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Braga

2020-12-02 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

A cantora lírica bracarense é um nome incontornável da música clássica no país e no estrangeiro. Protagonista de dezenas de papéis principais de ópera, confessa o seu amor à família e a Braga.

Sara Braga Simões é um nome incontornável do panorama da música clássica. A cantora lírica, filha, neta e bisneta de bracarenses, é uma das referências nacionais da ópera que tem levado o nome de Braga e de Portugal pela Europa fora. Foi a primeira da família ‘Braga Simões’ a seguir profissionalmente uma carreira musical e, neste momento, já outros familiares lhe seguem os passos, mostrando que a música está no ADN da família.
Licenciou-se em Comunicação Social na Universidade do Minho, mas a veia artística roubar-lhe-ia uma carreira promissora na área publicitária para abraçar definitivamente o seu talento, a sua voz. Acabou por se licenciar também em ‘Canto’ pela Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto e foi a partir desse palco que passou para outros. Mas é do passado que o talento musical brota.

“Apesar de eu ter sido a primeira a seguir uma carreira profissional na música, a verdade é que na minha família a música foi sempre uma presença constante, todos sempre gostaram muito de música e até os meus antepassados estão ligados à música”, recorda a solista. “A minha mãe, Norberta Oliveira, canta muitíssimo bem e a minha voz é muito parecida com a dela e já o meu bisavô materno, Fontan, tocava guitarra”.
Esta ‘herança musical’ vem também do bisavô paterno José Narciso de Fonseca Oliveira, que, embora farmacêutico de profissão e formação, tocava violino e o irmão, Narciso José de Fonseca Oliveira foi regente da Banda dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso e musicólogo. O bisavô criou o Grupo Recreativo Dramático-Musical de Monsul que tinha como objectivo ‘diminuir o alfabetismo e cultivar a arte’, com o objectivo de promover a educação cívica e o ensino nocturno para adultos, ensinando música também”, sublinha Sara.

“Na realidade são vários os familiares que sempre cultivaram este gosto pela música, é o caso do meu pai - João Pedro Braga Simões, que tocou guitarra com os amigos e inclusive com grandes músicos do fado, com quem chegou até a actuar em palco, como é o caso do guitarrista José Luís Nobre Costa. Mas não só. Também o meu tio, António Simões, sempre manteve este gosto pela música, tendo trabalho sério realizado na área rock e na música popular portuguesa”, desvendou.

A soprano bracarense recorda que o gosto que já nutria pela música, e que também lhe era muito passado pela própria família que a cultivava religiosamente, facultou-lhe a entrada no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, onde realizou os seus estudos académicos e musicais (tendo aprendido a tocar violoncelo), mas viria a cimentar ainda mais a paixão pela música, com o incentivo também da professora Manuela Bigail - um gosto que, anos mais tarde, viria a consolidar com a licenciatura em ‘Canto’.

“Sempre gostei de cantar, desde pequenina, e o meu pai chamava-me para cantar em todas as reuniões de família”, lembrou, confessando que “tudo aconteceu de forma natural”.
Ainda a estudar ‘Canto’ no ESMAE, recorda, com emoção, uma das primeiras grandes oportunidades que teve, em Dezembro de 1999.
Tinha 24 anos e cantou como solista com a Orquestra Nacional do Porto (a actual Orquestra Sinfónica da Casa da Música do Porto); mas já antes, ainda em Braga, e com apenas 17 anos, estreou-se com orquestra substituindo uma soprano num concerto na Sé Catedral.

“Foi na ESMAE que comecei a ter muito feedback positivo, impulsionada por Rui Taveira e Peter Harrison (professores de Canto), José Luís Borges Coelho (maestro) e Jaime Mota (professor de música de câmara). Foi surgiram muitas oportunidades, com a criação do ‘Estúdio de Ópera’ da Casa da Música do Porto (2001-2004), onde protagonizava várias óperas e onde acabei por ter um ritmo performativo e experiência na fase de formação absolutamente crucial, que também me deu visibilidade e a partir daí começaram a chamar-me mais para o São Carlos, para as várias orquestras nacionais e festivais de música clássica”. Mesmo com os espectáculos que tinha pela frente, o trabalho de uma soprano não termina nunca, sempre à procura do “belo e da perfeição”.

As aulas de canto são uma exigência nessa busca incansável, mas Sara procurou também sempre aperfeiçoar-se com os melhores, neste caso com aulas com Susan McClloch (em Londres), com Elisabete Matos (em Madrid) e com Enza Ferrari. “Temos que nos manter em forma tal como um atleta faz para estarmos sempre prontos para mais um desafio”, diz.
Já percorreu vários palcos internacionais, com várias estreias operísticas a marcar o percurso como é disso exemplo a ópera ‘O Sonho’, do compositor Pedro Amaral e com encenação de Fernanda Lapa, que protagonizou em Londres, com a ‘London Sinfoneta’, precisamente a 25 de Abril de 2010. Um dos papéis que mais gostou de interpretar foi o de “má da fita” em ‘Banksters’ de Nuno Côrte-Real no Teatro São Carlos e diz que é sempre um “orgulho” actuar numa sala tão bela quanto a do Theatro Circo de Braga.

Os próximos concertos estão marcado para dia 10 no Culto d’ Ajuda (Festival Música Viva) em Lisboa, 12 Dezembro em Torres Vedras, 13 Dezembro na Igreja de S. Francisco em Alenquer e 7 Janeiro no São Carlos.
Sara Braga Simões é casada com pianista Rui Martins, o seu maior crítico e com quem actua várias vezes em recitais e confessa que até hoje não se arrependeu de ter preferido ficar a residir em Braga do que em Lisboa ou Viena. “É cá que está o meu coração”.

Família ‘Braga Simões’ agarra talento e vinga no mundo artístico da música

Sara Braga Simões foi a primeira da família a seguir profissionalmente uma carreira no mundo da música, servindo de ‘musa de inspiração’ e motivação para outros familiares abraçarem e aceitarem também o seu talento. Actualmente Rui, Gabriela, Eva e Miguel são os primos que a acompanham na vida artística, fazendo jus ao amor à música que a família ‘Braga Simões’ cultivou desde sempre.
“Fui a primeira em seguir profissionalmente a carreira e acabei por arrastar a Eva um pouco mais tarde, depois a Gabriela, o Miguel e o Rui. A verdade é que sempre toda a gente gostou muito de música na minha família e mesmo os nossos antepassados estiveram sempre ligados à música”, sublinha a soprano bracarense, vencedora de vários prémios nacionais e internacionais e convidada regular em temporadas do Teatro Nacional de São Carlos.
“A música, para mim, é um caminho de felicidade, para me sentir realizada e sinto-me muito feliz com o caminho que tenho traçado e com as pessoas que vou conhecendo e com quem vou tendo oportunidade de trabalhar e é isso que quero continuar a fazer”, confessa Sara Braga Simões, elogiando o percurso musical que os seus primos estão também a fazer. “Tenho um orgulho enorme”, disse.

Eva Braga Simões, 38 anos, é cantora lírica. Gabriela Braga Simões, 31 anos, é cantora lírica e estuda actualmente jazz. Miguel Braga Simões é percussionista, toca a solo e é membro dps ‘Drumming Grupo de Percussão’ e dos ‘Trash Panda Collective’ e Rui Braga Simões está, neste momento, a fazer o mestrado em piano, na Holanda. “Há um grande peso no ADN familiar e desde muito cedo que a música foi um caminho quase inevitável para nós”, refere Eva. “Mas sem dúvida nenhuma que senti uma enorme influencia da Sara: havia sempre muita música nos serões da família Braga Simões e lembro-me, desde muito cedo, de ouvi-la a cantar e de começar a cantar ao lado dela e dos meus primos”.

Também Eva se licenciou em ‘Canto Lírico e o seu grande foco tem sido no trabalho de ensemble na área da música antiga e contemporânea. Há mais de uma década que integra o Coro Casa da Música e os Cupertinos, trabalhando com regularidade em projectos no estrangeiro.
Já Gabriela Braga Simões, que se divide entre a música clássica e jazzística, confessa-se “uma privilegiada” por ter músicos profissionais e outros artistas numa grande família que é a maior fã.
“A Sara é um orgulho e uma grande motivação para mim. Foi a primeira dos primos Braga Simões a enveredar pelo caminho profissional e é uma grande referência para todos nós. Para mim é das melhores cantoras do país, com grande talento e extremamente trabalhadora, dando-nos o melhor exemplo e, sei por experiência própria, que é uma das melhores professoras de Canto”.

Tal como as primas, também para Gabriela a música é a sua vida. Formou-se também na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) em ‘Canto Clássico’ e está a terminar a formação em ‘Canto Jazz’ e quer vingar em ambas as áreas musicais. Nos ‘Cupertinos’ tem corrido o mundo na interpretação de música portuguesa dos séc. XVI/XVII e tem promovido o jazz no grupo feminino ‘Jogo de Damas’, indicando que gostaria muito de actuar em Braga.
É a olhar para a prima Sara “como um exemplo”, que Miguel Braga Simões afirma a “influência forte” que esta teve para seguir também uma carreira profissional na música. “Quase todos os Braga Simões frequentaram o Conservatório de Braga, pelo menos até ao 9.º ano”, disse, lembrando que qualquer encontro familiar ou escolar incluir sempre actuações musicais.

Licenciado pela ESMAE e mestre em ‘New Music’ pelo Conservatorium van Amsterdam, Miguel Braga Simões, 28 anos, percussionista, tem como foco “a criação, interpretação e disseminação de música nova”.
Apontando para a vertente artística da família Braga Simões, seja na música, no desenho ou na fotografia, que aos 22 anos, Rui Braga Simões, pianista, licenciado também pela ESMAE, dá continuidade aos estudos no Conservatório Real de Haia (Holanda).
“A minha ainda curta actividade profissional passa por projectos de música contemporânea e na divulgação da música de jovens compositores portugueses e, isso, é algo que eu gostaria de continuar a fazer no futuro, poder participar em projectos que envolvam a criação”.

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