordo que quando fui eleito, o anterior executivo tinha previsto que através do Parque das Sete Fontes houvesse uma rede viária que iria atravessar o próprio parque e ainda os terrenos que estavam nesse parque tinham capacidade de construção muito significativa, algo que foi sendo diminuído. Quando partimos para essa empreitada não tínhamos um metro quadrado de área verde.

Mas essa foi uma das suas bandeiras em 2013. Criar um Parque da Cidade.
O?Parque das Sete Fontes vai cumprir um papel importantíssimo, mas não nos podemos esquecer que Braga tem um espaço central, com uma área verde muito significativa que ainda não foi apropriado pelos bracarenses, que é a ligação entre o Parque da Ponte, as Camélias e o Picoto. Temos ali uma área que vai também, no futuro, poder ser melhor fruída pela população e que queremos continuar a dotar com melhores condições de segurança, de lazer e da prática desportiva e que é também um grande parque ao serviço dos bracarenses.


Mas há condições?
Há uma coisa que não tenho dúvida hoje. Para garantirmos a gratuitidade deste serviço tem que ser uma medida universal para todo o país. E a empresa municipal de Braga nunca recebeu, a título de compensação indemnizatória, nenhum apoio por parte da administração central. Como nunca recebeu nenhum subsídio para a renovação da frota.
Os Transportes Urbanos de Braga dependem exclusivamente da bilhética e das transferências municipais e para avançarmos para a gratuitidade é preciso perceber quais as condições para tal.

A estrada junto ao Estádio 1.º Maio, onde se realiza a feira à terça-feira, vai desaparecer?
A nossa intenção é que deixe de existir a título definitivo. Neste momento já está na nossa alçada directa e queremos criar uma alternativa junto à Escola Profissional.

Próximos quatro anos vão ser de obreirismo?
Vão. Temos mais de oito milhões de investimento em equipamento escolar. Temos projectos na área cultural, como na antiga Francisco Sanches e no São Geraldo. E temos a obra do mandato que é a criação do Metro Bus em Braga [BRT], que já tem financiamento consignado com uma verba superior a 100 milhões de euros. Este é um projecto para os próximos quatro anos. Tal como esperamos até 2027 ter uma ligação Braga-Vigo e a construção da nova estação ferroviária.

P - Algumas ruas foram pintadas de vermelho e foi classificado como um acto eleitorialista...
Não foi esse o sentido. Esse projecto já deveria estar concretizado há vários meses por várias vicissitudes sofreu alguns atrasos. Em relação à questão dos buracos, houve uma situação que não foi acautelada pelos nossos serviços e isso foi aproveitado.

Mas foi penalizado pela Comissão Nacional de Eleições por uns videos promocionais do Altice Forum.
Vivemos num tempo de ditadura invertida, ou seja, não fizemos nada do ponto de vista promocional. Eram videos informativos. sempre estiveram a ser exibidos no Forum nos últimos meses. Apresentaram essa queixa. A?CNE entendeu que tudo o que não seja edital é campanha, portanto fomos sancionados.

Braga vai ter dois estádios? Três estádios? E como está o processo do problema das ancoragens no Municipal?
Esse é um processo que está a ser acompanhado pelos nossos técnicos e por uma equipa externa e há questões que nós reivindicamos de má construção que vão ser accionadas judicialmente. Tal como ainda continuamos a discutir facturas a mais relativamente à construção. Ainda recentemente pagámos mais cerca de 5 milhões ao arquitecto e vamos ter a questão dos construtores, que reinvindicam mais dez milhões. Também vamos salvaguardar os interesses municipais com a questão da ancoragem. Relativamente aos estádios, considero o Estádio Municipal de Braga o pior acto de gestão pública em Portugal nos últimos anos. Uma obra que estava prevista custar 65 milhões e acaba por já estar perto dos 200 milhões. Só este executivo pagou cerca de 70 milhões de facturas.

Mas isso faz parte da herança na gestão eleitoral...
Acho que hoje ninguém aceitaria isso. Se tivesse a mesma atitude e deixasse uma factura substancial para outros pagarem ninguém aceitaria. Aquilo que aconteceu em relação ao Estádio e à Parceria Pública-Privada é uma verdadeira amarra relativamente à nossa capacidade de intervenção. Entendemos que o Estádio Municipal tem que ser rentabilizado.

E como vai ser feito?
A pandemia arrefeceu a possível alienação do estádio e por isso suspendemos o referendo. Constará do nosso programa que a nossa opção é rentabilizar o estádio ou através de um modelo de alienação ou concessão. O?SC?Braga continuar no estádio é uma opção sua. Em relação ao Estádio 1.º Maio, sofreu um processo de degradação muito significativo que não vem destes oito anos. Tem muitas exigências. Temos que investir cerca de oito milhões de euros para o reabilitar. O projecto do SC?Braga pareceu-me interessante, mas na prática esbarrava no facto de o estádio estar prestes a ser um monumento nacional.

Mobilidade. Tinham previsto a construção de 76 quilómetros de vias cicláveis. Onde estão?
Esse foi um plano que foi apresentado até 2025, por isso não falhou nada. Na variante do Fojo arranca até ao final do ano a construção de oito quilómetros. A ecovia do Cávado representa vários quilómetros. Para nós não foi verdadeiramente prioritário fazer o reforço das ciclovias. Concordo que Braga tem que estimular uma desintoxição do uso do automóvel, mas onde pusemos as fichas todas foi no reforço do uso do transporte público. Assim, as medidas que tomámos ao longo destes anos foram todas nesse sentido.

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