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Santuários estreitam laços para protecção da natureza
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Santuários estreitam laços para protecção da natureza

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Santuários estreitam laços  para protecção da natureza

Braga

2021-09-28 às 06h00

Rui Serapicos Rui Serapicos

Arquidiocese celebrou protocolo com santuários da chamada ‘Coroa de Braga’ — Bom Jesus do Monte, Sameiro, Santa Maria Madalena e Santa Marta das Cortiças.

“Em nome do consumo tudo se destrói” e “a causa da natureza não permite adiamentos”, disse ontem o arcebispo de Braga aos jornalistas.
Ao assinar com responsáveis de Santa Marta das Cortiças, Santa Maria Madalena, Bom Jesus e Sameiro — quatro santuários da chamada 'Coroa de Braga' — um acordo em que as partes se comprometem a cooperar na promoção de uma ecologia integral, D. Jorge Ortiga vincou que estes são espaços “de acolhimento para todos”.
Prevendo entre outras acções a gestão eficiente da energia da iluminação, limpeza de matas e melhoria de percursos pedestres, no plano das ideias o protocolo estabelecido ontem envolve a adesão à plataforma 'Laudato Si', que visa concretizar a encíclica do Papa Francisco e pretende servir “de contágio”, de modo a levar outros a aderir à causa ecológica.

Lembrando as “consequências dramáticas” das alterações climáticas e a necessidade de proteger a natureza, o arcebispo explicou que a Pastoral da Arqui- diocese prevê que cada cristão seja estimulado pelo “bom samaritano”, envolvendo uma “urgência de amor e de caridade, na relação com as pessoas” mas também “com a natureza”.
Seguindo o exemplo do bom samaritano, Jorge Ortiga defendeu uma atitude de “cuidar das feridas” da fraternidade, da comunidade e da família, inserindo neste capítulo as “feridas da casa comum” (leia-se: da natureza).
Assim, acrescentou, a atitude do samaritano implica também uma cultura na relação com a natureza.
José Paulo Abreu, da Confraria do Sameiro, lembrou naquele santuário haver uma “dimensão humana” que envolve “toda a gente”, como os místicos que vão para aquele local em atitude contemplativa. Mas, admitiu vai muita gente pelas árvores. Por isso frisou cuidado com o edificado, de modo que este “não agrida em nada” a natureza.

Pela Confraria do Bom Jesus assinou o cónego Mário Martins, que, ao usar da palavra, lembrou o estatuto de Património da UNESCO, “não só pelo edificado, mas também pela paisagem natural”.
Lembrou medidas já em prática como os painéis solares no Hotel do Parque e instalações eléctricas com mais eficiência energética, no exterior e interior da basílica, ou a plantação nos últimos quatro anos de mais de 2000 árvores de espécies autóctones.
Por sua vez, em nome da Irmandade de Santa Maria Madalena, Miguel Santos realçou que “o local não é nosso, é de todas as pessoas que queiram usufruir”, garantindo disponibilidade para “receber as pessoas que nos visitam, numa perspectiva de educação”.

Responder ao “Clamor da Terra”

O protocolo que ontem foi assinado no santuário de Santa Marta das Cortiças prevê a concretização de sete pontos. Eis o primeiro ponto:
1 – Responder ao Clamor da Terra, proteger a nossa casa comum para o bem de todos, abordando equitativamente a crise climática, a perda de biodiversidade e a sustentabilidade ecológica.
- Instalação de painéis solares nos Santuários, onde seja possível, sem por em causa o valor patrimonial e o impacto visual.
- Melhorar o isolamento térmico dos edifícios, sem por em causa o valor patrimonial e o impacto visual.
- Renovar e instalar sistemas de iluminação (interior e exterior) mais sustentáveis e eficientes, com a transição para luzes led’s, por exemplo.
- Proteger a biodiversidade plantando árvores autóctones.
- Plantar espécies nativas nos jardins.
- Remover espécies invasoras.
- Proteger e recuperar as nascentes de água e minas, garantindo o uso sustentável da água.
- Instituir sistemas de rega gota a gota e outros modelos de irrigação conservadores, para um melhor uso da água.
- Evitar o uso de fertilizantes e pesticidas nocivos para o ambiente, procurando um controle das doenças das plantas e árvores com tratamentos biológicos.
- Instituir um sistema de limpeza e remoção regular das matas para evitar incêndios.
- Instalar sistemas de trituração dos resíduos florestais e criar centros de combustão, para aproveitamento como fertilizante natural.

Economia, justiça e sustentabilidade

Nos pontos seguintes, as partes propõem-se promover a eco-justiça, economia ecológica, estilos de vida sustentáveis, educação ecológica, espiritualidade ecológica e envolvimento da comunidade.
Há medidas como sessões de esclarecimento, disponibilizar de água potável aos visitantes, acesso das comunidades a espaços verdes, o uso de máquinas meios de transporte ecológico e centros de depósito para reciclagem de todos os lixos produzidos nos santuários.
Os prelados salientaram ainda a ideia de criar melhores condições não só para a fruição da natureza mas também para tempo de oração.
“Não são só sobreiros, castanheiros e pinheiros” e “são montes sacrossantos”, disseram os responsáveis do Bom Jesus e do Sameiro.
Há documentos a referir romagens desde o ano 900, frisou o cónego Abílio Brito, de Santa Marta das Cortiças.

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